Festival Promessas: o importante é que Cristo foi anunciado?

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“Troféu Promessas, entregue a astros gospel: Quem teve o mau gosto de colocar anjos nus, simulando a mesma postura dos querubins da arca do concerto?! Para mim, isso, em si, já é uma profanação”.

Festival Promessas: o importante é que Cristo foi anunciado?

Por Ciro Sanches Zibordi

O leitor deste blog certamente já conhece a minha posição contrária ao evangelho-show. Já escrevi vários artigos sobre o assunto e não vou falar a respeito disso de novo, tampouco sobre o Festival Promessas, da Rede Globo, especificamente, acerca do qual também escrevi bastante, no ano passado.

Neste artigo, o meu objetivo é explicar algumas passagens do Novo Testamento que têm sido mal-interpretadas por alguns fãs de celebridades gospel. Entretanto, antes, gostaria de fazer apenas uma pergunta a respeito do Troféu Promessas, entregue a astros gospel (imagem acima): Quem teve o mau gosto de colocar anjos nus, simulando a mesma postura dos querubins da arca do concerto?! Para mim, isso, em si, já é uma profanação.

Bem, alguns irmãos, ao discordarem das críticas ao Festival Promessas, da Rede Globo, argumentam: “Paulo não disse, em 1 Coríntios 9.22, que usou todos os meios para salvar as pessoas à sua volta?” E outros citam Filipenses 1.15-18, uma passagem pela qual Paulo afirma que o Evangelho deve ser pregado inclusive por discórdia, insinceramente ou por pretexto.

Para responder à segunda argumentação em prol da evangelização sem limites, peço que o leitor tenha em mente a regra de ouro da exegese: a Bíblia explica a própria Bíblia. Ou seja, não devemos ignorar o fato de as Escrituras serem análogas. Temos de levar em consideração o contexto de cada passagem que empregamos.

Por que Paulo disse as aludidas palavras sobre a pregação do Evangelho aos crentes de Filipos, e em que circunstância? Esse apóstolo, que estava preso, referiu-se aos opositores do Evangelho, isto é, os judeus que o acusavam perante os tribunais de Roma.

Mesmo querendo o seu mau, aqueles inimigos de Paulo eram obrigados a dizer que ele estava pregando sobre a morte e a ressurreição do Senhor! Além disso, afirmavam que, segundo Paulo, Jesus estava acima de César. Naquela época, o título de Senhor não implicava apenas senhorio. O imperador romano, como o senhor de Roma, era adorado pela população (menos os cristãos verdadeiros). E os opositores de Paulo afirmavam que Cristo Jesus, como Senhor dos cristãos, era adorado exclusivamente por eles, tomando o lugar de César.

Em outras palavras, os judeus que acusavam Paulo estavam, indiretamente, pregando o Evangelho! Daí a satisfação desse apóstolo com o resultado do seu sofrimento por amor a Cristo. Ou seja, a passagem de Filipenses 1.15-18 não deve ser usada de modo generalizante, para afirmar que os crentes, hoje, podem adotar livremente todos e quaisquer meios para propagar o Evangelho. Afinal, a Palavra de Deus afirma, inclusive, que devemos fugir da aparência do mal (1 Ts 5.22), tendo cuidado com o pecado, mas também com os embaraços (Hb 12.1,2).

Quanto a 1 Coríntios 9.22, é evidente que Paulo se referiu a meios de evangelização que não deponham contra o Evangelho. Ele mesmo disse — antes e depois da passagem em apreço — que nem tudo que é lícito é conveniente ou edificante (1 Co 6.12; 10.23). E também asseverou: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31, ARA).

Finalmente, se todos e quaisquer meios de evangelização pudessem ser empregados, sem nenhum limite, teríamos uma grande contradição! Até um show erótico poderia ser usado para, pretensamente, ganhar almas, desde que Cristo fosse anunciado, não é mesmo?

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Ciro Sanches Zibordi
Casado com Luciana e pai de Júlia. Pastor na Assembleia de Deus da Ilha da Conceição, em Niterói-RJ; pregador do Evangelho, professor de Hermenêutica, Exegese e Teologia Sistemática, autor e articulista. Formação: Teologia (Faculdade Evangélica de São Paulo-SP); Português-Francês (Universidade Federal Fluminense-RJ); Relações Internacionais (Universidade La Salle-RJ). Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e da Casa de Letras Emílio Conde; colunista do CPAD News; articulista do Mensageiro da Paz (CPAD); autor dos livros: Erros que os Pregadores Devem Evitar (bestseller; série de 3 volumes); Procuram-se Pregadores como Paulo; Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria; Erros que os Adoradores Devem Evitar, etc.; coautor de Teologia Sistemática Pentecostal, todos da CPAD. Pastoreou congregações na AD do Ministério do Belém-SP e foi copastor da AD Cordovil-RJ; atuou na CPAD (RJ) como gerente de TI e editor (2001-2008).

3 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom ler um artigo deste teor….parece que ultimamente o show tem que continuar a qualqer preço no meio cristão. Basta olhar no face vc só vê pessoas pastores pregadores tbm anunciando seus cultos e suas pregaçoes como se as mesmas tbm fosse shows. A palvara de Deus já não tem peso..importancia…é o homem que faz milagres, amarra capeta …não se faz um culto pra Deus ser glorificado mas sim pro diabo ser envergonhado…oras..que contradiação o Culto deve ser para DEUS..O ALVO DEVE SER CRISTÃO A VERGONHA DO INIMIGO É CONSEQUENCIA DA HONRA E DA GLORIA….Enfim vejo muito show muita propaganda de si mesmo…basta observar o face e as agendas de homens de Deis.

  2. estou de olhos bem abertos e não me iludo com essas bacatelas que satanás tem dado para alguns, que sem visão de Deus estão se deixando enganar. É oque a bíblia nos adverte que nos últimos dias se possível fosse enganariam até os escolhidos de Deus.

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