Entenda por que cristãos são o grupo mais ameaçado na Síria

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Entenda por que cristãos são o grupo mais ameaçado na Síria

“Os cristãos são as maiores vítimas das ações no conflito que não poupa violência”.

Por Jussara Teixeira

Três anos de conflito e mais de 140 mil pessoas mortas. Este é apenas o resumo frio de uma guerra cruel e multifacetada, que destruiu milhares de cidades, famílias, vidas, lares e sonhos. Mas, em meio ao caos reinante na região, e à falta de interesse de potências como os EUA em intervirem na situação, que vem se tornando cada vez mais complexa, um grupo se destaca nesse cenário: os cristãos, grupo quantitativamente menor em um território cada vez mais dominado por radicais jihadistas e grupos fundamentalistas islâmicos.

Entenda por que cristãos são o grupo mais ameaçado na SíriaOs cristãos são as maiores vítimas das ações no conflito que não poupa violência à população local, com decapitações, estupros, torturas, crucificações, fome, miséria. Eles são as vítimas preferenciais de uma grande teia de grupos islâmicos de dentro e fora do país, como Comando Militar do Exército da Síria, que agrupa grupos moderados, segmentos laicos, organizações de esquerda e populares. Além disso, há o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) – que se formou no Iraque muito antes da insurreição na Síria e esteve ligado ao grupo terrorista Al-Qaeda. Há também a Frente Al-Nusra, que congrega diferentes grupos jihadistas fundamentalistas.

Os rebeldes assim constituem uma oposição multifacetada e que age por meio de uma batalha móvel e de milícias, o que torna mais difícil seu combate. Possuem diferentes projetos políticos e por vezes lutam Entenda por que cristãos são o grupo mais ameaçado na Síriaentre si. Em comum, possuem um só objetivo: derrubar o governo de Bashar al-Assad, que em seu terceiro mandato já soma meio século à frente do país, considerando o governo de seu pai, Hafez.

Na visão desses radicais, todo cristão é ocidental e alinhado às ideias norte-americanas. Segundo o historiador Roberto Khatlab, radicado no Líbano há mais de 25 anos, a idéia remonta à época das Cruzadas, quando os cristãos ocidentais massacraram os muçulmanos, opondo os dois grupos que antes conviviam em harmonia, segundo falou ao Terra.

Mais recentemente, com a invasão norte-americana ao Iraque, vários cristãos passaram a trabalhar para Entenda por que cristãos são o grupo mais ameaçado na Síriaos americanos como intérpretes, e isso criou a falsa ideia de que eles seriam aliados. Desinformação e ódio se uniram, e muitos pagaram com sua vida por isso.

Em meio a essa situação criada, o islamismo foi usado como arma política, uma forma de mobilizar sentimentos e disseminar ideias, encampadas pelos extremistas. Para o historiador, os cristãos são tão árabes quanto os muçulmanos. “Eles usam o Islamismo como arma política, são radicais. E representam uma ameaça séria à existência dos cristãos na região”, concluiu Khatlab.

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