Não existe poder no caos!

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poder, caosNão há esperança no homem… Onde está o poder? Em nenhum lugar e com ninguém!

Por Antônio Mesquita

O mundo acordou do sonho. Digo com relação ao sentido ‘científico’ do sonho, do ponto da psicanálise freudiana, em que a realização dos desejos escondidos e jamais vivenciados pelo próprio indivíduo, se realiza: Sem cabresto, sem castração e sem nada de pudico.

Ainda que haja desacordo com Freud, é fácil perceber que existe em nós outro ‘eu’ latente no inconsciente a proteger recalques, marcado por traumas e complexos, a passear totalmente despido de pudor em sua representação onírica. Porém, Freud define o inconsciente justamente como intencionalidade.

Nele, nossas realizações oníricas refletem o anarquismo, em que a plena liberdade mantém lindes tênues com a libertinagem. Esse movimento do século 19 contraria toda imposição de autoridade ou força de governo e se encaixa na declaração de Guevara, que dizem ter sido o mentor da revolução cubana: ‘Se há governo sou contra’.

Do grego anarkhossem poder (governo), passou a ser usada para denominar ideologias, que contrariam todos os valores predominantes: social, político, militar e religioso e seus decorrentes como o Estado, leis, propriedade e a própria ordem.

Nisso tudo encaixa o sonho que vem ganhando força no imaginário humano, desde a queda do Absolutismo e ascensão do Relativismo, passando pelas passarelas do Woodstock e da Revolução Cultural até chegar hoje por seus filhos e netos.

Isto porque todos os sistemas dominantes e humanos falharam e falham ainda hoje, como verdadeiros estafetas pró inserção da nova (des)ordem mundial.

Não há esperança no homem. Ele está a deixar de ser (um) sujeito (às leis e normas), para manter-se somente como indivíduo (individualizado e autônomo), esgueirando-se da integridade humana.

As reações oníricas são confrontadas e transformam-se em intencionalidade quando existe momento propício: divã montado à meia-luz, melatonina em frenética produção…  nos tornamos sonâmbulos e abrimos o baú.

Mas, em vez do hormônio ocasionador do sono, produzido na baixa presença de iluminação, o mundo de hoje vive sob refletores a produzir muita adrenalina. A cada dia, recebemos do nosso metabolismo injeções hercúleas desse hormônio ruim, a partir daquilo que vemos, ouvimos e vivenciamos. É uma verdadeira droga a tirar a nossa racionalidade!

Retira-se a razão e injeta-se emoção! O homem de hoje, em vez de construir projetos e amar, é instigado a sonhar e a apaixonar-se. Toda a sua racionalidade passa de largo e isto ocorre até mesmo no meio eclesiástico, onde a obediência torna-se vexatória e a realidade obtusamente obscurecida do habemos papam!

Na Idade Média os sonhos foram mantidos adormecidos. A densa treva da obscuridade da época encaixou o homem de forma imperfeita perfeitamente no divã, embalado pela protetora da ‘santa’ ignorância. Agora, os sonhos trancados no baú do inconsciente entram em cena, por meio do humano que ninguém sabia existir.

Com a queda do absolutismo, em que os semelhantes sofriam abusos pelos excessos, partiu-se para o outro extremo: o excessivo relativismo. Consequentemente, o poder ficou podre, raquítico, doente, à beira da morte, absolutamente relativo.

Onde está o poder? Sumiu! Aproveitando-se de situação semelhante (não igual), mas igualmente vulnerável Hitler, com o poder de lar demolido, conseguiu elevar sua posição, ao explorar a culpa pela derrota da Alemanha na guerra, inserindo os judeus e minorias como bodes-expiatórios. Ele levou o poder popular às ruas e depois vestiu-se dele. Atualmente o homem vive à mercê de tal sagacidade.

Vivemos mais ou menos a ‘poesia’ A Invasão do Sagaz Homem fumaça, 2000, Planet Hemp, ‘O Sagaz Homem Fumaça’: ‘Aí, meu cumpadi, como já dizia o Samuca do patrulha na cidade: Quem não reage, rasteja. Eu tô de pé, pupilas dilatadas, chapado, mas eu sou sagaz”.

Onde está o poder? Em nenhum lugar e com ninguém! Se estivesse com alguém, no caso do Brasil, o povo não estaria na rua protestando e outros, aproveitando-se da ausência desse mesmo poder, a quebrar tudo!

Há um ‘poder’ de fato, mas não de direito, segundo conclusão da vox populi. Conclui-se que esse poder, em pleno século das luzes, do conhecimento globalizado, da mídia social, do nada fica encoberto, que não vale para si próprio, para a corja, para os amigos da corte, aos cartéis, aos camaradas e lobbys… não é poder, mas engodo…, pois o poder humano sem o demos, de democracia, é tirania.

Em passos mágicos e não menos enganadores tais líderes desse ‘poder’ contemporâneo transitam bem e com sapatinhos de algodão pelos corredores dos monastérios da corrupção. São verdadeiros monstros, a perambular de dia, noite e ‘mensal(eiros)mente’… Entretanto, a ficha caiu e ‘o-gigante-acordou’!

Pergunta-se: Onde estão os gigantes gerados entre o povo, seja de qual for o segmento: Um Getúlio, Juscelino, Kennedh (política); um Frank Sinatra, Goethe (arte); um Pelé, Zatopek (esportes); um Thomas Edison, Dumont (inventores); cientistas tal qual Albert Einstein; um Agostinho, Lutero, John Bunyan, Savonarola… Não os temos mais, senão um fio de homens probos.

Por isso o mundo em plena crise está ávido por um líder e o Diabo o dará, até que o Criador (re)pareça com um molho de chaves e diga:

– “Cavalheiros, está na hora de fechar!”

e o caos volte ao cosmo e outro Princípio se estabeleça!

Pr. Antônio MesquitaAntônio Mesquita
Pastor, jornalista e escritor. Gestor-executivo da Comadems – Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado do Mato Grosso do Sul.
Editor do blog 
Fronteira Final

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