Neemias reconstrói os Muros de Jerusalém
Neemias reconstrói os Muros de Jerusalém | Foto: Reprodução

Escola Dominical – Comentário de apoio da Lição 6, do 3º trimestre de 2020 – Neemias reconstrói os Muros de Jerusalém.

Aniel Ventura

Neemias emergiu como uma das personalidades mais expressivas da era pós-exílica, o seu livro foi escrito como o epílogo da história de retorno do cativeiro de Judá, iniciada no livro de Esdras, também tem o objetivo de demonstrar o que Deus fez em favor do remanescente judeu através da liderança piedosa tanto de Neemias como de Esdras. E ainda revelar a profunda espiritualidade de Neemias como homem de oração.

Estando ele a serviço do rei da Pérsia, foi informado da triste situação de Jerusalém e começou zelosamente a interceder em oração, pedindo que Deus interviesse em favor da cidade e dos seus habitantes.

I – DEUS RESPONDE ÀS ORAÇÕES DE NEEMIAS

Neemias, esse nome significa o Senhor conforta, era um estadista de alto posto, associado a Esdras no trabalho de retorno do povo de Judá à Terra Prometida. O mês de Quisleu é novembro e dezembro em nosso calendário (Ed 10.9). O ano vigésimo refere-se ao décimo segundo ano do reinado de Artaxerxes I, o Longânimo (464-424 a.C.).

1 – Deus envia emissários a Neemias

Nessa época, Neemias ocupava uma posição de destaque na corte do imperador: ele era o copeiro de confiança de Artaxerxes I, no vigésimo ano do seu reinado (444 a.C.). Hanani, era irmão de Neemias (Ne 7.2), visitou Jerusalém e estava retornando para Susã, uma viagem, de quase 1.600 Km só de ida, de onde trouxe as informações que moveram o coração do copeiro do rei, Deus usou Neemias para que buscasse ajuda aos seus irmãos de Judá.

2 – Neemias angustiado, jejua e ora

A vida era muito difícil para o povo em Jerusalém, em grande parte, devido às más condições do muro da cidade. Neemias ficou profundamente abalado, afinal, sem um muro, Jerusalém estava vulnerável aos ataques. Nesse caso o tesouro do templo, por exemplo, seria uma tentação para os inimigos de Israel (Ed 8.15-36). Neemias decide buscar a Deus em oração.

3 – Deus responde as orações de Neemias

Este intercessor clamou a Deus usando seu nome relacionado ao concerto com Israel (Ex 6.2-9). “…Deus dos céus…” (Ne 1.5), Neemias reconhecia o governo de Deus sobre o mundo, incluindo sua soberania sobre o rei pagão ao qual ele servia. “…Concerto e a benignidade…”. Ao usar essas duas palavras juntas, Neemias estava lembrando o Senhor das suas promessas (Ne 1.5). O Todo-poderoso havia firmado seu caráter na Sua lealdade demonstrada no concerto estabelecido com o Seu povo. Segundo os termos da aliança, Deus tornou as bênçãos disponíveis apenas aqueles fiéis aos seus mandamentos (Dt 28 e 29).

4 – Deus despertou o rei a atender o pedido de Neemias

As notícias que Neemias recebeu de Jerusalém lhe entristeceu e levou-o a oração. Porém enquanto servia Artaxerxes, o monarca notou que ele estava excessivamente triste, foi quando o rei graciosamente o convidou a definir seus desejos, Neemias formulou uma oração silenciosa, e ousadamente pediu ao rei que o enviasse a fim de reconstruir Jerusalém, a cidade dos sepulcros de seus pais. Neemias não recebeu simplesmente autorização para que saísse nessa missão, como também cartas, em seu favor, ordenando aos governadores de além-Eufrates, para que lhe dessem material de construção para as muralhas e portões da cidade, bem como para a sua própria casa particular.

II – NEEMIAS CHEGA À JERUSALÉM

1 – Neemias faz levantamento da real situação dos muros

A chegada de Neemias em Jerusalém, com cortejo de oficiais do exército e de cavalaria, assustou os governantes vizinhos. Acompanhado por um pequeno comitê, Neemias prontamente fez uma inspeção noturna da cidade, certificando das condições das muralhas.

2 – Neemias declara sua intenção de reedificar os muros

Neemias fez uma reunião com a população e confrontou a todos com a proposta da reconstrução das mura­lhas. A população juntou-se entusiasmada em apoio a Neemias e como eficiente organizador, designou o povo para vários portões e secções das muralhas de Jerusalém a serem reconstruídas (Ne 3.1-32).

III – NEEMIAS INICIA O LEVANTAMENTO DOS MUROS

A intensa atividade na construção dos muros despertou oposição da parte das províncias circunvizinhas. Líderes como Sambalate, o honorita; Tobias, o amonita; e Gesém, o árabe acusaram os judeus de rebeldes, assim que o trabalho começou.

1 – O plano de Neemias

Mesmo sob ameaças dos inimigos as muralhas da cidade foram recuperadas até à metade de sua altura. Neemias não só orava, como também designava guardas dia e noite. Ao longo das porções mais baixas das muralhas, a vigilância cabia às diversas famílias.

2 – A tática de Neemias

Deus deu sabedoria a Neemias, para execução da obra. Quando viram que os adversários estavam frustrados em seu intento, esforçaram mais ainda na construção. Metade do povo faziam os reparos com espadas nas mãos, enquanto a outra metade estavam em ativa guarda.

