Líderes, guardem o ministério!
A expressão “Arão e seus filhos” evidencia que nem todos são chamados para exercer o ministério. | Foto: Reprodução

A pessoa chamada para exercer a liderança na Obra de Deus deve ter dentre outras coisas: consciência e convicção.

Silvio Martins

Quero neste momento fundamentar na estruturação deste material o texto bíblico que se encontra em Números 3.10 o qual diz: “Mas a Arão e a seus filhos ordenarás que guardem o seu sacerdócio…”. Ao lê-lo fiquei tocado em preparar uma mensagem para nossa edificação espiritual mesmo sendo ciente que os verdadeiros líderes são a todo instante atacados em várias áreas e por qualquer um. Sei que de alguma maneira poderá também colaborar este artigo com os mais novos e com os aspirantes à liderança da igreja. Minha intenção é expor a importância de mantermos a guarda constante do ministério dado pelo Senhor.

Diante disto, quero deixar aqui algumas traduções bíblicas para iluminação melhor do nosso entendimento sobre o texto mencionado, a saber:

a) NTLH – “Mas você ordenará a Arão e aos seus descendentes que cuidem somente dos seus serviços como sacerdotes…”;
b) A21 – “Mas ordenarás a Arão e a seus filhos que desempenhem seu sacerdócio…”;
c) ARA – “Mas a Arão e a seus filhos ordenarás que se dediquem só ao seu sacerdócio…”;
d) NBV – “Mas só Arão e os seus filhos cuidarão do sacerdócio…”;
e) NVI – Encarregue Arão e os seus filhos de cuidar do sacerdócio…”;
f) TB – Designarás a Arão e a seus filhos, os quais guardarão o seu sacerdócio…”;
g) NVT – Encarregue Arão e seus filhos de realizarem as funções do serviço sacerdotal…”.

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Atentemos para alguns termos nestas traduções citadas como:

  • “ordenarás”,
  • “encarregue”,
  • “designarás”,
  • “desempenhem”,
  • “que cuidem somente”,
  • “se dediquem só”,
  • “cuidarão”,
  • “guardarão”,
  • “realizarem”.

Isto consequentemente demonstra o grau da importância que é ser um líder designado por Deus com a finalidade de contribuir no desenvolvimento do povo escolhido por Deus cumprindo fiel e lealmente o seu ofício ministerial.

Orientação de Deus

Vemos neste texto que o Senhor determina a Moisés instruir a Arão e seus filhos. Não é bom um candidato ou alguém que já esteja caminhando na liderança rejeitar orientações oriundas de Deus por meio da Santa Palavra vinda da parte de seu superior. Consequentemente, pensamos quais instruções podem surgir do superior para o liderado e nesta entrelinha coloco aqui algumas delas, a saber:

a) cuidar do estado do povo (Fp 2.20);
b) portar-se dignamente segundo o Evangelho (Fp 1.27);
c) ser imitador da vida exemplar (Fp 3.17);
d) viver o que aprendeu (Fp 4.9);
e) não se mover da esperança do Evangelho (Cl 1.23);
f) não ser enganado com palavras persuasivas (Cl 2.4);
g) suportar e perdoar (Cl 3.13);
h) ter uma palavra agradável (Cl 4.6);
i) esperar a volta de Jesus (1 Ts 1.10);
k) não buscar glória humana (1 Ts 2.6);
l) ser santo (1 Ts 3.13);
m) andar honestamente (1 Ts 4.12);
n) reconhecer os que trabalham no Senhor (1 Ts 5.12); etc.

Sabemos com certeza que um bom líder se dedica a contribuir com o desenvolvimento de seus liderados e para isto voltaremos nosso olhar ainda para alguns textos sagrados ofertando-nos declarações sobre a instrução. Vejamos então:

a) a instrução pode ser desvalorizada pelos insensatos (Pv 1.7: “…os loucos desprezam a sabedoria e a instrução);
b) a instrução deve ser ouvida (Pv 1.8: “Filho meu, ouve a instrução de teu pai…”);
c) a instrução deve ser ofertada (Pv 9.9: Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio…”);
d) a instrução pode ser amada (Pv 12.1: O QUE ama a instrução ama o conhecimento…”);
e) a instrução tende a ser atendida (Pv 13.1: O FILHO sábio atende à instrução do pai…”);
f) a instrução pode ser rejeitada (Pv 13.18: Pobreza e afronta virão ao que rejeita a instrução…”).

Nem todos são chamados para o ministério

Vemos a expressão “Arão e seus filhos” deixando evidenciado que nem todos são chamados para exercer o ministério, mas, também quero salientar que isto em sentido aplicativo serve também para qualquer liderança na Casa de Deus, pois não são todos que são convocados para exercer algum trabalho na Casa de Deus. Temos como o texto áureo para a liderança o que está em Hebreus 5:4 que diz: “E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão”.

Com isto, deve-se ter em mente que a pessoa chamada para exercer a liderança na Obra de Deus deve ter dentre outras coisas: consciência e convicção. Quando lemos os escritos paulino percebemos que ele tinha os dois elementos citados. Eles são fundamentais para ajudar o líder a vencer os obstáculos e as dificuldades na labuta do trabalho exercido na Casa de Deus.

A conscientização e a convicção nos fazem entender que a nossa capacidade de exercer o ministério provém do Senhor Deus, Dono da Obra. Entendemos ainda que os filhos de Arão deviam ter uma vida física sadia representando para a dispensação da graça que os chamados para fazer a Obra de Deus precisariam ter uma vida cristã sadia com a finalidade de guiar o povo de Deus a andar em verdade e retidão diante de Deus e dos homens.

