Ética na Visitação

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Ética na visitação

Por Paulo Pontes

O ministério de visitação é um trabalho de larga importância para cada igreja local, e mesmo sendo um campo específico do ofício pastoral, não é responsabilidade apenas do pastor. Na igreja, cada membro, em particular, pode contribuir neste ministério. Ressalto, porém, mesmo que a igreja tenha uma equipe de voluntários para essa missão, o pastor não deve acomodar-se, pois, a negligência neste serviço pode comprometer o êxito do seu ministério ou até mesmo o crescimento da igreja (Pv 27.23).

O que é fazer uma visita? – Visitar é ir ver alguém seja em casa, no escritório, no hospital, ou em outros lugares como nos presídios, etc., com um objetivo que pode variar: afeição, cortesia, compromisso, aconselhamento, auxílio espiritual ou social, evangelismo, oração, entre outros. Mas vale destacar que esta não é uma tarefa qualquer, antes é uma atividade delicada e que exige ser levada a efeito com o devido preparo, afim de não fugir à ética, sob pena de se cometer falhas, às vezes irreparáveis, prejudiciais ao trabalho do Senhor, e causando problemas à liderança da igreja.

Não tenho aqui o propósito de estabelecer princípios ou regras, mas de auxiliar nossos irmãos no desempenho de uma nobre tarefa que abre largas vias de sucesso para a igreja do Senhor. O ministério de visitação é bíblico (Mt 9.35,36; At 2.46,47; 20.35; Rm 12.13; Hb 13.16; I Pe 3.8), e envolve questões éticas.

A "ética" tem sido definida como "ciência moral". Um elevado padrão de conduta humana que envolve além da cortesia, a consideração pelo semelhante. É também chamada de "ciência dos deveres humanos" porque ensina como proceder, na sociedade. Considerando a importância da visitação, torna-se necessário a observância de alguns princípios como:

a) circunstâncias para visitar;

b) como proceder no ambiente da visitação;

c) cuidado no trato de assuntos pessoais;

d) sigilo; e,

e) postura.

Quem se propõe a este ministério deve se preparar para evitar constrangimentos para ambas as partes (visitante e visitado). Por isso recomendo que cada voluntário se oriente com seu pastor, ou busque em livros próprios que tratam do assunto.

Geralmente a visitação é motivada por algum problema, mas as circunstâncias para esse trabalho também apontam para as quatro necessidades básicas do ser humano:

1) desejo de conhecer e ser conhecido;

2) em condições normais, as pessoas só se realizam em grupos;

3) uma pessoa suporta mais facilmente as pressões e tensões da vida quando sabe que alguém a compreende, ou por saber que pode contar com ajuda de outrem;

4) as pessoas têm profunda necessidade de receber e retribuir carinho. Muitos irmãos, com os quais convivemos na fraternidade da igreja, têm problemas diferenciados de ordem social, moral, espiritual, econômico, afetivo, familiar, etc., que se tornam motivos para visitação, mesmo assim, não esperam que sejam visitados apenas quando passam por situações aflitivas, sentem-se felizes com uma visita de cortesia.

É fundamental na hora da visita que se tenha habilidade e sabedoria, pois cada ambiente de visitação tem a sua característica própria.

O visitante deve proceder naturalmente, porém, evidenciando a qualidade do serviço deste ministério cristão. Esta parte abrange a preparação em todos os aspectos. Neste momento o visitante deve limpar sua mente e seu coração de todo pensamento e sentimento "negativo", e revestir-se da presença de Cristo. Deve orar para que o Senhor o torne sensível às necessidades da pessoa visitada, e pedir também o auxílio do Espírito Santo para orientar suas às palavras que serão dirigidas ao visitado, e agir conforme a necessidade que cada caso requer.

Muitos crentes vivem sob as mais diferentes situações: tensão, insegurança, desarmonia no lar, ansiedade, desemprego, enfermidade, falta de recursos, pecados ocultos, conflitos, etc. Esses problemas geram tristeza, angústia, depressão… É bom lembrar que quando se passa por situações aflitivas, o entendimento parece ficar atrofiado, quando se procura uma solução parece que ela não existe ou que está fora do alcance. Nestas horas da vida quando parece não ter alguém com quem desabafar ou compartilhar um problema para que o fardo se torne mais leve, são momentos em que se percebe o quanto vale uma visita, um ombro amigo para ajudar a colocar a cabeça no lugar. Identificando situações assim, um irmão pode oferecer ajuda espiritual ao outro, mostrando-se amigo e interessado no problema.

O primeiro passo para abrir campo para que o visitado sinta-se com liberdade de falar abertamente é criar um relacionamento de confiança mútua. É recomendável que sejam pessoas do mesmo sexo, ou que tais visitas sejam na companhia dos cônjuges (Pv 22.1).

Saber ouvir é uma das qualidades de quem visita, bem como saber utilizar os recursos espirituais como a Bíblia, as promessas de Deus, a oração e o perdão.

No trato de assuntos pessoais, deve-se saber guardar segredos. É claro que há certos casos que se faz necessário aconselhar o visitado a procurar o pastor de sua igreja, mas como regra geral, imprescindível que se mantenha sob sigilo os assuntos das visitas feitas, principalmente em se tratando de questões pessoais.

Com relação à postura cristã, o visitante jamais deve omitir suas convicções como servo de Deus. Aquele que visita deve saber que tem, perante Deus, a responsabilidade de apresentar a verdade bíblica à pessoa visitada, porque mais vale ser fiel ao Senhor e à sua Palavra, do que aquele que estiver visitando.

Paulo Pontes

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