Cristãos árabes são último elo entre Oriente e Ocidente

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Cristãos árabes são último elo entre Oriente e Ocidente

Perseguição e matança de cristãos no mundo árabe podem acabar com a última ponte de entendimento entre os países ocidentais e o mundo árabe-islâmico, diz historiador.

Por Jussara Teixeira

A intensificação da violência e do terror contra cristãos em países africanos e árabes pode alterar a sociologia dessas regiões, a ponto de criar uma divisão completa entre o Oriente e o Ocidente. A conclusão é do historiador e arqueólogo brasileiro Roberto Khatlab, que chama a atenção para a fuga em massa de cristãos dessas regiões, que cada vez mais estão migrando para países ocidentais em virtude da intensa perseguição sofrida por parte de extremistas muçulmanos.

Os números são contundentes: na Síria, a estimativa é de que 150 mil pessoas, a maioria cristãos, já morreram em uma guerra de milícias que se arrasta há três anos; na Nigéria, uma seita radical, a Boko Haram, já executou mais de três mil pessoas em uma campanha sangrenta pela implantação da lei islâmica Sharia; no Sudão, um conflito na região de Darfur já promoveu o genocídio de cerca de 400 mil cristãos, quando lutas por território e influência política fomentam um dos maiores massacres que o continente já viu.

Não é diferente no Egito, Irã, Somália, Afeganistão, Arábia Saudita, Iêmen, Líbia. Todos estão na lista dos países que mais perseguem cristãos no mundo, de acordo com o levantamento do Portas Abertas.

O mais assustador é a falta de interesse da comunidade e da opinião pública mundial frente a tamanha barbárie. O silêncio do Ocidente frente à situação que vitimiza os cristãos pode levar ao recrudescimento do terrorismo e à hegemonia islâmica na África e Oriente Médio, com o surgimento de dois pólos completamente antagonizados pela religião dominante.

Bastidores

Não é surpresa que por trás de cada conflito há o fornecimento sistemático de armas a grupos extremistas e milícias. Interesses financeiros, territoriais e influência política fomentam os bastidores da carnificina.

Grandes potências também tem seu papel de influência na situação que segue afetando milhares de pessoas. Lutas diplomáticas entre EUA, França, Grã Bretanha, que tiveram seu auge com o uso de armas químicas em Damasco se opõe aos interesses da Rússia, que conseguiu recuperar seu protagonismo na região por meio do fornecimento de armas à Síria, país estratégico por sua posição chave no Oriente Médio. A intervenção russa na ocasião em que as potências ocidentais estiveram prestes a bombardear Damasco, quando Vladimir Putin conseguiu um acordo para desmantelamento do arsenal químico do país sob supervisão da ONU, garantiu sua influência sobre a situação e na região.

Menino-CuzEm meio a isso há o fundamentalismo islâmico, que por meio da interpretação distorcida de passagens do Corão, difunde o ódio ao Ocidente.

Mas a questão transcende o espectro religioso: muitos grupos usam suas crenças como forma de se manter (ou tomar) o poder, territórios e para isso primeiro tomam as mentes de seus seguidores. Assim, utilizam a religião como arma para disseminar o ódio e desinformação para com os cristãos, que se encontram, via de regra, em forma numericamente minoritária.

Um fato não pode ser negado: o número de muçulmanos já ultrapassou em muito o dos cristãos em todo o mundo, chegando a 22,5% da população mundial (dados do grupo Project Care). Contribuíram para isso o declínio dos cristãos na América do Norte e Europa Ocidental e a alta taxa de fertilidade das mulheres muçulmanas.

Enquanto as ações das potências ocidentais e da própria ONU se mostram falhas e ineficazes, resta à igrejas e cristãos se unirem em favor dos irmãos que sofrem em meio ao caos e à guerra que afeta gerações e parece não ter fim.

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