24.4 C
Vila Velha

Meninas do Chibok: Seis anos de incertezas

EM FOCO

Portas Abertas
Portas Abertas
A serviço da Igreja Perseguida, PORTAS ABERTAS é uma organização internacional que serve cristãos em lugares hostis ao evangelho. Está presente em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Pais das meninas sequestradas esperam volta das filhas, enquanto Boko Haram continua sequestrando meninas e mulheres na Nigéria

O dia 14 de abril marca seis anos desde que o Boko Haram atacou a escola secundária de meninas em Chibok, vilarejo no estado de Borno, Nordeste da Nigéria, e sequestrou 275 meninas – a maior parte delas cristãs. Dessas, 107 foram libertadas ou escaparam de alguma forma. A maioria das meninas que foram soltas estão estudando na New Foundation School, que é um programa de preparação para o Ensino Superior da Universidade Americana da Nigéria, em Yola, no estado de Adamawa. Ali elas vivem em um regime estritamente controlado e dão continuidade aos estudos; além disso, têm acompanhamento para se recuperarem do trauma. Outras dez meninas que conseguiram escapar durante ou logo após o ataque foram estudar nos Estados Unidos.

Hoje, 112 permanecem em cativeiro. Não se sabe ao certo onde elas estão. Ao longo dos anos, a Portas Abertas tem oferecido apoio emocional e prático a várias sobreviventes dos sequestros do Boko Haram, bem como aos pais das meninas ainda em cativeiro. Como Yana Gana, mãe de uma das meninas sequestradas, a maioria dos pais dizem que mantêm a esperança de ver o retorno seguro das filhas. Seis anos é muito tempo, mas para Yana, é como se tivesse sido ontem que ela viu a filha, Rifkatu, pela última vez.

Ela compartilha: “É um fardo pesado de carregar. Quando ela foi sequestrada, o riso cessou em minha casa. Todo mundo estava cheio de dor, principalmente eu, que dei à luz a ela. Mesmo depois de dez anos, nunca vou perder a esperança de que Rifkatu volte, porque ela foi sequestrada viva. Se eles a matarem e me mostrarem o corpo, então vou parar de esperar que ela volte. Até lá, esperaremos, não importa quanto tempo leve. Eu acredito que Deus fará um milagre e as meninas serão libertadas. Porque esta batalha não é contra a carne, somente Deus pode combatê-la. Só ele pode fazer um caminho onde não há para que ela volte”.

Leia também: Adolescente cristã sequestrada volta para sua família

A vida no cativeiro

Segundo Patience*, uma colaboradora que trabalha no aconselhamento pós-trauma de tantas mulheres que foram mantidas reféns pelo Boko Haram na Nigéria, baseada em sua experiência e nas confissões que ouviu dessas mulheres, os campos onde as reféns são mantidas são salas lotadas, sem janelas, sem ventilação. É uma prisão para aquelas que se recusam a se converter ao islã. Algumas são obrigadas a trabalhar como escravas e, se adoecem, não recebem medicação.

Muitas delas ficam lá por anos e vivem sob constante medo de serem agredidas, violentadas ou mesmo mortas. Para aumentar a humilhação, os captores muitas vezes as despem e as abusam sexualmente na frente das outras. É por causa dessas condições que muitas delas acabam cedendo e se convertendo ao islã, para tentar obter mínimos privilégios e assim poderem sobreviver.

A vida pós-cativeiro

Quando conseguem escapar, muitas dessas mulheres têm que lidar com a rejeição da família e comunidade, pois somente poucos as tratam com compaixão. Eles simplesmente não querem ouvir o que elas têm a dizer e, finalmente, elas se retiram e ficam em silêncio. Muitas consideram o suicídio. Como parte da cultura, se algo doloroso acontece com uma pessoa, ela carrega vergonha. Não é apenas uma vergonha pelo sequestro, mas se sentem envergonhadas por se converterem ao islã, serem abusadas sexualmente e pelos bebês que têm. Os filhos são a evidência do que lhes aconteceu.

Patience observa que os pais querem as filhinhas deles de volta, mas quando elas voltam, já cresceram, se tornaram mulheres e voltam com filhos. “É uma pessoa completamente diferente daquela que foi levada de você um dia”, esclarece a conselheira. Ela explica que parte de seu trabalho é fazer as mulheres se sentirem seguras e valorizadas. “Elas precisam experimentar o amor e cuidado de Deus por meio do trabalho que fazemos, mesmo que o mundo não as ame nem se importe com elas”, finaliza.

Chibok não é o único caso de sequestro

Mas a história das meninas de Chibok está longe de ser única. Adolescentes no norte da Nigéria são regularmente sequestradas e convertidas e casadas à força, segundo a Fundação Cristã Hausa. A agência informou que conseguiu negociar a libertação de pelo menos 12 meninas entre setembro de 2016 e julho de 2018.

Um relatório publicado em 2014 sugere que, para movimentos islâmicos como o Boko Haram, faz sentido estratégico visar mulheres e meninas, pois elas são vistas como fundamentais na passagem de valores e crenças para as crianças.

Os ataques, sequestros e abusos não começaram nem terminaram com o incidente de Chibok. Eles continuam, e ainda escravizam incontáveis vítimas. Pessoas como Ruth*, cujo nome não chegará às manchetes das notícias internacionais e cuja história permanece não contada. (Conheça a história de Ruth hoje às 12h).

Ajude a curar traumas

Um dos projetos da Portas Abertas dá suporte a mulheres vítimas de ataques do Boko Haram, ou que tiveram seus maridos mortos ou que foram sequestradas e libertadas. Para saber mais esse projeto, acesse a Campanha Aconselhamento Pós-Trauma para Mulheres.

*Nome alterado por segurança.


Colabore com o trabalho do portal Seara News, contamos com seu apoio para ampliar e fortalecer nossa atuação, acesse agora apoia.se/searanews e faça sua doação.
Seara News 25 anos

DEIXE UM COMENTÁRIO ABAIXO
Siga Seara News no Twitter, no Facebook e Instagram
“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”
- Publicidade -

LEIA MAIS...

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

LEIA TAMBÉM

ESTUDOS E DEVOCIONAIS

- Publicidade -
Rádio Seara News
- Publicidade -
Suprema Contabilidade
- Publicidade -spot_img