Laços profundos de amizade são necessários nos dias de hoje
Nós não nascemos para estar sozinhos. | Foto: Maike und Björn Bröskamp por Pixabay

Numa “geração de copos descartáveis” é necessário rever as bases da nossa civilização.

Tarsis Bendo

Nós não nascemos para estar sozinhos. Desde o Éden, Deus deixou muito bem claro que não é bom que o ser humano estivesse só (Gn 2.18). Logicamente que ao interpretarmos esta passagem de forma literal veremos que Deus está abençoando a humanidade com o rito do casamento, e sucessivamente, criando a instituição mais importante da sociedade: a família. Contudo, se interpretarmos a mesma passagem bíblica do ponto de vista tropológico, isto é, moral e aplicável ao cotidiano, observaremos que é da vontade de Deus que nós nos relacionemos, criemos laços profundos de amizade e lealdade ao longo da vida.

Quando leio que Deus disse que “não é bom que o homem esteja só”, compreendo que esta afirmação nasce de uma observação divina sobre a condição do homem e a ausência daquilo que é bom em seu ser. Ou seja, para que o ser humano conheça a bondade, ele não pode permanecer sozinho, pois os atos de bondade nascem de relacionamentos interpessoais. Darei três exemplos.

A amizade entre Jônatas e Davi

O primeiro exemplo está em 1 Samuel 20.11-43, que narra a história da amizade de Jônatas com Davi. Jônatas, filho do rei Saul, cria um laço de amizade grandioso com Davi, ao ponto de proteger o amigo da ameaça de seu pai. Mais tarde, Davi retribui os atos de bondade de Jônatas, devolvendo todas as terras da família de Saul a Mefibosete, filho de Jônatas.

A amizade entre Felipe e Natanael

O segundo exemplo encontra-se em João 1.43-51, onde Filipe, reconhecendo que o Messias Prometido havia chegado, correu até ao seu amigo Natanael e lhe avisou sobre a existência de Cristo. Essa atitude demonstra a compaixão que existe na amizade. Aquele sentimento autêntico de compartilhar a Verdade e aquilo que é Bom para as pessoas mais próximas de nós. Na era em que vivemos, onde compartilhar tudo é uma regra social, devemos examinar bem o que é que estamos passando adiante. É sempre bom refletir se aquilo que compartilhamos estará fazendo bem ao próximo, ou seja minimamente edificante para todos. Na dúvida, faça como Filipe: compartilhe Jesus.

A amizade entre Bassânio e Antônio

Este último exemplo é uma obra de Shakespeare chamado “O mercador de Veneza”, onde Antônio pede um empréstimo para Shylock, a fim de ajudar Bassânio, seu amigo, colocando consequentemente a sua pele em perigo. Não entrarei em aspectos mais complexos e específicos da peça, mas o que posso dizer é que: Bassânio escolhe adiar o seu casamento a fim de salvar a vida de seu amigo. Julgo que o seguinte trecho resume melhor a amizade que Bassânio tinha com Antônio: “o meu melhor amigo e o mais nobre dos homens, o mais generoso espírito. O mais cortês, em que podemos ver – mais do que em qualquer outro, nesta Itália – a honra dos romanos de outro tempo”. Nisto se resume a amizade: lealdade profunda, compartilhamento do que é bom e a demonstração de uma sincera admiração pelo outro.

Conclusão

Como é difícil enxergar esse tipo de vínculo nesta “geração de copos descartáveis” como a nossa. Numa era em que pessoas são usadas como objetos, casamentos facilmente se desfazem, traições são cada vez mais comuns e valores são relativizados; a geração atual precisa rever as bases da nossa Civilização Ocidental, buscar reforçar e inculcar isso em seus filhos e educá-los para que não sejam niilistas, hedonistas, homens e mulheres vazios de sentido.

Busquemos isso, meus irmãos!

Tarsis Brendo
Formado em Teologia (FUV), co-autor do livreto “A sabedoria como arte diária”. Apreciador da Literatura inglesa e russa. Membro da ADNV. Gosta de ler, ensinar e escrever.

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