A incoerente desunião da Igreja Evangélica Brasileira!

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A incoerente desunião da Igreja EvangélicaConstruímos um muro de intolerâncias e de divergências que do campo teológico (pensamento) ergueu-se para dentro de nós e isso estabeleceu um embate pessoal (comportamento) de tradicionais contra pentecostais; de evangelicalismo contra fundamentalismo, de calvinismo contra arminianismo e etc.

Esperar consenso fraterno entre os evangélicos do Brasil parece inatíngivel e menos ainda aguardar por concordância entre as ditas denominações cristãs. Este artigo não é uma pregação idealista para a prática de um ecumenismo de fim dos tempos; antes, retrata a propalada união poética e necessária do Salmo 133.1 e passagens correlatas. Queria eu que esse quadro de desentendimento evangélico fosse apenas um problema de interpretação hermenêutica, pois se o fosse seria fácil elucidá-lo. 

União significa associação ou combinação de coisas diferentes ou não para formar um todo. Também pode ser entendida como ligação ou combinação de esforços e pensamentos para um bem comum. União significa junção, por exemplo, a ligação que existe entre os órgãos do corpo humano formando uma grande e competente estrutura. É essa a figura bíblica para a igreja de Deus neste mundo, a de um corpo (1 Co 12.12, 27).

Se pensarmos em união apenas como sentimento não vamos vivenciar a implicância do termo; pois na verdade o conceito está também ligado ao comportamento de concordância esperado por quem prega amor, fraternidade e comunhão. É claro que nossas denominações evangélicas mantém suas posições teológicas distintas, e cosmo visões diferentes dentro do arraial cristão brasileiro no que tange a costumes, doutrinas e etc. A extrema necessidade de união do corpo evangélico brasileiro não inutilizaria os posicionamentos doutrinários e culturais característicos e pertinentes a essas igrejas cristãs – antes os respeitaria como ponto particular e não como ponto de divisão e isolamento cristão.

Construímos um muro de intolerâncias e de divergências que do campo teológico ergueu-se para dentro de nós (deveria ser apenas diferença de pensamento) e esse desenvolveu um orgulho alimentador de embates pessoais entre os evangélicos (tornou-se num comportamento). Há absolutamente uma resistência de tradicionais contra pentecostais; de evangelicalismo contra fundamentalismo, de calvinismo contra arminianismo. Repito, deixou de ser discordância interpretativa e criou-se uma persistente animosidade entre irmãos que não mais aparentam condições de entendimento em torno do objetivo maior do Reino de Deus. Não existe um versículo bíblico do NT que sustente a idéia de predominância de um grupo religioso no céu. Existe a descrição de uma igreja comprada pelo sangue de Cristo e que fisicamente foi comparada a um corpo – o corpo de Cristo; e será esta a igreja que será trasladada da terra e que adentrará aos portões celestiais (1 Ts 4.13-18). Não uma igreja de placas, dogmas e concílios; a igreja dona da razão será uma igreja vacilante no amor.

O mundo precisa conhecer essa igreja que prega amor, que pratica a caridade com santidade e promove união e congraçamento entre as pessoas. Infelizmente queremos o comando da cabeça (Cristo), mas parecemos desejar nos separar do corpo (Igreja Universal). Nossa vida evangélica tornou-se denominacional por demais, sectária por extremos, fundamentalista por presunção e por fim incompatível com o Evangelho da Igreja de Deus por falta de sensibilidade cristã. Outro agravante social para a igreja evangélica brasileira é que percebe-se nitidamente um partidarismo de esquerda e de direita dentro do mundo cristão brasileiro. O abandono do centrismo bíblico por conta de extremismos ideológicos cristãos farão mal aos próprios evangélicos e deixará ainda mais confusa essa sociedade sem Cristo.

Não proponho convergência interpretativa das denominações cristãs do Brasil em aspectos gerais da teologia; mas não me conformo com posicionamentos divisionistas que tanto mal fazem à unidade do povo de Deus neste século de incredulidades. Não serão apenas conselhos, alianças cristãs, acordos cooperativos entre representantes maiores das denominações que resolverão o problema. Será necessário levar essa mensagem de união fraterna para dentro de nossas igrejas. Precisamos da demonstração deste amor que une, de compreensão que nutre e de santidade que revela quem é o povo Deus; carecemos levar essa mensagem de agregação para as nossas ministrações afim de conscientizarmos os nossos ouvintes a perceberem a necessidade desta ignorada realidade bíblica, necessitamos de viver a essência dos sentimentos evangélicos de irmão para irmão, tais como: compreensão e fraternidade. Precisamos alçar nossa visão e atuação para além de nossa comunidade fechada e mostrarmos a esse mundo cão o que é o verdadeiro amor cristão. Quebremos essas placas mentalizadas e fixadas no coração; destruamos essas barreiras de orgulho religioso afirmadas em nosso comportamento; destruamos a barreiras dos paradigmas interpretativos que nos fizeram isolacionistas; humilhemo-nos diante de Deus e ouçamos a voz do Espírito Santo para estes últimos dias – é tempo de união em torno da vontade de Deus para sua igreja militante.

2 COMENTÁRIOS

  1. “O mundo precisa conhecer essa igreja que prega amor, que pratica a caridade com santidade e promove união e congraçamento entre as pessoas.”

    Essa igreja existe e se chama Católica Apostólica Romana.
    A Paz de Cristo e o Amor de Maria ;*

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