“Eu escapei para lhe contar”

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"Eu escapei para lhe contar"
Carol Gimenes

“Eu escapei para lhe contar” (Jó 1.19).

Quinta feira, 28 de agosto de 2014, dia comum…

Dia de rotinas. Acordei, fui à escola; cursava o 1º ano do ensino médio. Saí apressadamente da aula para a cidade vizinha, onde continuava a realizar minhas atividades rotineiras. Estava dedicando-me ao curso que me possibilitaria o primeiro emprego de carteira assinada. Uau!!! 

Após o curso, aproveitei as últimas horas da tarde para fazer uma atividade física.  Ah, que fase maravilhosa!

Não tinha tempo ruim. Não tinha nem resfriado. Não tinha cansaço. Para tudo havia em mim uma disposição enorme.

Mas, a vida é cercada de imprevistos, o dia não terminou como eu esperava.

Foi exatamente o espaço onde realizava a atividade física que se tornou o cenário de uma grande batalha. 

Após realizar um exercício, me senti mal. Muito mal. Minha pulsação foi diminuindo, vi tudo escurecer, que fraqueza! Acionei o professor que ligou para o hospital. Eu não reagia. A barriga inchava e a dor apertava.

Chegando ao hospital, uma equipe já me esperava. Fui medicada…

Cogitaram muitas possibilidades e, após um exame de imagem, notaram que era mais sério do que imaginavam.

Fui encaminhada à outros hospitais.  Lembro-me da reação da médica ao me examinar. Foi como um sopro ao ouvido: as coisas não estão legais.

Imediatamente, com fortes dores fui encaminhada para a capital do estado, os recursos eram maiores lá. 

Foi tudo muito rápido. De repente lá estava eu em um centro cirúrgico.

Uma certeza: DEUS ESTÁ AQUI.

Eu ouvi os médicos: ‘a menina está perdendo muito sangue. Não estamos achando nada’. 
Operaram-me achando que era apêndice. 

Depois de duas horas, foram até minha mãe, olharam todos os exames e perceberam que era muito mais grave que imaginavam.

UM TUMOR, UM CÂNCER RARO DE OVÁRIO. Algo quase inacreditável!

Câncer de ovário? EM UMA MENINA DE 14 ANOS?

Sobrevivi à cirurgia. Que baque, que susto!

Mas ainda precisava do resultado da biópsia.

Veio a confirmação, e fui encaminhada para a área oncológica.

O que falar de uma ala onde se encontram crianças carequinhas, mas com um sorriso no rosto? Elas não tinham noção do que enfrentavam. Mas eu sabia. Chorei a morte de alguns, pensei na minha. Imaginei qual seria a noite em que a morte gritaria minha senha. Eu apenas recitava baixinho: “Mil caem ao meu lado, 10 mil à minha direita, mas eu não sou atingida” – Salmos 91.7.

Viver as vezes dói….

Mas eu lutava. Não precisava ser fácil, só queria que fosse possível.

Seis cirurgias, 56 sessões de quimioterapia, drogas que mais pareciam me matar…

Já fiquei careca três vezes. Já tranquei a faculdade diversas ocasiões. Já mudei rotas. Já chorei de soluçar. Já passei natal e aniversário em um hospital. Sei o que é enfrentar uma menopausa aos 18.

Hoje conheço o meu Deus como nunca antes tinha conhecido.

Jó estava certo, digo como ele: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora meus olhos te viram” – Jó 42.5.

São muitos os mistérios que você ainda não entende, mas em todo tempo busque ressignificar tua história.

Hoje só agradeço por ter chegado até aqui. Cheguei aos 18 anos, estou sobrevivendo ao tal do câncer.

Enquanto escrevo estas linhas, recupero-me de mais uma sessão de quimioterapia. Muito agradecida por mais um dia.

Futuro?

Deus já está lá me esperando, seja qual for a direção da próxima curva da estrada. Hoje eu só peço que não desista.

Só posso lhe dizer que: “Eu escapei pra lhe contar” (Jó 1.15).

Carol Gimenes
Vila Velha (ES), agosto de 2018.
Texto adaptado do livro Jó, quando viver dói – Elias Rodrigues.

 

4 COMENTÁRIOS

  1. Carol, você é uma inspiração pra mim!
    A suas palavras tiraram lagrimas de mim, e ao mesmo tempo fez com que minha alma fosse inundada de fé e devoção. A minha oração é que Deus te abençoe e te leve para os quatro cantos do mundo, para que você possa proclamar esse evangelho maravilhoso e contar o que Deus fez na sua vida anunciando para os povos que existe um Deus amoroso desejoso de ser conhecido.

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