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Descendentes de nazistas marcham em Jerusalém: “Do Holocausto para uma nova vida”

Cristãos de cerca de 30 países chegaram a Jerusalém para "A Marcha das Nações". Eles chegaram para dizer: "Do Holocausto para uma nova vida, Shalu Shalom Yerushalayim - Ore pela paz de Jerusalém".

EM FOCO

Rosilene A. Pontes
Rosilene A. Pontes
Natural de Juiz de Fora-MG, educadora cristã, esposa, mãe, e avó. Gosta de ler e escrever.

JERUSALÉM, Israel – Em um cenário de crescente antissemitismo e negação do Holocausto, os cristãos descendentes de nazistas estão pedindo perdão aos sobreviventes do Holocausto, seus descendentes e ao povo judeu; e esse movimento está levando a um maior senso de unidade.

A vice-prefeita de Jerusalém, Fleur Hassan-Nahoum, deu as boas-vindas aos cristãos na cidade. Ela disse a eles: “Eu vi todos vocês marchando e é tão emocionante ver nossa cidade cheia de amantes de Jerusalém. Obrigada por estarem aqui!”

Cristãos de cerca de 30 países chegaram a Jerusalém para o que eles chamam de “A Marcha das Nações”. Eles chegaram para dizer: “Do Holocausto para uma nova vida, Shalu Shalom Yerushalayim – Ore pela paz de Jerusalém”.

Hassan-Nahoum disse à CBN News: “Os fundadores desta marcha são essencialmente descendentes de nazistas, e você sabe, para que os seres humanos cheguem e digam que algo tão terrível aconteceu, vamos passar nossas vidas tentando corrigir e compensar isso; e para criar um movimento como esse”.

Jobst Bittner, de Tubingen, Alemanha, é o fundador e presidente da Marcha pela Vida. “Sou de uma cidade em que a universidade é onde os perpetradores nazistas – assassinos da SS – foram educados e treinados”, explicou. “E eles foram responsáveis ​​pela morte de 700.000 judeus, e é por isso que começamos realmente a pesquisar a história de nossa cidade”.

Bittner diz que as famílias alemãs geralmente não falam sobre seu passado nazista. “Descobrimos que apenas quando estivermos dispostos a realmente falar a verdade sobre o passado, seremos capazes de assumir a responsabilidade tanto pelo presente quanto pelo futuro. E é por isso que decidimos fazer esse chamado às nações e chamar centenas de milhares às ruas para levantar suas vozes contra o antissemitismo, o ódio aos judeus e a Israel”, disse ele.

Bittner, como muitos na marcha, tem uma história pessoal. Ele relembrou: “Meu próprio pai era um oficial da Wehrmacht (exército alemão), e ele estava na França e no norte da África; e como oficial da Wehrmacht, ele compartilhou essa responsabilidade pela deportação de judeus, pelo assassinato dos judeus, porque todos os que estavam na Wehrmacht compartilhavam essa responsabilidade”.

Agora Bittner vê que a responsabilidade deles é ficar com Israel, especialmente em tempos de crise. “Unidos para ser uma luz, e junto com nossos amigos judeus, de mãos dadas, queremos caminhar e defender Israel e esse é o nosso lema: ‘unidos para ser uma luz'”.

Heinz Reuss, diretor internacional da Marcha pela Vida, disse que o passado foi revelado a eles com o tempo. “Muitos de nós descobrimos que nossos pais, bisavós, eram nazistas, faziam parte da Shoah. Eram guardas de campos de concentração. Faziam parte da Wehrmacht”, explicou.

A família de Reuss compartilhava um passado misto. Enquanto sua bisavó holandesa escondia judeus em sua casa, seu bisavô germano-austríaco seguiu um caminho diferente. “Ele não era nazista”, afirmou Reuss. “Ele fazia parte da Igreja Luterana e não apoiava Hitler. Então, pensei, tudo bem, estava tudo bem. Mas então comecei a ler seus diários e suas cartas, e o que descobri é que ele se afastou de seus amigos judeus naquela época. Então ele não falou. Simplesmente não queria ter nada a ver com isso. E esse é o problema, porque naquela época, as pessoas que sabiam melhor não faziam nada”.

