Defender o ministério pastoral feminino é ir além do que a analogia permite

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O ministério pastoral feminino é um assunto polêmico e já dura décadas. Tem tema de debates entre protestantes em todo o mundo, e também vem dividindo igrejas e denominações, em diversos lugares como nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil não é diferente, e inclusive entre as mulheres há opiniões divergentes.

Por Paulo Pontes

Defender o ministério pastoral feminino é ir além do que a analogia permiteAugustus Nicodemus é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, teólogo calvinista, professor, escritor, e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mestre e doutor em Interpretação Bíblica (África do Sul, Estados Unidos e Holanda), professor de exegese, Bíblia, pregação expositiva no Centro Presbiteriano de Pós Graduação Andrew Jumper, da IPB, autor de vários livros. É também conhecido por suas obras que abordam questões exegéticas, teológicas e práticas a partir de uma perspectiva reformada. E sua linha de interpretação segue o método gramático-histórico em oposição ao método histórico-crítico de interpretação. Nicodemus também aborda questões práticas como família, missões, santificação e plenitude do Espírito, culto, guerra espiritual, e ministério eclesiástico. Tem conhecimento e experiência para comentar temas polêmicos. A sobre a ordenação de mulheres para o ministério pastoral ele comenta que defender este ponto é ir além do permitido, conforme destacou em seu perfil numa rede social. Ao final, recomenda para quem quiser saber mais sobre ordenação de mulheres que leia seu comentário “Carta à Bispa Evônia”.

Leia o texto na íntegra:

“Achei quase engraçado, e no mínimo curioso, que alguns defendam a ordenação de mulheres para o pastorado usando como base o fato de que Raquel é citada como pastora de ovelhas (Gen 29:9) e que as filhas de Jetro eram pastoras de ovelhas (Ex 2:16).

Como se ovelhas e gente fosse a mesma coisa…!

Ovelhas não são seres espirituais e morais, não tomam decisões, não estão caídas em pecado, não tem culpa, não tem consciência e muito menos uma alma imortal e um destino eterno pela frente. Qualquer pessoa pode ser pastor de ovelhas, cujo cuidado é apenas físico: alimentação e proteção.

A analogia se resume num ponto apenas: pastores cuidam daquilo que lhes é confiado. Ovelhas podem ser confiadas a homens, mulheres, meninos e velhos. Mas o povo de Deus, na Bíblia, é confiado aos cuidados de homens crentes qualificados. Embora houvesse profetisas e juízas no povo de Deus do Antigo Testamento, não havia sacerdotisas, pois os sacerdotes eram os responsáveis espirituais pelo povo de Deus, seus pastores. No Novo Testamento encontramos mulheres orando nas igrejas, profetizando, anunciando o Evangelho, mas não encontramos nenhuma apóstola, presbítera ou pastora: Jesus escolheu homens, os primeiros diáconos eram homens (Atos 6) e nas qualificações dos pastores Paulo claramente estabelece que tinham de ser homens que fossem marido de uma só mulher (1Tim 3 e Tito 1).

Portanto, querer defender pastoras evangélicas com base no pastoreio de ovelhas feito por mulheres no Antigo Testamento é ir além do que a analogia permite”.

Quem quiser ler mais sobre ordenação de mulheres, segue o link Carta à Bispa Evônia. [Augustus Nicodemus Lopes]

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