Milícias muçulmanas dificultam retorno de cristãos ao Iraque
Cristãos iraquianos enfrentam milícias muçulmanas como a próxima ameaça após a saída do Estado Islâmico, que deixou o país destruído. (Foto: Reprodução)

Mesmo com a saída do Estado Islâmico do Iraque, milícias muçulmanas e violência continuam a manter cristãos fora do país.

O Estado Islâmico pode não ter mais uma presença ativa no Iraque, mas em contrapartida estão presentes milícias muçulmanas. Com isso as mudanças demográficas e as divisões sectárias continuam a dificultar a volta dos cristãos.

No começo deste mês, na cidade de Bartella, na região da Planície de Nínive, foi registrado um caso de violência. Uma cristã idosa e sua filha foram agredidas por homens armados que invadiram sua casa.

A violência, em particular a sectária, atormentava o país mesmo antes da chegada do Estado Islâmico, em 2014.

Atualmente, as milícias apoiadas pelo Irã estão entre os que patrulham as ruas e muitas vezes controlam a cidade toda. Elas são conhecidas como Forças de Mobilização Popular.

A presença dessas milícias é uma das razões pela qual a população que fugiu ainda não está preparada para voltar. Já fazem cinco anos que a população fugiu de Mossul e da Planície de Nínive.

Segundo Dindar Zebari, coordenador da ajuda internacional do Governo Regional do Curdistão, 85% dos que fugiram temem voltar ao país.

Leia também: A dor da perseguição imposta aos cristãos

Outra mudança significativa é a demográfica. A cidade de Bartella, por exemplo, chegou a ser predominantemente siríaco cristã, porém, agora é de maioria muçulmana xiita.

“A chegada do grupo sunita Estado Islâmico, em 2014, levou toda a população de siríacos e shabak (um grande grupo étnico xiita) a fugir para salvar suas vidas. Desde a derrota do Estado Islâmico, apenas algumas centenas de famílias cristãs voltaram e estão em muito menor número do que os regressos shabak”, explicou Henriette Kats, analista da unidade de pesquisa da Portas Abertas.

“Os shabak dominam as milícias xiitas que agora atuam como policiais e controlam várias barreiras nas ruas. Cristãos em Bartella agora relatam temer por sua segurança, em meio a relatos de assédio – incluindo sexual de mulheres cristãs – e intimidação”, diz.

Segundo Henriette, a ameaça é séria: “Cristãos locais experimentam isso como a próxima ameaça após a saída do Estado Islâmico. Os que voltaram após a saída do EI agora deixam a área novamente para retornar ao Curdistão iraquiano e chegando até mesmo a deixar o país por causa desta milícia. Se a situação não mudar, mais cristãos podem partir”.

Reconstrução do Iraque

A Portas Abertas, por meio de parceiros, sempre esteve presente, mostrando seu apoio aos cristãos iraquianos. Agora, alguns deles já voltaram para suas cidades, no entanto, ainda há muito a fazer.

A Portas Abertas busca a colaboração e doações de parceiros para possibilitar a reconstrução de casas e igrejas no país.

Adaptado com informações da Portas Abertas.

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