Lista da Morte!

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Lista da Morte!
Arya Stark

 

[ Atenção: o texto a seguir contém spoilers do décimo episódio da sexta temporada de Game of Thrones ]

por Daniel Buanaher

No domingo passado (26 de junho) a HBO transmitiu o último episódio da sua mais aclamada série, Game of Thrones. A série é inspirada nos livros de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo.

Tanto na série como nos livros, Arya Stark é uma das personagens que tomou forma e destaque ao longo dos anos, e atualmente, ela é o tipo de pessoa que não se deve cruzar o caminho à toa. Isso veio à tona, principalmente, pela sua famosa “lista de vingança”, onde constam os nomes de todos que ela odeia e quer matar por terem feito mal à sua família e amigos. Para quem assiste o seriado sabe que a obsessão por vingança faz a garota Stark recitar todos os nomes da sua lista à noite, antes de dormir. Curioso, não é? E não é que com o passar dos anos Arya está eliminando um a um os seus inimigos.

Inclusive, no episódio 10, para saciar a sua sede por vingança, finalmente, a garota Stark cumpre um dos seus principais objetivos. Ela matou à sangue frio Walder Frey e os seus filhos – que faziam parte da sua lista da morte – por terem matado seu irmão mais velho, Robb Stark, e sua mãe, Catelyn Stark, no Casamento Vermelho.

Agora, se possível, permita-me fazer-lhe algumas perguntas. Você é o tipo de pessoa que guarda ou já guardou uma “listinha”? Há na sua vida aquelas coisas inesquecíveis que pessoas fizeram a você? Quando alguém lhe faz algum mal, você permite que Deus apague essa ofensa? Ou se agarra a um ressentimento, acrescenta o nome da pessoa secretamente à sua lista e espera pela oportunidade certa para se vingar?

E quando penso nisso, me lembro de uma das narrativas mais impressionantes que já li; a história José. O adolescente hebreu havia sido vendido para uma caravana de ismaelitas pelos seus próprios irmãos porque ele sonhava demais. Por providência de Deus, José se tornou o administrador da casa de Potifar, o homem para o qual foi vendido pelos Ismaelitas. A história de José é famosa, e sabe-se que o moço acabou no calabouço real por negar ir a cama com a esposa de seu patrão.

Assim como Arya, naquele momento Jose tinha todas as razões para ficar mencionando o nome de todos aqueles que o haviam feito mal. Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom, Gade, Aser, Dã, Naftali, Esposa de Potifar, e copeiro-chefe (por não ter se lembrado dele logo depois que saiu da prisão); essa seria a lista de José.

Mas, diz a Bíblia que José se negou a fazer isso. Ele não guardou ressentimentos, pois essa seria mais uma prisão na vida de José. E por causa do coração reto do moço hebreu, Deus se lembrou dele. Para encurtar a história, José se tornou o segundo homem mais importante de toda uma nação. Ele converteu-se no primeiro-ministro do Egito; depois de Faraó ele era o homem mais importante da nação.

E vejam como as coisas são. Na época houve uma fome que assolou todo o mundo conhecido. Foi então que Jacó decidiu dizer para os filhos “não fiquem aí olhando um ao outro. Vão em busca de comida!”. E já que o único lugar onde existia fartura era o Egito, os irmãos de José se mandaram para lá. Só que eles não podiam sequer imaginar que o irmão que venderam como escravo havia mais de vinte anos era agora Primeiro-ministro do Egito.

O encontro

Tente imaginar a cena:

Os filhos de Israel estavam entre outros que também foram comprar trigo, por causa da fome na terra de Canaã. José era o governador do Egito e era ele que vendia trigo a todo o povo da terra. Por isso, quando os irmãos de José chegaram, curvaram-se diante dele com o rosto em terra. José reconheceu os seus irmãos logo que os viu, mas agiu como se não os conhecesse, e lhes falou asperamente: “De onde vocês vêm?” Responderam eles: “Da terra de Canaã, para comprar comida”.

Gênesis 42.5-7 – Que momento!

Eles estavam prostrados no chão diante de José! Exatamente como José havia sonhado. O ambiente deve ter parecido espantoso para aqueles camponeses de Canaã enquanto se punham diante do primeiro-ministro, um homem de colossal autoridade e riqueza, o qual tinha o poder de vida e morte em suas mãos. Como haviam se passado vários anos desde que José foi banido de Canaã, imagino que quando se levantaram, José olhou cada rosto, observou-os cuidadosamente. Ele deve ter analisado atentamente, estudado os olhos, ouvido enquanto falavam. Não havia dúvidas: aqueles homens eram seus irmãos!

Agora pense comigo. O que impediria se José dissesse “agora é minha vez, seus idiotas. Vou me vingar de tudo o que me fizeram”. Hein? José podia ter feito como Arya Stark faria: cortar a cabeça de todo mundo. Mas não o fez. Sabe por que? Porque ele não deixou que a cede por vingança o consumisse. Ainda pelo contrário, ele os amou. Pode isso? Ele amou seus irmãos depois de tudo que fizeram. Momentos depois, a narrativa conta que ele abraçou seus irmãos chorando.

José não guardava uma lista negra. Parte da razão pela qual sabemos disso é que ele chamou seu filho Manassés, cujo nome significa “Deus me fez esquecer”. Ou seja, cada vez que ele pronunciava o nome de seu filho, era um lembrete da escolha que fizera em não guardar mágoa nem rancor para superar o aguilhão.

Por que José escolhera ser assim? Porque José andava com Deus. Manteve o coração justo diante de Deus. Se Deus decidisse usá-lo novamente um dia, ele se deleitaria em sua graça e livrar-se de todos os sentimentos de mágoa e vingança. Isso até parece conversa de gente mole, mas é o padrão de Deus para as nossas vidas. Ele quer que transbordemos cheiro suave por onde passamos, e não fedor de gente que carregamos em nosso coração amargurado.

Uma palavra amiga

Você ainda vive com uma “lista da morte”? Talvez você tenha razões suficientes de fazê-lo, mas escolha viver como José. Talvez você ainda não tenha notado o quanto Deus tem usado as circunstâncias para reorganizar e restaurar a sua vida. Não tenha percebido que Deus te dá oportunidades de livrar-se desse peso enfadonho, que é viver com um monte de gente atrapalhando o seu bem-estar.

As pessoas que mantém listas negras tendem a se mostrar insensíveis em relação a Deus. Permitem que seu coração continue endurecido, calejado. Alguém já disse, e eu concordo, que “guardar rancor é como tomar um copo de veneno e esperar que a outra pessoa morra”. Que maneira terrível de viver, e morrer?

Se isto acontece com você, lembre-se que Jesus removeu de uma vez por todos nossos nomes da lista da morte. Embora merecêssemos a morte, ele nos deu vida abundante. E uma das formas de sermos gratos a Ele por tudo isso, é fazendo o mesmo com os outros; perdoando as ofensas daqueles que causam mal a nós.

Que Deus nos ajude a vivermos uma vida que o agrade, uma vida de gratidão e uma vida contagiosa. E que o seu Espírito Santo possa nos ajudar a remover qualquer listinha das nossas vidas. Amém!

Daniel Buanaher,
São Paulo-SP, 04 de julho de 2016

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