O menino nascido na manjedoura é a esperança do mundo caído
Manjedoura vazia | Foto: Depositphotos

“Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser ‘deus’. Só Deus quis ser menino” – Leonardo Boff

Todos os anos quando celebramos o natal, voltamos a mesma história. Cantamos as mesmas canções, encenamos as mesmas peças teatrais, nos lembramos das mesmas personagens. A trama é a mesma, os elementos do drama são os mesmos; tudo é igual. Fosse, o natal, um filme qualquer, talvez pediríamos ao produtor que atualizasse a trama, pois ninguém mais aguentaria ver a mesma coisa.

Mas porque, no natal, não assistimos a uma mera trama e nem celebramos a volta de um velho barrigudo, podemos ficar seguros que os mesmos elementos ganham vida em Cristo Jesus. É o menino feito rei, envolto numa manjedoura que torna o natal algo novo e vivo, todos os anos.

Foi Leonardo Boff que disse “Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser ‘deus’. Só Deus quis ser menino”. A meu ver, as palavras de Boff sintetizam muito bem o verdadeiro sentido do natal, pois Deus entrou na história tão vulnerável quanto uma criança. Tão humano quanto Deus, o salvador.

Já profetizava Isaias cerca de 700 antes do nascimento do menino mais esperado da história: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6). Irônico, não é? O menino que está enfaixado em panos tem o principado, o domínio de tudo, em seus ombros. Em Jesus, o divino se torna humano, o eterno entra no tempo, o imaterial se materializa e passa a existir na história para mudar a história.

Está certo quem diz que o menino nascido na manjedoura é a esperança do mundo caído. As palavras de C. S. Lewis, a respeito disso, são emblemáticas:

“De acordo com a história cristã, Deus desce para voltar a subir. Ele desce das alturas da existência absoluta no tempo e espaço à humanidade. […] ele desce para subir de novo, trazendo consigo todo o mundo arruinado. Isso nos faz pensar em um homem forte abaixando-se cada vez mais para colocar-se debaixo de um grande e complexo fardo. Ele deve abaixar-se para o levantar, quase desaparecendo sob a carga, antes de endireitar incrivelmente as costas e seguir avante com toda a imensa massa balançando em seus ombros”.[1]

Em Jesus temos o Deus menino revestido de humanidade, que tira suas vestes pomposas e as deixa no seu palácio suntuoso para mostrar de forma escancarada, sem protocolos, o quanto se importa com a raça humana. Para mim, essas sãos as boas novas de grande alegria que os anjos proclamaram naquela noite.

Mas infelizmente, hoje, o Natal tem sido invadido de vários significados. Um deles foi imposto pela cultura do consumo que, ao invés do Menino Jesus, prefere a figura do bom velhinho, o Papai Noel, porque é mais apelativo para os negócios. Arisco-me também a dizer que a escolha do velho [Papai Noel] ao invés do menino [Jesus] para representar o natal, é porque o velhinho barbudo é laico, isto é, não levanta nenhuma bandeira religiosa, como manda a lei do politicamente correto. O Papai Noel não confronta ninguém a ser sal e luz nos outros meses e dias do ano, por isso ele agrada o paladar de muitos. Esse é um verdadeiro obscurecimento do evento natalício que aconteceu em Belém da Judeia. O Menino que nasceu naquela noite, confronta todas outras religiões dizendo que Ele é o único caminho de volta para casa.

Meu desejo neste natal, é que todos ouçamos o chamado de Deus a ser menino. Que flua em nós um coração de dependência de Deus. Não tenha medo de chorar assustado de noite, não tenha vergonha de admitir que você não sabe o que fazer. Não hesite de ajoelhar-se diante de Deus e derramar a sua lágrima para Deus e falar assim “Deus, agora tudo que eu consigo ser é um menino e eu quero descansar a minha vida nas suas mãos porque eu sei que eu sou o seu filho amado”.

[1] LEWIS, C. S. Um ano com C. S. Lewis. Viçosa: Ultimato, 2005. p. 398.

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