Temos visto pessoas que não foram chamadas por Deus e consequentemente por motivos variados serem colocadas em algumas atividades na Obra de Deus, “simplesmente” por questões de serem portadoras de um dízimo alto (toda regra tem exceção), por fazerem parte de “família nobre”, por amizade bajulatória, por ter apadrinhamento ministerial, por ter uma boa oratória e a lista cresceria muito se fôssemos pontuar neste material. Isto na verdade, só traz danos irreparáveis no meio do povo de Deus. Como exemplo aplicamos a declaração de Pedro a Elimas, o mágico: “Você não tem parte nem direito algum neste ministério, porque o seu coração não é reto diante de Deus” (Atos 8.21).

Guardar o Sacerdócio

E finalmente, a declaração “guardem o seu sacerdócio”. Sabemos que o vocábulo guardar vem do francês antigo GARDER, “tomar conta, vigiar”, do Frâncico WARDON, “guardar, cuidar”. Sendo que daí veio o substantivo “guarda”. Entendo nesta expressão que está incluso um sentido duplo harmônico e perfeito que procurarei explicar.

O primeiro sentido está no vocábulo “guardem”. Isto indica que a pluralidade dos líderes deve permanecer voltada para a vigilância daquilo que foi dado pelo Senhor na instrumentalidade do líder “Moisés”. A unidade pluralizada na preservação da guarda do ministério dado pelo Senhor deve guiar uma constante dedicação na prática dos chamados. É como se fosse a expressão de Dartagnan e os três mosquiteiros: “Um por todos e todos por um”. Todos devem zelar pelo ministério. Todos devem primar pelo bom nome! Todos devem levar a sério a vida ministerial. Todos precisam honrar o ministério de maneira que não seja ridicularizado. Todos devem se empenhar a inspirar em outros o desejo de ser um bom Obreiro do Senhor. Todos devem buscar a vigilância pelo bem do Santo Ministério. Não se pode ter em mente que um ou outro não queira guardar aquilo que o Senhor lhe deu. É inaceitável!

O segundo sentido está nos termos “o seu sacerdócio”. Aqui compreende-se completamente que existe a individualidade daqueles que são chamados para a Obra do Senhor. Atentemos que precisamos neste particular olhar com carinho para o nosso ministério de tal maneira que não seja censurado como contemplamos em 2 Coríntios 6.3 que diz: “Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado”. Será que já nos interessamos em procurar saber o que ter um ministério censurado? O que será que vem agora em tua mente como exemplo de um ministério censurado? Aqui também quero deixar algumas traduções bíblicas sobre a expressão “para que o nosso ministério não seja censurado” para que o nosso entendimento seja ampliado na compreensão do mesmo, a saber:

a) A21: “…para que o nosso ministério não seja achado em falta”;
b) NVI: “…para que o nosso ministério não caia em descrédito”;
c) NVT: “…nem tenha motivo para criticar nosso ministério”.

As Escrituras Sagradas porquanto falam do início do Ministério de Jesus (Lc 3.23: “Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério), e de João, o Batista (Jo 10.40: “Então Jesus atravessou novamente o Jordão e foi para o lugar onde João batizava nos primeiros dias do seu ministério). Inquestionavelmente perguntamos: Será que podemos fazer uma auto análise de quando começamos o nosso ministério e como foi que tudo iniciou? E aí pensamos a maneira de como nos comportávamos, a obra que realizávamos, a maneira de como tratávamos os irmãos, a seriedade de como agíamos no ministério. Bem verdade é, que devemos continuar da mesma maneira correta de quando iniciamos o ministério. Não podemos deixar que ninguém ou algo nos impeça de correr a nossa corrida sadia no Santo Ministério.

Inegavelmente devemos tomar conta do nosso ministério pelas seguintes razões:

a) pelo que Deus tem feito através de nosso ministério (“Paulo os saudou e relatou minuciosamente o que Deus havia feito entre os gentios por meio do seu ministério, Atos 21.19);

b) porque trabalhamos para ter um ministério glorificado (“Estou falando a vocês, gentios. Visto que sou apóstolo para os gentios, exalto o meu ministério, Romanos 11.13);

c) porque Deus entregou um ministério diferenciado (“Afinal de contas, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos por meio dos quais vocês vieram a crer, conforme o ministério que o Senhor atribuiu a cada um, 1 Coríntios 3.5);

d) por termos resultados do nosso ministério (“Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos”, 2 Coríntios 3.3);

e) porque temos um ministério de reconciliação (“Portanto, visto que temos este ministério pela misericórdia que nos foi dada, não desanimamos”, 2 Coríntios 4.1);

f) porque temos que terminar e completar o ministério confiado pelo Senhor (“Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus”, Atos 20.24;

g) porque precisamos cuidar em cumprir o ministério que recebemos do Senhor (“Digam a Arquipo: Cuide em cumprir o ministério que você recebeu no Senhor”, Colossenses 4.17);

h) por termos sido considerados fiéis e designado ao ministério (“Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me deu forças e me considerou fiel, designando-me para o ministério, 1 Timóteo 1.12).

Consequentemente vemos que devemos guardar o nosso ministério, ou seja, cuidar somente dele, ou ainda, se dedicar apenas a ele desempenhando com ajuda de Deus um ministério excelente! Deus nos ajude!


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