E deu Dons aos Homens
Capa da Lição 1 – EBD 2º Trimestre de 2021 | CPAD

Comentário de apoio – Lição 1 – Adultos – 2º Trimestre de 2021

Por Aniel Ventura

Deus inspirou o apóstolo Paulo para escrever, ensinar e esclarecer acerca dos dons do Espírito Santo (1 Co 12.1-31; 14.1-40). No entanto, muitos cristãos pentecostais parecem desconhecer por completo a origem bíblica e os propósitos dos dons espirituais, demonstrando total desinteresse pela doutrina bíblica a respeito deles (1 Co 12.7). Tal ignorância acaba por trazer prejuízos à Obra de Deus, pois, este tema é de muita relevância à Igreja de Cristo.

I – OS DONS NA BÍBLIA

O Espírito Santo é Deus, entretanto é eterno; por isso, sempre se manifestou, dando sabedoria a reis, profetas, sacerdotes e juízes. Sua presença no Antigo Testamento é notória, porém esporádica e seletiva. José foi um exemplo, era um jovem cheio do Espírito de Deus. Faraó percebeu isso e o escolheu, julgando que aquele moço, que interpretou os seus sonhos, poderia receber de Deus sabedoria administrativa para a emergência nacional daquele momento. Deus também dotou Bezalel de capacidade para ser o artífice do tabernáculo (Êx 35.30,31). Os profetas de Deus proferiam palavras, quer de exortação ao povo, aos sacerdotes e aos reis, quer de vaticínio, profetizando bênçãos ou juízos, eles faziam tudo isso pelo Espírito de Deus que neles atuavam.

No original grego, a palavra “dom” encontra-se no singular – charisma (gr. χαρισμα) (At 2.38). O termo tem mais de um sentido, pois há dons naturais (habilidades, aptidões e competências inatas), dons espirituais (1 Co 14.1) e dons ministeriais, relacionado aqueles que são chamados especificamente ao ministério (Ef 4.11; Rm 12.7,8).

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Os dons espirituais encontram-se disponíveis à Igreja de Cristo (At 2.39). Entretanto, não devemos esperar recebê-los como prêmio por um serviço prestado a Deus, pois a sua concessão não depende de méritos pessoais; e sim da única, exclusiva e soberana vontade do Espírito Santo (1 Co 12.7). Os dons são para a edificação, exortação e consolação da Igreja de Cristo, para que esta cumpra a missão redentora que lhe confiou o Senhor Jesus (Mt 28.19,20; Mc 16.17-20).

II – OS DONS DE SERVIÇO, ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS

Paulo apresenta em 1 Co 12, um novo retrato da identidade do povo redimido de Deus. Eles são como um corpo, o qual tem muitos membros, olhos, orelhas, dedos, artelhos, vasos sanguíneos, músculos, etc. Nem todos têm a mesma operação, cada um tem uma função especial. Assim também é o corpo de Cristo, composto de muitos membros que executam diferentes trabalhos. Entretanto, o corpo de Cristo, não pode ser desmembrado, pois somos membros uns dos outros. Quem tem o dom de ministrar ou servir, deverá usá-lo quando e onde for necessário, dentro da sua melhor e mais completa capacidade. O mesmo é dito para os demais dons que Paulo menciona: ensinar, exortar, repartir, presidir (liderar) e exercitar misericórdia (mostrar bondade).

Dons que manifestam o saber de Deus (1 Co 12.8-10)

a) A palavra da sabedoria (v.8). É um dom de manifestação da sabedoria sobrenatural, pelo Espírito Santo.

b) A palavra da ciência (v.8). É uma manifestação de conhecimento sobrenatural pelo Espírito Santo; de fatos, de causas e de ensinamentos.

c) O dom de discernir os espíritos (v.10). É o dom de conhecimento e de revelações sobrenaturais pelo Espírito Santo. É a proteção divina para não sermos enganados por Satanás e seus demônios, e também pelos homens, (Ap 12.9; 20.8,10; 1Tm 4.1).

Dons que manifestam o poder de Deus (1 Co 12.9,10)

a) A Fé (v.9). E a manifestação do poder sobrenatural do Espírito Santo.

b) os dons de curar (v.9). São manifestações do poder sobrenatural do Espírito Santo para a cura das doenças e enfermidades do corpo, da alma e do espírito.

c) A operação de maravilhas (v. 10). São operações de milagres extraordinários, pasmosos; prodígios espantosos pelo poder de Deus, para despertar e converter incrédulos, céticos, oponentes, (Jo 6; At 8.6,13; 19.11; Js 10.12-14).

