Minorias no Sudeste da Ásia precisam de líderes

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Minorias no Sudeste da Ásia precisam de líderes

Desde o momento que avistamos a cidade lá embaixo no vale, meu amigo estava incontido de alegria. Ele havia sido provavelmente o único estrangeiro a morar naquela cidade em mais de 60 anos; uma região extremamente sensível. O objetivo dele e de sua equipe era plantar uma igreja no meio de uma minoria aqui no Sudeste da Ásia. Durante todo o trajeto, que já demorava dias, ele nos contava sobre os milagres e grandes maravilhas que haviam acontecido no seu tempo ali. Nosso alvo naquela cidade era visitar aqueles irmãos e ver como eles estavam caminhando na fé, oferecendo-lhes algum tipo de cuidado ou suporte, caso necessário.

Após entrarmos na cidade e termos a certeza de que estávamos razoavelmente seguros, visitamos uma das evangelistas a qual meu amigo tanto havia nos falado. Paramos na frente de uma vendinha, e logo fiquei sabendo que a pessoa que nos atendia era a evangelista. Comprei algumas coisas sem parecer por demais interessado nela, pois estávamos sendo observados por pessoas ao redor. Ela ficou feliz em nos ver e, em algum momento, pude perguntar de forma mais clara como ia a igreja e se os irmãos estavam se reunindo. A resposta foi triste. Não havia mais igreja ali. Ela e a família ainda se consideravam cristãos, embora não se reunissem como corpo, mas todos os outros irmãos haviam debandado. O motivo dado era que não havia pessoas para cuidar deles, ler a Bíblia com eles, explicar-lhes o que significa ser filho do Pai naquele contexto. Não havia líderes.

Antes eu me perguntava por que nós não vemos milagres acontecerem com tanta frequência num mesmo lugar, através de uma mesma pessoa ou igreja, como vimos na vida do Mestre. Mas andando por entre esses povos no Sudeste da Ásia comecei a pensar que talvez seja porque precisamos de tempo para construirmos a igreja e seus líderes. Desta forma, quando partirmos, deixamos algo maduro e que terá durabilidade. Caso tivéssemos milagres ou grandes eventos acontecendo o tempo todo teríamos sempre multidão, mas dificilmente comunhão e, portanto, nossos dias seriam focados no maravilhoso, não no fundamental. Certamente teríamos pessoas a nossa volta, mas não necessariamente relacionamentos profundos sendo construídos.

Semanas após esta viagem, estava falando numa reunião de líderes na cidade onde moro e citei a necessidade das minorias asiáticas, em especial, daquele grupo de irmãos que estavam sem líder. Disse que seria um excelente desafio pra eles começarem enviando alguém para uma minoria étnica numa região remota, mas que já tem um grupo de irmãos. A reação foi boa, mas aparentemente nenhum resultado prático imediato surgiria dali.

Após a reunião, um líder de outra cidade veio em lágrimas conversar comigo. Trinta minutos depois ainda estava tentando entender o que ele me dizia em meio às lágrimas. Ele fazia parte de uma minoria muçulmana e que havia se tornado pastor. Ele havia vindo naquela reunião porque queria ser enviado para trabalhar com algum povo muçulmano, mas depois de me ouvir entendeu que o Pai queria que ele abrisse o coração para outros povos também. Esse irmão havia plantado uma igreja e preparado um grupo de líderes para ficarem no lugar dele. Agora ele estava livre para ir para outros campos. Fiquei sem palavras!

Pedi ao Pai as palavras certas e depois de um tempo desafiei aquele irmão. Disse-lhe que conversasse com Deus durante algumas semanas sobre o desafio de ir para a cidade que eu havia citado para trabalhar por cinco anos na construção da igreja e sua liderança. Se o Pai confirmasse isso em seu coração, nós conversaríamos e decidiríamos juntos o próximo passo. Ainda estou esperando chegar a hora de nos encontrarmos, mas estamos esperançosos que em breve ele e sua família estarão suprindo as necessidades daquele grupo de irmãos.

Desafiar irmãos em Cristo e seus líderes a enviarem pessoas para regiões remotas com o objetivo de plantarem igrejas, prepararem obreiros aprovados e deixarem algo maduro, sustentável e durável tem sido o nosso foco neste país. Já mobilizamos e de alguma forma participamos no envio de dezenas de trabalhadores, mas se quisermos ver os povos do Sudeste da Ásia no caminho do Senhor, nossa caminhada ainda será longa.

Converse com o Pai sobre esse desafio, pois precisamos mais do que nunca do seu suporte. Peça que a incontida alegria invada mais vezes nossos corações ao vermos o Corpo de Cristo bem e expandindo suas fronteiras.

Lian Godoi
missionário no Sudeste da Ásia

Fonte: JMM

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