Existe pastora na Bíblia?
Mulher lendo a Bíblia | Foto: Freepik

A Bíblia dá exemplo claro de uma mulher exercendo autoridade em outros quesitos como no caso de Débora

Jhones Bazelatto

“Pastora” – Logo de imediato não vemos esse dom ministerial sendo exercido pela mulher nas Escrituras, considerando que o mesmo foi destinado apenas aos homens; porém, isso não significa que a mulher não possa pregar ou ensinar. Vejamos alguns pontos:

1) No tocante a mulher exercer autoridade na Igreja é no quesito de “cargos ministeriais”, como “presbíteras” e “pastoras”, e não no sentido de outras funções como a participação de discursos e ensinos as escrituras.

A Bíblia dá exemplo claro de uma mulher exercendo autoridade em outros quesitos como no caso de Débora, que era Juíza em Israel, exercendo uma função de autoridade sobre todos em um contexto político, moral e criminal (Jz 4).

Quem prega não exerce autoridade de si mesmo pois ele está referindo as escrituras, e ela está acima de tudo e todos. Em Jo 7.24, Jesus diz “julgai segundo a reta justiça de Deus”; será que ele estava se referindo apenas aos homens? – Claro que não! A mulher não está exercendo autoridade sobre o homem e nem o homem sobre a mulher pois os mesmos estão pregando sob a autoridade de Deus.

2) Deus não leva em consideração a distinção de gênero para usar, seja para ensinar ou apregoar. Isto é, se “ensino” for definido como a exposição do conteúdo do evangelho ou como exortações para serem exemplos de fé e obedecidas.

Paulo ordena a congregação a instruir e admoestar uns aos outros, e essa ordenança “uns aos outros” é dada sem nenhuma distinção de gênero (Cl 3.16; Ef 5.19-20; 1 Co 14.28). A admoestação é serviço de todos, independentemente se é mulher ou homem.

3) Não é preciso receber consagração ministerial para exercer o ministério do ensino ou da pregação da Palavra. Os cargos ministeriais são para a edificação e serviço da igreja (Ef 4.11-16).

Uma mulher para ministrar um estudo sistemático e expositivo das Escrituras não precisa de ser consagrada. A ordem imperativa para anunciar o Evangelho é universal, é para todos! (Mc 16.15).

Como no caso de Débora (Jz 4.4), que era uma “profetisa”, nas Escrituras nem sempre o profetizar está correlacionado a um dom de “prever o futuro” ou falar palavras que vinham diretamente de Deus.

O profetizar que Paulo descreve em 1 Co 14 está relacionado com “anunciar a Palavra, como exortação, consolação e edificação. Logo, se completa a sua afirmativa sobre as escrituras (2 Timóteo 3.16).

4) A Bíblia descreve uma mulher ensinando, como no caso de Priscila, que é frequentemente mencionada antes de seu marido Áquila (At 18.18; Rm 16.3; 2 Tm 4.19). Isso não era algo muito comum, visto que normalmente o marido era mencionado antes da esposa.

Provavelmente, Priscila atuava na liderança com seu esposo, caso contrário a bíblia não faria nem menção dela (At 18.1). Além disso, deixou sua contribuição na arte de ensinar do ministério de Apolo: “Quando Priscila e Áquila o ouviram pregar com ousadia na sinagoga, convidaram-no para a sua casa e explicaram-lhe mais exatamente o caminho de Deus” (At 18.26).

5) Mulheres podem atuar perfeitamente no ministério do ensino, sendo obedientes aos pastores. O que o apóstolo Paulo fala nesse texto é porque na cultura judaica a mulher não tinha acesso à escola (1 Tm 2.12), por isso, ele recomenda que elas não falassem considerando que não tinham acesso ao aprendizado escolar. É uma recomendação ao contexto temporal passado. Toda recomendação de Paulo ele utilizava um “respaldo” até mesmo para que fosse aceita mais isso não significa ser doutrina.

6) A respeito de as mulheres ficarem em silêncio (1 Co 14. 34-38), não seria uma proibição para ensinar ou pregar, porque seria contraditório por te concordado de as mulheres profetizarem em público (1 Co 11.5).

No contexto imediato, acontecia uma reunião onde os que profetizavam era colocado em teste, analisando se a profecia tinha ligação com Cristo, os apóstolos e as doutrinas.

A mulher não deveria participar dessa reunião, para não ser passada uma imagem de que pareça que ela tenha exercido alguma autoridade ministerial sobre o homem nesse contexto. Tanto que em 1 Coríntios 14.36,37 o apostolo diz: “Porventura, a palavra de Deus se originou no meio de vós ou veio ela exclusivamente para vós outros? Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo”.

Se o apóstolo Paulo aparece orientando as irmãs a não falarem, é sinal de que elas falavam. E em 1 Coríntios 11 descreve que a mulher profetizava ao público – arte de falar. Portanto, não existe distinção de gênero para pregar ou ensinar a Palavra de Deus, porque ela provém do Senhor.

7) Se transformarmos essa recomendação do apóstolo Paulo em uma doutrina (1Co 14.34-37), logo todas as recomendações que ele fez em determinados lugares específicos devem ser colocadas como “doutrina”, e nesse ponto teremos problemas.

O que o apóstolo Paulo está tratando em suas cartas pastorais são “recomendações” e não doutrinas. Por essa razão, a “cultura judaica”, assim como o “conhecimento historístico”, são de fundamental importância para interpretar certos textos e saber aplicar para os dias de hoje, porque muitas instruções que Paulo e outros apóstolos recomendaram, foi dentro do contexto de seu tempo.

8) Sobre mulheres exercerem liderança na igreja? Liderança não é “dom ministerial”. Liderança é cargo designado a determinada pessoa independente do gênero.

9) Os “dons ministeriais” descritos em Ef 4.10,11, são restritos aos homens, logo não existe “ministério pastoral feminino“. Às vezes ouvimos esses títulos dados à esposa do pastor, porém de forma respeitosa e simbólica, mas a mesma não exerce essa função!


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2 COMENTÁRIOS

  1. O texto oferece boas contribuições de um jovem potencial da Teologia capixaba! Vale a pena ler e sem dúvida, há pontos em que, particularmente, concordo plenamente. Infelizmente, o texto carrega aquela velha leitura machista e “anacrônico-hermenêutica” a respeito do papel da mulher na Igreja, herança da mentalidade evangélica, especialmente da ideia assembleiana de ministério feminino (historicamente machista).

  2. Os comentários de teor crítico e também saudoso, são plenamente aceitos em qualquer “post” expresso em uma plataforma virtual ao público.
    Porém, sobre esse comentário em específico do Roney Ricardo, é interessante fazer algumas ponderações:
    1) Não considero esse comentário de análise crítica devido a seguintes avaliações; não existe abordagem didática ou contextual, não se pode tirar nenhum vestígio de orientação pedagógica, o que transparece ser apenas uma mensagem de ataque, pois, a mesma trás um teor preconceituoso quando se refere a uma “narrativa machista”, diante de uma análise bíblica e especificada de acordo com a narrativa cultural e histórica.
    2) Faz menção de uma denominação de maneira desrespeitosa. Faço parte dela e respeito muito seus dogmas. O mesmo também está inserido na mesma instituição, logo se torna ainda mais incoerente e antiético, “difamar” com essa tonalidade expressiva e preconceituosa, as suas narrativas doutrinárias sobre o assunto.
    Comentários assim, só demonstra o reflexo do liberalismo teológico, sobre um cênico de conservadorismo figurado.

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