Dons que manifestam a mensagem de Deus (1 Co 12.10)

a) A profecia (v. 10). É um dom para “edificação, exortação e consolação” do povo de Deus (I Co 14.3). Porém o grau da profecia na igreja hoje não é o mesmo da “profecia da Escritura” (2 Pe 1.20,21), que é infalível. A profecia da igreja está sujeita a falhas por parte do profeta; daí a recomendação bíblica de (1 Co 14.29): “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem”.

b) A variedade de línguas (v.10). É um milagre linguístico sobrenatural. Nem todos os crentes batizados com o Espírito Santo recebem este dom (1 Co 12.30). Já as línguas como evidência física inicial do batismo, todos ao serem batizados no Espírito Santo as falam.

c) A interpretação das línguas (v. 10). É a interpretação de mensagem verbal, sobrenatural, pelo Espírito Santo. Não se trata de “tradução de línguas”,

Segundo o que Paulo escreveu em Efésios 4.11, Deus chamou pessoas de forma específica e com dons especiais. Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores provêm e equipam os crentes para realizarem o trabalho do ministério, que resulta na edificação do corpo de Cristo. A igreja edifica a si mesma na fé quando os membros cuidam uns dos outros, mostrando amor, e manifestando os demais dons que Deus dá (Rm 12 e 1 Co12). Deus deu uma enorme responsabilidade à sua igreja – fazer discípulos em todas as nações (Mt 28.18-20.

III – CORINTO: UMA IGREJA PROBLEMÁTICA NA ADMINISTRAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS (1 Co 12.1-11)

Os dons são dados aos crentes não para seu benefício pessoal, mas para o benefício de outros (“para o que for útil” 1 Co 12.7). Uma exceção seria a função de auto edificação das línguas não interpretadas (1 Co 14.4). Os dons precisam ser valorizados, porém, os crentes não devem retê-los para si mesmos, assim, não edifica o corpo de Cristo, entretanto o objetivo dos dons é abençoar a igreja de forma coletiva.

“Há diversidades” […] (1Co 12.4-6). pode-se notar imediatamente aqui uma tripla repetição do termo grego ‘diaireseis’ (gr. διαιρεσεις), cujo significado básico é partilha, distribuição, va­riedade, diferença, ou “tipos diferentes” (NÍV). No Novo Testamento esta palavra ocorre somente nesta passagem, mostrando o Espírito “repartindo particularmente a cada um como quer” (1Co 12.11). Esta Distribuição de dons pelo Espírito a cada membro foi projetada para produzir unidade e harmonia, em contraste com as divisões existentes em Corinto (1.10; 11.18,19; 12.25).

O capítulo 13 de 1 Coríntios, enfatiza a indispensabilidade do amor, dizendo que a posse dos dons, bem como os atos de auto sacrifício, não beneficiam um cristão que não tenha amor. Os dons e outros atos, porém, não são anulados por sua ausência. Paulo fala na primeira pessoa para tornar sua mensagem ainda mais efetiva; eu “seria como o metal que soa ou como o sino que tine” (v.1), eu “nada seria” (v.2), “nada disso me aproveitaria” (v.3). Os resultados da manifestação dos dons e do desempenho de um ato sacrificial por parte de alguém que não tem amor é banal. O indivíduo não se beneficia deles.

CONCLUSÃO

Na igreja de Corinto, os dons espirituais haviam se tornado símbolos de poder espiritual, provocando muitas rivalidades, onde alguns pensavam ser mais “espirituais” do que outros. Essa forma era extremamente errada ao usar os dons, porque o seu propósito sempre foi edificar a igreja e funcionar mais eficientemente, e não causar divisões. Entretanto podemos gerar divisões se insistirmos em usar os nossos dons de acordo com os nossos próprios desejos, sem nos preocuparmos com os outros. Jamais devemos usar os dons como uma forma de manipular alguém, ou para promover os nossos próprios interesses. Os dons precisam ser usados para edificar a igreja e para glória de Deus.

Leia também
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Bibliografia
– Movimento Pentecostal – As Doutrinas da nossa fé – Elienai Cabral – CPAD

– Comentário Bíblico do Novo Testamento Aplicação Pessoal – Vol ll CPAD
– Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento – CPAD
– Teologia para Pentecostais – Pneumatologia – Central Gospel
– Dicionário Bíblico Wycliffe Charles F. Pfeiffer – CPAD
– Teologia Sistemática Pentecostal – CPAD

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