Cristã sudanesa é prisioneira de sua própria consciência

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Condenada à morte: Cristã sudanesa é prisioneira de sua própria consciência

“Todo tipo de abuso e violência é praticado aos que negam a religião oficial, ou simplesmente professam a fé cristã”.

“Ter uma Bíblia é motivo de grande regozijo e comemoração…”.

Por Jussara Teixeira

“(…) pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumprimento de promessas, fecharam a boca de leões, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tiraram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Uns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior; outros enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados o mundo não era digno deles” (Hebreus 11-36.38).

A corte de Cartum, no Sudão, condenou Meriam Yehya Ibrahim, de 27 anos, grávida de 8 meses, por apostasia. Ela tem até quinta-feira (22), para renunciar a fé cristã ou encarar a possível sentença de morte imposta.

Apesar de seu marido ser cristão e garantir que a esposa também o é por uma longa data, o sistema judicial local a considerou muçulmana pelo fato de seu pai professar a fé em Alá. Sua mãe, cristã ortodoxa, criou a filha sozinha já que o pai deixou a família quando ela tinha apenas 6 anos de idade. Porém, pela lei Sharia, somente a religião paterna é considerada e os filhos devem segui-la sem restrições.

Adicionalmente, o casamento com o atual marido cristão foi declarado nulo. Por esse motivo, a sudanesa Ibrahim foi ainda acusada de adultério e condenada a 100 chibatadas, informa a CNN.

O advogado de Ibrahim garante que ela se recusa a renunciar à fé cristã. Na ocasião em que a sentença foi promulgada, foi mencionado “o quanto um crime como esse pode ser perigoso para o Islam e para a comunidade islâmica”, ao que ela respondeu prontamente que “sou cristã e assim vou continuar sendo”.

Seus advogados planejam apelar contra o veredicto, que atraiu a condenação de organizações pró direitos humanos em todo o mundo.

Ibrahim nesse meio tempo permanece na prisão e seu defensor afirma que ela está tento dificuldades na gravidez. Um pedido de transferi-la para um hospital particular foi negado “por medidas de segurança”.

Enquanto isso, seu advogado afirmou que um dia antes da sentença ser promulgada, uma ligação anônima disse que ele poderia ser atacado se não deixasse a representação de sua cliente.

“Vivo com medo só de ouvir a porta abrir ou com barulhos na rua”, diz, mas ainda assim garante: “eu não poderia deixar esse caso. Isso é uma questão de crença e princípios. Eu preciso ajudar alguém que necessita, mesmo que isso custe minha vida”.

Prisioneira da consciência

A Anistia Internacional descreveu Ibrahim como uma prisioneira da consciência.

Para o pesquisador sudanês da Anistia Internacional, adultério e apostasia nunca deveriam ser considerados crimes, e muito menos ser relacionados à pena de morte. “É uma flagrante violação à lei de direitos humanos”.

Embaixadas de vários países em Cartum estão insistindo para que a sentença seja revertida.

A lei Sharia impõe, entre outras coisas, que muçulmanos e não-muçulmanos podem ser punidos por atos de “indecência” e “imoralidade” por castigos físicos e amputações.

Ademais, o abandono do Islam é atualmente um crime punível com a morte. Os “supeitos” de se converterem tem que enfrentar pressões sociais, e passam por intimidações e tortura pela segurança governamental.

Até a morte

O Departamento de Estado norte-americano classificou o Sudão como um dos países que mais infringem os direitos religiosos, juntamente com Myanmar, China, Eritrea, Iran, Corea do Norte, Arábia Saudita e Usbequistão.

Nesses lugares, todo tipo de abuso e violência é praticado aos que negam a religião oficial, ou simplesmente professam a fé cristã. Muitas são as histórias de vida de pessoas que lutaram até a morte e não negaram suas crenças, mesmo debaixo de intensa perseguição.

Reúnem-se secretamente e louvam intensamente. O ter uma Bíblia é motivo de grande regozijo e comemoração, pois não é literatura facilmente encontrada. Em meio à dor e ao sofrimento, milagres ocorrem e corações são transformados. O poder de Deus se aperfeiçoa na sua fraqueza de seu povo.

Além de Ibrahim, grávida, presa e ameaçada de morte, são muitas as histórias comoventes de cristãos que lutam até o fim para divulgarem ou só por abraçarem o Evangelho. Os noticiários estão cheios de novas que todos os dias contam como pessoas sofrem em virtude de sua fé. Homens de que o mundo não é digno.

No Brasil, onde a liberdade religiosa é muitas vezes substituída pela superficialidade, a pergunta que não quer calar é: você lutaria até a morte pela sua fé? Esta pergunta pode ser o termômetro para que você avalie o quão profunda – e real – é sua fé.

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