A marcha começou como um movimento de arrependimento. “Percebemos que o mesmo silêncio em relação ao povo judeu também está em nossos próprios corações”. Ele relatou que “em 2007, soubemos que havia oito campos de concentração ao redor de nossa pequena cidade de Tubingen, no sul da Alemanha. E havia marchas da morte no final da guerra em direção a Dachau. E então tivemos uma palavra do Senhor para dizer, por que não fazer uma Marcha pela Vida nessas trilhas da marcha da morte?”

Foi uma caminhada 300 quilômetros, refazendo os passos ao longo dessas diferentes rotas durante três dias. O resultado foi poderoso!

“Tivemos reuniões de reconciliação no meio disso, e belos encontros entre os descendentes dos nazistas e os sobreviventes do Holocausto e os descendentes dos sobreviventes do Holocausto”, disse Reuss.

O que inicialmente foi visito como um evento único agora é mundial. Marchas foram realizadas em centenas de cidades em 25 países. Nos Estados Unidos, é chamada de March of Remembrance.

Antes do evento em Jerusalém, o presidente israelense Isaac Herzog elogiou o grupo por sua coragem em enfrentar seu passado sombrio. Ele escreveu: “Sua presença demonstra apoio moral inabalável ao nosso estado-nação e seu povo, e o Estado de Israel o recebe de braços abertos”.

Gerd Gekeler, um participante da marcha na Alemanha, observou:  “Eu sei que meus avós faziam parte do exército e eram – não sei muito sobre isso – mas faziam parte do sistema. Aprendi que todo mundo que faz parte do sistema tem sua parte nele”. Ele acrescentou: “Estive no Yad Vashem na semana passada. E para ver a dimensão dessa dor e desse assassinato que foi realmente difícil; e estou feliz por poder fazer parte desse movimento porque sei, também na Alemanha, a maioria das pessoas diz que passou, acabou. Mas isso não é verdade. Faz parte de nossa herança”.

Susan Haueter participou da marcha desde a Colômbia. “Posso me posicionar sobre o passado, o presente e o futuro fazendo parte da Marcha pela Vida. Estive três vezes, envolvida na organização de uma marcha na Colômbia, em Bogotá. Além disso, a comunidade judaica, o rabino chefe na Colômbia, é a favor da marcha e apenas algumas semanas atrás, tivemos a quarta marcha, em Agua Sierra”, disse ela.

Nikolai Gagarkin, um participante da Marcha na devastada Kiev, Ucrânia, disse: “Estamos orando por Israel. Estamos orando pelo povo judeu em todos os países, em todo o mundo”.

O líder do Movimento Sionista Global, Rabino Yehuda Glick, deu as boas-vindas aos manifestantes, dizendo que esperava ver muitos outros visitando e apoiando Israel no futuro.

Ele também fez uma exortação: “Depois que o povo de Israel voltou para casa e estabeleceu nosso estado e estabeleceu Jerusalém como nossa capital, agora é a hora de erguer a bandeira de Deus no lugar que Ele escolheu em Sião. É hora das nações. Assim como nós – o povo judeu – tomamos nosso destino em nossas mãos e voltamos para casa, agora as nações devem defender Sião e garantir que Sião seja a Casa de Oração para todas as nações”.

Em uma demonstração poderosa e emocionante de unidade, a marcha de Jerusalém e os participantes do evento cantaram a Bênção Aarônica do Livro dos Números sobre Israel e o povo judeu.

Texto de Julie Stahl, Julie Stahl é correspondente da CBN News no Oriente Médio / CBNNews
Tradução Seara News

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1 COMENTÁRIO

  1. E verdade! O nosso Deus trabalha de uma forma tão perfeita que nós não sabemos explicar. Toda glória e toda honra daremos para ele.

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