Espiritoval, adoração ou entretenimento?

Espiritoval, evento realizado no período de carnaval na Igreja Batista Lagoinha

Por Robson Aguiar

Um assunto melindroso, mas que gostaria de abordar. A IBL vez por outra se envolve em algum tipo de polêmica. Dessa vez, encheu a internet de comentários ao reunir os jovens no carnaval em um congresso denominado “ESPIRITOVAL”.

O assunto tem a ver com a liberdade em Cristo, com limites no entretenimento, com adoração, liturgia e ética. Sobre liberdade em Cristo. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). É fato que éramos escravos (do pecado) e agora somos livres. Mas, as pessoas esquecem que ao mesmo tempo nos tornamos parte do corpo místico de Cristo e não fazemos o que queremos, temos uma direção e uma cabeça que pensa por nós e nos dirige.

“Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular” (1 Coríntios 12.27).

“Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo” (Efésios 5.23).

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2.20).

Paulo pregava uma liberdade acompanhada: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (2 Coríntios 10.23). Ele dizia: “Vocês são livres, mas, não deixem que vossa liberdade seja motivo de escândalos: Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize” (1 Coríntios 8.13). “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” (1 Coríntios 10.32).

Notem a preocupação de Paulo na dimensão do escândalo, quando diz “nem judeus, nem gregos (não cristãos) e nem a igreja”.

A responsabilidade espiritual da igreja é tão grande que temos que evitar de os judeus se escandalizarem com nossos atos, da mesma forma os não crentes, e por fim o nosso próprio povo (igreja). Não justifica arrogarmos a liberdade que Cristo nos deu na cruz do calvário para fazermos o que quisermos. Temos uma imagem a preservar, e não é só a nossa, mas, do próprio Cristo. Mesmo tendo consciência do que seja pecado ou não, somos responsabilizados quando causamos enfraquecimento da fé dos nossos pares, ou com os nossos atos fazemos propaganda negativa para os não cristãos e judeus. Jesus deu o recado em relação ao tema: “E DISSE aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!” (Lucas 17.1).

Sobre os limites do entretenimento

Sou de uma época que até ouvir o grupo jovem Rebanhão era pecado. Aliás, quase tudo era pecado, calça jeans, camisa de meia, pimenta, e uma série de outras coisas.

Claro que isso se devia ao fato de os antigos pastores assembleianos, em sua maioria, não possuírem formação teológica, mesmo assim, sobrevivi na igreja desde os 14 anos de idade. O tempo passou e o número de pastores formados na igreja aumentou de forma substancial, isso respingou na “bléia”, a maior denominação brasileira. Hoje, a igreja está cheia de teólogos e intelectuais. Não sei se isso foi bom ou ruim, pois, a teologia contemporânea trouxe junto com ela, um pouco de relativismo moral e mensagens politicamente corretas.

Vivi num passado de extremismo religioso em que tudo era pecado, acho que ainda foi reflexo do movimento da santidade do século XVI, coisa meia puritana, achava ruim, mas, me sentia crente, santo, salvo.

Hoje, nada mais é pecado e em nome da estratégia para encher a igreja de jovens e mantê-los longe das drogas e da prostituição, os pastores marqueteiros estão adotando tudo. Imitar o lazer certo lazer do mundo, é dar a entender que aquilo é bom. Não quero aqui rotular o que seja pecado ou não, isso não me cabe, e quando a área tem um grande leque subjetivo, prefiro me furtar de opinar, além disso temos o Espírito Santo em nós como um termômetro para nos alertar a respeito do que podemos ou não fazer, mas tenho que analisar a luz da Palavra de Deus, e não somente a luz da consciência, a respeito de até onde posso ir.

Não posso cautelar a mente apenas porque quero ou gosto de fazer, ou porque meu coração não me acusa. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).

