Imperador Akihito pede ao Japão para se abrir e reforçar laços com o mundo

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Imperador Akihito pede ao Japão para se abrir e reforçar laços com o mundo
Casal imperial Akihito e Michiko durante cerimônia em Tóquio (Foto: Reuters)

O imperador Akihito deixará o trono em 30 de abril e será sucedido no dia seguinte pelo príncipe herdeiro Naruhito

Tóquio – O imperador do Japão, Akihito, que vai abdicar no final de abril no primeiro acontecimento deste tipo em dois séculos, marcou o 30º aniversário de sua entronização, neste domingo (24), com um pedido para o país se abrir e reforçar os laços com o mundo.

O monarca de 85 anos, que se tornou um símbolo de paz e reconciliação após a morte de seu pai Hirohito, em cujo nome o Japão lutou na Segunda Guerra Mundial, também enfatizou o desejo de seus colegas japoneses pela paz.

“Eu acho que o nosso país está sendo solicitado agora para se abrir mais ao exterior em um mundo globalizado, para estabelecer sua própria posição com sabedoria e construir relações com outros países com sinceridade”, disse Akihito.

Ele deixará o trono em 30 de abril e será sucedido no dia seguinte pelo príncipe herdeiro Naruhito, 59 anos.

A cerimônia deste domingo contou com a presença da imperatriz Michiko, do primeiro-ministro Shinzo Abe e de outras personalidades.

Os laços do Japão com a vizinha China e as duas Coreias foram atormentados pelo amargo legado de guerra e pela colonização da península coreana entre 1910 e 1945.

As relações com Seul, em particular, foram congeladas por disputas sobre memórias de guerra e brigas militares.

O imperador, cujo pai já foi considerado um deus vivo, é definido pela constituição do pós-guerra como um símbolo de unidade, sem poder político, mas é amplamente respeitado.

Akihito, que sempre falou sobre a necessidade de lembrar os horrores da guerra, recordou que após a morte de seu pai em 1989, Michiko escreveu um poema tradicional sobre a paz que dizia: “O país está cheio das palavras de todas as pessoas que esperam construir uma era de paz juntas”.

Akihito acrescentou: “Mas mesmo agora, nós valorizamos em nossos corações as palavras quietas, mas resolutas que nos chegaram de toda a terra, dizendo: ‘Vamos construir um Japão pacífico junto com a Casa Imperial’”.

Alguns especialistas veem o legado de Akihito sob ameaça da agenda conservadora de Abe, à medida que a geração nascida em tempos de guerra se extingue.

Abe relembrou as visitas de Akihito a locais de batalha para orar pela paz e viagens ao exterior e visitas a regiões atingidas por desastres.

“Enquanto gravamos em nossos corações o caminho percorrido pelo imperador, em meio a uma situação internacional turbulenta, estamos decididos a criar um futuro orgulhoso para o Japão, que é brilhante e cheio de esperança”, disse ele.

O príncipe herdeiro Naruhito deixou claro que pretende seguir os passos de seu pai.

A cerimônia de domingo contou com uma canção que o casal imperial compôs após uma visita em 1975 à ilha de Okinawa, no sul do país, devastada durante a guerra e que tem um lugar especial em seus corações.

Akihito disse em um pronunciamento em 2016 que queria abdicar por causa de preocupações sobre sua idade. Neste domingo, lendo suas observações, o imperador deixou as páginas fora de ordem, e Michiko estendeu a mão para ajudá-lo.

Com informações de Alternativa
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