Não há gaveta em caixão

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Não há gaveta em caixão

Por Rev. Hernandes Dias Lopes

A busca desenfreada pela riqueza é uma obsessão do homem desde os primórdios. O homem não se contenta apenas em ter suas necessidades supridas; quer ajuntar campo a campo, casa a casa e acumular para si muitos tesouros. É preciso deixar claro que a riqueza é uma bênção e não um pecado, se adquirida com honestidade e com a bênção de Deus. A riqueza mal adquirida, entretanto, é uma maldição e aqueles que entram por esse caminho atormentam a sua alma com muitos flagelos. A riqueza é transitória. O homem não trouxe nada para o mundo nem nada dele levará. A palavra de Deus diz: “Não temas, quando alguém se enriquecer, quando avultar a glória de sua casa; pois, em morrendo, nada levará consigo, a sua glória não o acompanhará” (Sl 49.16,17).

Quando John Rockfeller, o primeiro bilionário do mundo, morreu, no cemitério, um curioso perguntou para seu contador: “E aí, quanto o Dr. John Rockfeller deixou?” O contador respondeu de pronto: “Ele deixou tudo; não levou sequer um centavo”. As riquezas granjeadas nesta vida, aqui mesmo ficarão. A busca desenfreada por bens materiais, como a razão da própria vida, portanto, é uma consumada insensatez. Acumular tesouros, ajuntar riquezas, entesourar apenas para esta vida é um péssimo negócio e um tolo investimento. Confiar nos bens como se eles pudessem nos dar segurança e felicidade é um ledo engano. Acreditar que nossas casas serão perpétuas e nossas moradas serão por todas as gerações, imprimindo o nosso próprio nome em nossas terras é esquecer-se que somos peregrinos aqui e não temos casa permanente neste mundo. A ostentação da riqueza, portanto, é tolice. Cumular de glória as coisas terrenas e passageiras é pura frustração, pois, em morrendo, o homem nada levará consigo. Não há caminhão de mudança em enterro, gaveta em caixão, nem bolso em mortalha.

Devemos viver neste mundo sem ostentação, vestidos com o manto da humildade e calçados com as sandálias da gratidão e da generosidade, usando os bens que temos não apenas para o nosso deleite, mas, também, e sobretudo, para socorrer os necessitados. O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão. Não há qualquer problema em possui-lo, porém, ser possuído por ele é uma tragédia. O problema, portanto, não é ter dinheiro nas mãos, mas tê-lo no coração. O amor do dinheiro é raiz de todos os males. Por amor ao dinheiro muitos mentem, roubam, saqueiam, matam e morrem. Por amor ao dinheiro muitos contraem casamento e se divorciam. Por amor ao dinheiro muitos corrompem e são corrompidos. Por amor ao dinheiro, muitos vendem sua alma ao diabo e perecem eternamente no inferno.

As pessoas mais felizes não são aquelas que mais têm dinheiro, mas aquelas que mais têm contentamento no coração. O contentamento é um aprendizado. O apóstolo Paulo, preso em Roma, algemado e no corredor da morte, disse que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. O contentamento não é determinado pela quantidade de dinheiro que temos nas mãos, mas pela gloriosa paz de Deus que desfrutamos no coração. Aqueles que são salvos por Cristo e têm seus pecados cancelados e foram reconciliados com Deus, são herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. Possuem a maior de todas as riquezas, encontraram o maior de todos os tesouros e receberam a maior de todas as heranças. Esses são verdadeiramente felizes. Quando partirem deste mundo, deixarão aqui seus tesouros e bens, mas entrarão no gozo do Senhor, para tomarem posse das riquezas insondáveis da glória, riquezas essas que nenhum olho viu nem jamais ouvido algum ouviu. Essa é a verdadeira riqueza que nem mesmo a morte pode nos privar dela. Oh, quão rico são os filhos de Deus!

Rev. Hernandes Dias Lopes
Pastor, líder da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-ES; Bacharel em Teologia, pelo Seminário Presbiteriano do Sul; Doutor em Ministério, pelo Reformed Theological Seminary; Presidente da Comissão Nacional de Evangelização da Igreja Presbiteriana do Brasil; conferencista e escritor.

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