Igreja Perseguida no Egito pode ser Nobel da Paz 2018

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Igreja Perseguida no Egito pode ser Nobel da Paz 2018
Igreja em aldeia egípcia é atacada e fechada / Foto: Portas Abertas

O país ocupa a 17ª posição na Lista Mundial da Perseguição, que classifica os 50 países que mais perseguem cristãos no mundo

Os cristãos do Egito foram nomeados para o Prêmio Nobel da Paz de 2018. Vítimas de severa perseguição, eles são o primeiro grupo etno-religioso a receber a honraria.

Embora o comitê norueguês responsável pelo Nobel não divulgue os nomes dos indicados, organizações em defesa dos coptas estão anunciando a indicação. Cerca de 9,5 milhões de pessoas seguem a religião cristã no país, o que representa 10% da população. Resistentes em retaliar os constantes atos de violência que enfrentam, a minoria cristã recebeu a nomeação para o Nobel da Paz 2018.

Igrejas atacadas e fechadas

A perseguição aos cristãos no país tem se tornado cada ano mais acirrada e de 2011 para cá, da Primavera Árabe, o cristão egípcio tem enfrentado a perseguição em várias esferas de sua vida: social, em família, em comunidade – por parte de vizinhos muçulmanos – e por parte do governo.

Nos últimos anos, as igrejas de aldeias mais distantes de centros comerciais têm sido violentamente atacadas durante seus cultos e fechadas por autoridades, que exigem que essas igrejas sejam legalizadas. A legalização depende do governo que muitas vezes nega a documentação e proíbe a reabertura dos templos. A solução tem sido encontros ao ar livre ou nas casas dos cristãos.

Igreja Perseguida no Egito pode ser Nobel da Paz 2018
Cristãos caminham pelo deserto para fazer cultos / Foto: Portas Abertas

A Portas Abertas, organização que apoia cristãos perseguidos no mundo, tem acompanhado esses cristãos e apoiado essas reuniões e os líderes que têm suas igrejas fechadas.

A equipe da Portas Abertas no Egito conversou com o líder de uma das igrejas no país. Uma aldeia rural do Egito, como qualquer outra: estradas empoeiradas, crianças brincando lá fora, e vacas e ovelhas na rua. Uma igreja também se encaixa nessa imagem. Mas, enquanto as torres das mesquitas desta aldeia que se elevam acima das pequenas casas chamam para a oração diária, os últimos meses têm sido particularmente silenciosos na igreja cristã da aldeia. “A vontade dos muçulmanos locais aqui é mais forte do que a lei do país”, diz o líder cristão da vila em sua casa na periferia da aldeia.

Por causa do problema que a igreja teve com os vizinhos muçulmanos recentemente, ele tem medo de falar abertamente, então prometemos não mencionar seu nome. Sua esposa nos serve almoço, enquanto ele compartilha sobre o quebrantamento entre seu povo sobre o que aconteceu. “Sentimos que não fizemos nada de errado, estávamos apenas orando”, diz ele. “Estamos todos frustrados e indignados, mas não queremos vingança”.

Há alguns meses, os muçulmanos da aldeia descobriram os planos da igreja para legalizar seu prédio que, até então, não existia no papel. Isso pode ter desencadeado o ataque que aconteceu logo depois. “Um grupo de jovens muçulmanos se reuniu em frente à nossa igreja, gritando que eles não queriam ter uma igreja em sua aldeia. Eles quebraram janelas e destruíram algumas das propriedades da igreja”.

A igreja ainda foi forçada a parar todas as atividades em seu prédio até que a parte legal seja finalizada, deixando mais de 500 cristãos sem igreja.

A primeira coisa que você pode dizer é: “Por que eles não vão à igreja na vila vizinha?”, diz o líder. “Para alguns dos aldeões, que têm carro, essa é uma possibilidade. O problema é quando eles não têm um carro: então eles têm que andar uma longa distância no calor escaldante. E quando eles saem da aldeia para ir à igreja, os garotos muçulmanos atiram pedras em nossos filhos, então eles desistem de ir”.

Igreja Perseguida no Egito pode ser Nobel da Paz 2018
Após ser atacada e fechada igreja se reúne ao ar livre / Foto: Portas Abertas

Além dos problemas práticos, você não pode adicionar mais de 500 pessoas a uma igreja existente. A igreja da aldeia vizinha já está lotada durante os principais cultos. Alguns membros pararam de frequentar a igreja completamente, para a preocupação dos líderes. O líder visita os cristãos na aldeia, principalmente os doentes e idosos, com mais frequência do que antes. Ele ora com as pessoas, as ensina. Um movimento corajoso, porque, de acordo com a segurança na aldeia, isso pode aumentar a raiva dos muçulmanos que anteriormente atacaram a igreja.

Mas não é o suficiente. “É impossível que eu visite todos os meus membros. Por isso, incentivo-os a ler a Bíblia e assistir ao ensino e orações no canal cristão. Temo que alguns possam desistam de sua fé, ou simplesmente não recebam a ajuda de que precisam”.

Quando a igreja será reaberta? A legalização pode levar um ano, pode até nunca ser finalizada. O ambiente é tenso e agora também os lares cristãos são atacados. O futuro não é claro para os cristãos desta e muitas outras aldeias em todo o Egito.

Informações da Assessora de Imprensa Portas Abertas

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