Coréia do Norte tem mais medo de cristãos do que armas nucleares, diz pastor
Os participantes do painel falam no prédio do Senado Dirksen no Capitólio sobre as condições na Coreia do Norte em 18 de julho de 2019. | Foto: The Christian Post

Documentário revela situação dos cristãos no país comunista

Um documentário expõe os desafios que os cristãos norte-coreanos enfrentaram em uma nação onde milhões de pessoas nunca ouviram o nome de Jesus. Apesar das condições severamente repressivas, pastores e acadêmicos estão imaginando um novo futuro para a nação reprimida.

Durante a reunião do Ministério para o Avanço da Liberdade Religiosa do Departamento de Estado, foi exibido o filme (documentário) “Humanity Denied: Religious Freedom in North Korea” (Humanidade Negada: Liberdade Religiosa na Coréia do Norte), da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa, foi exibido no Senado norte-americano onde acontecia o evento. Precedendo o filme, um painel de especialistas falou sobre a situação no país do Extremo Oriente.

“A situação na Coréia do Norte é absolutamente terrível”, disse Olivia Enos, analista de política em estudos asiáticos da Heritage Foundation, observando que relatórios confiáveis ​​classificam consistentemente a Coréia do Norte como o pior lugar do mundo para cristãos e qualquer pessoa de fé em termos de opressão e violação dos direitos humanos.

O Relatório da Comissão de Inquérito de 2014 da ONU, explica que os norte-coreanos que fugiram para a China e que foram repatriados tiveram que responder a, duas perguntas, a saber: se tiveram contato com sul-coreano; ou, se interagiram com algum missionário cristão. Se respondessem sim a qualquer uma dessas questões, teriam graves repercussões, como tortura e prisão.

“Isso é emblemático do que é ser um cristão dentro da Coréia do Norte”, disse ela, acrescentando que “é muito revelador como o regime de Kim concebe a religião em geral”.

“Os governos comunistas tem medo da religião”, acrescentou, citando como os movimentos religiosos pacíficos derrubaram os regimes comunistas em décadas passadas, como na Europa Oriental.

“O regime de Kim vê a religião como potencialmente ameaçadora para sua liderança”.

Coréia do Norte tem mais medo de cristãos do que armas nucleares, diz pastor
Kenneth Bae preso na Coreia do Norte. | Foto: Kyodo / Reuters)

Kenneth Bae, um pastor coreano-americano, que foi mantido como refém na Coréia do Norte entre 2012 e 2014, explicou que quando as autoridades norte-coreanas o prenderam e descobriram que ele era um missionário, disseram que ele estava tentando derrubar o governo norte-coreano. Durante anos, Bae liderou grupos para visitar a Coréia do Norte, como turistas, e incentivando-os a orar e adorar a Deus enquanto estivessem no país.

Os norte-coreanos também lhe disseram que se uma pessoa voltasse e criasse um orfanato e 10 crianças se tornassem cristãs, elas apenas se multiplicariam e representariam uma ameaça à nação.

Bae contou que norte-coreanos disseram: “Nós não temos medo de armas nucleares … temos medo de gente como você, trazer essa religião para o nosso país e usá-la contra nós e então todos se voltarão para Deus e isso se tornará o país de Deus e nós cairemos”, disse Bae às dezenas de pessoas reunidas no evento.

Bae foi informado de que ele era provavelmente o criminoso americano mais perigoso que eles já tiveram desde a Guerra da Coréia. Condenado a 15 anos de trabalhos forçados, foi enviado para um campo de trabalho norte-coreano, sendo libertado em 2014.

Pyongyang já foi conhecida como a “Jerusalém do Extremo Oriente” e tinha uma forte presença cristã, explicou. Mas hoje, exceto pela fé daqueles poucos que foram forçados à clandestinidade, a maioria dos norte-coreanos nunca ouviu o nome de Jesus. Em todas as centenas de refugiados que ele conheceu, Bae contou que nunca conheceu um único fugitivo que fugiu da Coreia do Norte que tinha ouvido falar de Jesus.

Quando Bae falava sobre Jesus com os norte-coreanos, perguntavam se Jesus morava na Coréia ou na China.

“A Coréia do Norte não é um país onde os cristãos estão sendo perseguidos; é um país onde o cristianismo foi eliminado, a eliminação total está ocorrendo. E se você é cristão, eles matam você, eles matam seus pais”.

O credo oficial do regime norte-coreano é chamado Juche, que significa “autoconfiança”.

Quando essa filosofia foi instituída na década de 1960, eles deliberadamente apagaram o nome de Jesus de tudo na cultura. A razão pela qual eles fizeram isso, Bae supôs, “é porque a Bíblia diz em João 14 que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, que ninguém vai ao Pai senão por Ele. Sem Jesus ninguém pode encontrar a verdade, o caminho ou receber a vida”, disse ele.

O pastor coreano-americano é o autor do livro de memórias de 2016, Not Forgotten: A verdadeira história do meu aprisionamento na Coréia do Norte. Hoje Bae lidera a Campanha de Petição de Oração de Um Milhão de Neemias, um esforço para mobilizar a intercessão pelo povo norte-coreano.

Durante seu tempo no campo de trabalho e depois que ele conheceu os guardas da prisão, ele percebeu que, apesar da profunda lavagem cerebral que eles tinham sofrido, eles não eram tão diferentes dele. Eles simplesmente nasceram na Coréia do Norte.

Estimativas conservadoras sustentam que cerca de 80.000 a 120.000 pessoas estão atualmente detidas em campos de trabalho e de prisão política dentro da Coréia do Norte, segundo Enos.

“Indivíduos podem ser enviados para esses campos de prisioneiros para algo tão simples como ter lido a Bíblia, tendo assistido a um drama sul-coreano, escutado K-pop. Essas são coisas comuns que nós, como americanos, tomamos como garantidas”, disse ela.

“Não existem estimativas definitivas sobre quantas pessoas morreram nos campos políticos norte-coreanos, mas alguns acreditam que o número varia de 400.000 a muitos milhões”, Enos elaborou.

Onde quer que Bae vá, ele encontra pessoas que lhe dizem como oraram por ele enquanto ele estava em cativeiro.

“As pessoas se lembravam: ‘não nos esquecemos de você enquanto estava na Coréia do Norte’; e eu não esqueci as pessoas, os 25 milhões de pessoas que nunca ouviram o nome de Jesus. Eu vou restaurá-las, vou revelá-las como meu povo mais uma vez”, disse ele, contando as palavras que Deus lhe imprimiu.

O trabalho de Bae envolve o envio de ajuda e Bíblias em garrafas de arroz enviadas rio abaixo para a Coréia do Norte e ajudar os norte-coreanos a escapar, incluindo os que estão presos na escravidão sexual na China.

“Precisamos nos preparar para quando a Coréia do Norte se abrir. Se o regime norte-coreano de repente cair, estamos prontos para ter Bíblias suficientes para que eles saibam o que é verdade; e como podem encontrar a verdade?” ele disse.

Um de seus objetivos é imprimir 1 milhão de Bíblias e colocá-las na Coréia do Norte antes que elas desmoronem, com o objetivo de distribuir uma Bíblia para todos os lares em Pyongyang, para que sirva como um projeto para a reconstrução de sua sociedade.

The Christian Post

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