Libertos do Pecado para uma Nova Vida em Cristo
Capa da Lição – Libertos do Pecado para uma Nova Vida em Cristo | Foto: Reprodução

Escola Dominical – Comentário de apoio da Lição 5, do 2º trimestre de 2020 – Libertos do Pecado para uma Nova Vida em Cristo.

Por Aniel Ventura

Os crentes salvos são libertos do pecado e colocado sob o prisma de uma nova vida, esse fato levou Paulo a exortar os seus ouvintes a fazer uma reflexão.

Assim como noutro tempo eles serviam à impureza, hoje servem à justiça, pois a vida fora de Cristo caracteriza-se por um ciclo constante de maldade e desespero. Este é um trágico resultado daqueles que rejeitam a revelação de Deus.

No entanto a graça veio e mudou a história, pois na esfera da graça, a vida consiste numa progressão de santidade e fidelidade a Deus (Fp 1.6).

I – A antiga natureza morta em ofensas e pecados

Paulo mostra em “Efésios 2”, cinco características dos seres humanos sem a regeneração em Cristo.

1) morte es­piritual (2.1). Este é um estado de separação de Deus, criado pelas “ofensas e pecados”. Na frase “estando vós”, (2.1) Paulo refere-se aos leitores gentios, mas quando diz “todos nós” (2.3), inclui ele mesmo e os demais judeus.

2) Aqueles que estão longe de Cristo seguem “o curso deste mundo” (2.2). Essa é uma referência à maneira, caráter e influência da humanidade não regenerada durante a presente era de pecado (Gl 1.4; 1 Jo 2.15-17).

3) A humanidade não regenerada está sob o domínio do “príncipe das potestades do ar” (2.2b). Este príncipe é Satanás, que por usurpação, reina como o deus deste mundo na atmosfera da terra, no espaço sideral (2 Co 4.4).

4) Pessoas sem Cristo, indistintamente têm uma propensão a andar nos desejos da carne, fazendo a vontade carne (ou seja natureza pecaminosa) e dos pensamentos (2.3).

5) Todas as pessoas sem Cristo são “por na­tureza, filhos da ira” (2.3d). Esta condição existe porque através de Adão “o pecado veio ao mundo” (Rm 5.12) e to­dos os seus descendentes herdaram, consequentemente, a natureza pecadora, isto é, a propensão ao pecado, transformando-se em transgressores passível de punição (3.9,10,23).

A expressão “ofensas e pecados” (2.1) descrevem o horizonte da morte para o pecador. A Palavra “ofensas” (gr.παράπτωματα, paraptomata) refere-se a tropeçar no pecado, o que é universalmente verdadeiro para toda a humanidade pelo fato de ser descendente de Adão.

“Pecados” (gr. αμαρτίαi, hamartiai) é uma palavra mais comum no Novo Testamento e está relacionada a “pecar como um hábito” ou ao “pecado como um poder” (gr.παράπτωματα), sob a imagem de ‘queda’, pode levar consigo uma alusão aos desejos da carne… enquanto (gr. αμαρτίαi), sob a imagem de ‘errar o alvo’, pode designar mais os desejos da mente, os pecados de pensamentos e de ideias, de propósitos e inclinações.

II – Vivificados pela graça

Três palavras importantes e fundamentais no evangelho: “salvação”, “graça”e “fé”.

1) Salvação (gr. σωτηρία, soteria). “Livramento ou libertação”, uma palavra bastante abrangente, que envolve mais do que absol­vição ou perdão. Paulo usa essa palavra para se referir à libertação da morte pelo pecado (2.1), pelo curso deste mundo (2.2), pelo domínio de Satanás (2.2) e pela ira de Deus (2.3).

2) Graça (gr. χάρις, charis). É a iniciativa mi­sericordiosa e amorosa que Deus nos oferece para proporcionar a salvação através de Cristo, como uma dádiva gratuita.

3) Fé (gr. πίστις, pistis) representa nossa resposta à graça de Deus, uma resposta que foi possível pela graça, o meio em que recebemos a dádiva gratuita de Deus, que é a salvação em Cristo. Fé significa crer firmemente e confiar humildemente em Cristo como nosso Redentor e Libertador (Hb 11.1-6).

Nossa salvação vem exclusivamente da graça de Deus. Ela foi reservada para esse fim por meio da fé de cada um de nós (Tt 2.11). Paulo é incisivo ao afirmar que absolutamente nada é de nossa autoria – nem a salvação, nem a graça, nem mesmo a fé exercida para receber a salvação. Pelo contrário, tudo é uma oferta de Deus. A salvação não vem da autoconfiança ou individualismo, mas da iniciativa de Deus. É um presente para ser aceito com gratidão (Rm 10.17; I Co I.29-3I; Cl 2.16).

Em Efésios 2.12.13, Paulo fez uma descrição ponderada da triste condição dos não-judeus, ressaltando que eles não tinham esperança, pois Deus não havia lhes estendido a mão para estabelecer uma relação fundamentada em uma aliança. No entanto, o sangue de Jesus Cristo po­de trazê-los de volta ao seu Criador, através da aliança inaugurada na cruz, recebendo a promessa de estar ao seu lado, no céu (Ap 3.21).

III – A salvação não vem das obras

A salvação de Deus é proporcionada a todas as pessoas indistintamente. Deus, através da sua graça, enviou Cristo à terra; por essa causa, a salvação está disponível a todos os homens. A graça de Deus manifestou-se em Cristo, referência à sua encarnação (Tt 2.11-13). Esta mensagem chegou a ilha de Creta com Paulo e Tito, o que nós mal conseguimos imaginar o seu impacto! Os que respondem positivamente à graça de Deus são transformados; os que rejeitam a mensagem, sofrerão consequências funestas (Mc 16.16).

As palavras de Paulo não deixam dúvidas – se a salvação é pela graça de Deus e é aceita através da fé, então “não é uma recompensa”. Se a salvação pudesse ser conseguida através de boas obras, as pessoas, “se envaideceriam” comparando a boa qualidade das suas obras, com a dos demais. A salvação não é algo meritório, e sim um dom de Deus, o que consequentemente leva o cristão à prática de boas obras.

Porém ninguém jamais pode ser bom o suficiente para agradar a um Deus santo. Todo esforço e orgulho humano é posto de lado ao oferecer gratuitamente a salvação a todos. Enfim a salvação é dada às pessoas com base somente na graça e favor de Deus (Ef 2.8,9).

Conclusão

Podemos concluir que a graça de Deus realmente realiza algo surpreendente, transformando homens ímpios em santos, e puderam alcançaram um nível de relacionamento com Deus jamais alcançado pelo antigo povo. Ter o Espírito Santo habitando em nosso interior é o privilégio proposto pela graça. E não somente isso, mas nos tornamos coerdeiros de Cristo e membros do seu corpo (Ef 3.6). Tudo por conta da graça de Deus.

Bibliografia
– O Novo Comentário Bíblico N.T. – Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H

– Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento – CPAD
– Comentário Bíblico N.T. Aplicação Pessoal – Vol. 2 – CPAD
– Dicionário Bíblico Wycliffe – Charles F. Pfeiffer
– Maravilhosa Graça – José Gonçalves – 2016 – CPAD

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