3 – A união dos judeus ficou ameaçada

O grande desgaste no trabalho, vigílias, medo e cansaço causou, muitas, dificuldades entre o povo em Jerusalém. Havia pelo menos três grupos de queixosos, identificados pela frase -“havia quem dizia”.

1 – Estes tinham famílias grandes e não dispunham de comida suficiente.

2 –  Outros pagavam altas hipotecas e não podia comprar alimento.

3 – Pagavam altos impostos e eram forçados a hipotecar sua terra e, até mesmo, vender seus filhos como escravos. Tudo isso acarretava um grande problema pois de acordo com a Lei, um judeu podia alugar seus serviços a outra pessoa, mas não como um escravo (Lv 25.35-40)

IV – O LEVANTAMENTO DOS MUROS PROVOCOU GRANDE OPOSIÇÃO

1 – Iniciada a edificação dos muros

Neemias encorajou o povo a ajudar na reconstrução dos muros da cidade, enfatizando que não era sua a ideia de reconstruir os muros de Jerusalém. Antes, o plano chegou até ele vindo do Senhor (Ne 3. 8,12). Em resposta ao desafio deste servo de Deus, o povo declarou: “Levantemo-nos e edifiquemos” (Ne 2.18).

2 – O muro foi concluído (Ne 6.15)

A despeito de toda a oposição, as muralhas de Jerusalém se completaram em cinquenta e dois dias. Os inimigos ficaram desapontados, e as nações ao redor de Jerusalém ficaram impressionadas, vendo realmente que Deus foi gracioso para com Israel. O término bem-sucedido do projeto de restauração traçado por Neemias, mesmo diante da oposição dos inimigos, conquistou respeito e prestígio do estado judeu entre as províncias a oeste do rio Eufrates.

V – O MURO FOI SOLENEMENTE INAUGURADO

Após a conclusão dos muros de Jerusalém ocorreu um avivamento no meio do povo (Ne 8 a 10). Depois desse aconteci­mento, Neemias tomou providências para repovoar a cidade (7-4,5; 11.1,2). Os levitas foram convocados para participar da dedicação dos muros. (hb. hanukkâ). A Festa de Hanucá passou a ser comemorada a partir da dedicação do templo depois de sua profanação pelos sírios e a subsequente revolta dos macabeus no segundo século antes de Cristo. Houve muita alegria entre o povo, não apenas à festa em si, mas também à adoração a Deus.

Na dedicação das muralhas foram organizados dois cortejos. Encabeçados respectivamente por Esdras e Neemias, um cortejo prosseguiu sobre as muralhas. Quando os dois grupos se reuniram no templo, houve grande culto em ação de graças, com música orquestra e coros. Muitos sacrifícios foram apresenta­dos como uma expressão de alegria e agradecimento. Também mulheres e crianças compartilharam das alegrias dessa ocasião festiva, participando acompanhando essas ofertas. Tão extensa e jubilosa foi a celebração que o ruído de triunfo foi ouvido longe.

VI – OS MUROS TRAZEM ENSINO SIMBÓLICO IMPORTANTE

1 – A Bíblia fala da salvação como um muro

O capítulo sessenta do livro de Isaías descreve o futuro reino messiânico de Cristo. Isaías vê aqui a glória de Deus sobre Israel, e as demais nações se chegando a ela a fim de receber a luz e a salvação (Is 49.23).

Aqueles que se opuserem ao reino messiânico serão aniquilados. Nesse tempo a salvação de Deus e o louvor de Israel serão a defesa da nova cidade (Zc 2.4,5).

2 – O muro da salvação fala da divina proteção que beneficia aqueles que se abrigam dentro dele

A despeito do terror instalado no mundo hoje, a Jerusalém messiânica não mais precisará de guarnições para se defender, pois a presença do Senhor lhe garantirá paz e segurança. Essa referência aponta, particularmente, à futura nova Jerusalém, a ser governada pelo glorioso Rei Jesus (Sf 3.15-19).

3 – O muro da salvação é uma permanente linha divisória entre reino de Deus e o reino deste mundo

O povo de Israel em muitas ocasiões pergun­taram onde estava o Deus de justiça. Na era messiânica, ninguém terá essas dúvidas, pois Cristo estará presencialmente como Rei justo reinando sobre toda a terra. Malaquias apresenta um Deus que não muda, o que nos leva a pen­sar que a intenção do profeta fosse uma punição; todavia é o contrário, aqui ele nos dá a certeza da eterna misericórdia de Deus (Zc 3.1-6).

CONCLUSÃO

O livro de Neemias registra o cumprimento de todos os passos básicos da restauração de Israel e do judaísmo pós-exílico, passos estes muito necessários à vinda de Cristo. Encontramos aqui a reconstrução de Jerusalém, do templo, a restauração da lei, a renovação do concerto e a devida preservação da linhagem davídica. Exteriormente, tudo estava em condição para a vinda do Messias (Dn 9.25). O período retratado em Neemias termina com a esperança profética de que o Senhor em breve viria ao seu templo (Ml 3.1). O Novo Testamento começa com os evangelhos apresentando Cristo como o cumprimento dessa expectativa e esperança pós-exílica.

Comentário de apoio da Lição 6, do 2º trimestre de 2020 – Carta aos Efésios – A CONDIÇÃO DOS GENTIOS SEM DEUS.


Bibliografia
– Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD
– A história de Israel no Antigo Testamento – Samuel J. Schultz – S.R. Edições Vida Nova
– O Novo Comentário Bíblico A.T. Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H
– Comentário Bíblico de Matthew Henry – Livro de Malaquias – CPAD

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