Adoração, liturgia e ética

É preciso que tenhamos noção do que seja adoração. Não estou aqui entrando no mérito da música, do ritmo, da dança, afinal, não faço parte da comissão celeste que analisa a música e a coreográfica que agrada a Deus, mas, contextualmente sabemos que Deus é Santo, Separado, e isso, em relação ao mundo, logo, basta observar esse princípio para concluir que determinadas músicas, ritmos e danças que são adotadas pelos ímpios para agradar ao príncipe das trevas em grandes eventos como o carnaval, com letras sensuais, que incentivam a prostituição e a violência, e ritmos de igual modo, não deveriam fazer parte do repertório de um culto. Isso me parece lógico.

Falemos também da liturgia, claro que o fator cultural tem que ser abordado nesse particular, pois cada país ao longo dos anos, tem tido uma maneira diferente de expressar-se diante do altíssimo, mesmo assim, existe um certo padrão a ser respeitado. Hoje, vemos cultos ditos evangélicos que mais parecem com um culto afro, tambores e danças semelhantes.

Por outro lado, vem os tecnocrentes (palavra recém-criada por mim, rsrs) onde o baile fank é fichinha perto do que acontece nessas igrejas; break, reggae, forró, rock e por que não, carnaval? Um verdadeiro vale tudo!

Então vamos às interrogações:
– Fazemos isso para Deus ou para nós?
– A quem estamos querendo agradar, os ouvidos de Deus ou os nossos?
– Estamos separando adoração de entretenimento?

Já alguns reformados partem para outro extremo, não adotam bateria e nem guitarras dentro da igreja, e as músicas mas parecem cantos gregorianos. Hipervalorizam a Palavra, o que não é de todo errado, mas a música e a oração fazem parte do culto, segundo a Bíblia: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Efésios 5.19).

O fator ético

Se no parlamento existe ética entre os deputados, como não deveria ser nas regiões celestes? Na igreja?

Certos movimentos e passinhos adotados nesses cultos, as vezes expõe irmãs e irmãos a um cenário vexatório que não combina com nossa postura ético-cristã (não vou entrar no vestuário que alguns usam para “melhorar’ a performance de sua dança). É preciso também atentar para esses detalhes.

Concluo dizendo que apesar do meu tom aparentemente puritano, me considero moderno, jovial, e arrisco dizer que até engraçadinho (rsrs), mas ainda assim, tento me policiar para que meus atos não virem notícia negativa no seio da igreja, entre os judeus e no meio dos gentios. Creio ser isso bíblico.

1 COMENTÁRIO

  1. Irmão em Cristo a paz do Senhor Jesus.

    O tempo texto do irmão é interessante e de fato vai de encontro o modismo dos dias atuais, entretanto, acredito que não fora feliz na frase “claro que isso se devia ao fato de os antigos pastores assembleianos, em sua maioria, não possuírem formação teológica, mesmo assim, sobrevivi na igreja desde os 14 anos de idade”; acontece que, o fato de algumas proibições serem ao nosso ver nos dias atuais como ” extremada ” não se dava pelo fato de eles ” não ter formação teológica “, pelo contrário os próprios missionários que se instalava aqui eram teólogos, o fato está RELACIONADA A CULTURA DA ÉPOCA, NÃO TEM NADA A VER COM FORMAÇÃO TEOLÓGICA, uma coisa que aprendemos em antropologia junto com a socilogia é que o meio que vivemos em algum momento de nossa vida fará com que nós sejamos influenciados, (não estou defendendo aqui teses de Rousseau ou Durkheim) mas simplesmente de uma questão cultural que para a época era normal, pois, muitas atitudes até no meio secular era tida como imoral, um exemplo claro e histórico é o jeans que no início dos século XX se deu o uso popular com os caobóis dos EUA, depois soldados americanos e só depois a popularização com os ” astros” de música americana e com o o símbolo de relbeldia dos chamados Hippies, nos anos 70 principalmente, assim, era razoável entender uma proibição de algo que estava atrelado no seu tempo na sua época a algo maligno como as atitudes dos Hippies, e por não conhecer talvez o contexto era melhor se evitar e isso só trouxeram na época santidade à igreja, pois, não poderia estar praticando algo que a própria sociedade da época de de forma geral não via com bons olhos logo, devemos respeitar a cultura em sua época que é diferente da nossa e é uma questão cultural que não tem nada a ver com ter formação teológica ou não.

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