Meninas sequestradas na Nigéria: prática comum na África e Oriente Médio

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Meninas sequestradas na Nigéria: prática comum na África e Oriente Médio

O retrocesso de alguns países no tratamento à mulher além de provocar alta mortalidade entre o gênero

Por Jussara Teixeira

A foto divulgada pelo grupo extremista Boko Haram, com cerca de 200 meninas cobertas por um véu negro e esperando para serem vendidas para homens dispostos a pagarem por uma “esposa/escrava sexual” rodou o mundo e provocou muita consternação em países ocidentais. Mas o que parece ser uma cena de terror nunca antes vista, capaz de chocar a ponto de desencadear uma campanha mundial em favor da libertação das jovens, infelizmente não é um fato raro em alguns países africanos e do Oriente Médio.

Casamentos forçados após o sequestro são praticados frequentemente no Quirquistão, por exemplo. A estatística é de que a violência atinja de uma em cada três mulheres no país.

Apesar de haver uma lei local contra casamentos forçados, nos últimos 20 anos apenas dois captores foram condenados.

Segundo o jornal O Globo, um caso recente resultou na condenação de um homem de 30 anos que havia estuprado um jovem de 17anos, além de sequestra-la por três vezes. Ele manteve a vítima sob cárcere por várias semanas, com a colaboração da família da jovem. A prática costuma ocorrer como argumento de que o casamento foi consumado.

O fato revela um traço cultural relacionado ao problema econômico das famílias. A pobreza é um dos principais fatores de incentivo do casamento de crianças, frequentemente vendidas pela família em troca de dinheiro ou bens.

Segundo dados da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), mais de 100 milhões de meninas na próxima década poderão ser vítimas de casamentos forçados. Estas menores de idade têm toda a existência comprometida, ficando à mercê do abuso sexual e da escravidão doméstica.

Atraso econômico e social

Na África Subsaariana, a taxa de meninas casadas chega a 39%. Nos países em que o casamento infantil ocorre, uma em cada sete mulheres se casa antes dos 15 anos. O resultado é atraso social, político e econômico.

O retrocesso de alguns países no tratamento à mulher além de provocar alta mortalidade entre o gênero, afeta fortemente seu aspecto psicológico e físico, já que são vítimas preferenciais da violência.

Isso se reflete em alta mortalidade infantil e materna, disseminação de doenças sexualmente transmissíveis e não universalidade da educação. Tais práticas são vistas como fortes barreiras para o progresso desses países, todos em fase de desenvolvimento.

Em tempo: Quase dois meses depois do sequestro, as famílias continuam sem notícias das adolescentes. Cerca de 57 estudantes conseguiram fugir do cativeiro, enquanto 219 permanecem reféns. Enquanto o mundo inteiro se mobiliza para pedir sua libertação, o exército nigeriano, que tem o apoio dos Estados Unidos e Reino Unido tem sido criticado pela falta de resultados na operação de resgate das meninas. Elas se encontram em local não divulgado pelo governo local. 

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