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CGADB divulga ‘Manifesto Contra o Unicismo’ defendido por alguns segmentos evangélicos

O documento que ressalta a doutrina da TRINDADE e destaca o seu caráter contra o UNICISMO defendido por alguns segmentos evangélicos, foi elaborado pelo Conselho de Doutrina e a Comissão de Apologética da CGADB

EM FOCO

Paulo Pontes
Paulo Ponteshttps://www.searanews.com.br
Fundador e CEO da Seara News Comunicação, jornalista, cidadão vilavelhense, natural de Magé (RJ), pastor, teólogo (Teologia Pastoral e Catequética), presidente do Diretório da SBB-ES, autor do livro Você Tem Valor, membro da Assembleia de Deus em Cobilândia, Vila Velha-ES.

A Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus do Brasil (CGADB), sob a liderança do seu presidente, pastor José Wellington Costa Júnior, aprovou na 46ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) da entidade, realizada na cidade de Novo Hamburgo (RS), entre os dias 28 de abril e 1º de maio, um manifesto contra o unicismo.

O documento, elaborado pelo Conselho de Doutrina e a Comissão de Apologética da CGADB, que também será publicado na edição nº 1657 de junho/2023, do jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial da denominação, ressalta a doutrina da TRINDADE e destaca o seu caráter contra o UNICISMO defendido por alguns segmentos evangélicos, conforme mencionados: Conjunto Voz da Verdade, Tabernáculo da Fé, Testemunhas de Yehoshua, Igreja Local, Árvore da Vida, entre outros. A seguir, a íntegra do manifesto:

MANIFESTO

Em reunião do Conselho de Doutrina (presidido pelo Pastor Paulo Freire Costa) e da Comissão de Apologética da CGADB (presidida pelo Pastor Esequias Soares), realizada em 10 de abril de 2023 no Rio de Janeiro, foi deliberado que se forme uma subcomissão para redigir um “MANIFESTO CGADB (CONVENÇÃO GERAL DOS MINISTROS DAS IGREJAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL) SOBRE O UNICISMO”.

Essa subcomissão foi constituída pelos pastores: Esequias Soares, Carlos Roberto, Alberto Fonseca e Erivaldo de Jesus, os quais se reuniram em Jundiaí/SP em 18/04/23 para elaboração desse MANIFESTO em defesa da doutrina bíblica da Trindade e contra o UNICISMO defendido por alguns segmentos evangélicos, principalmente os líderes do Conjunto Voz da Verdade, cujas músicas são cantadas em nossas Igrejas, e outros movimentos que difundem em nosso meio literaturas unicistas.

Trata-se o presente texto de um manifesto, uma comunicação e orientação, sem caráter acadêmico ou técnico (ainda que as discussões e textos que o embasaram tenham sido dessa natureza), em linguagem coloquial de modo a informar líderes e membros de toda denominação sobre as conclusões à que chegaram os órgãos imbuídos de tal tarefa.

1. SOBRE A TRINDADE

A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, os cristãos do período apostólico reconheciam essa verdade. Essa doutrina está implícita no Antigo Testamento, pois há declarações que indicam claramente a pluralidade na unidade de Deus: “No princípio, criou Deus o céu e a terra” (Gênesis 1.1). O nome que aparece nessa passagem para “Deus” é ’ĕlōhîm.

Há três diferentes palavras hebraicas no Antigo Testamento para “Deus”: ’ēl, ’elōah e ’ĕlōhîm. A Septuaginta emprega o termo grego theos, “Deus”, para esses três vocábulos. O nome ’elōah é a forma expandida de ’ēl com a letra hê e ’ĕlōhîm é o plural de ’elōah. “A palavra ’eloah ‘Deus’ e seu plural ’elohim, é aparentemente uma forma expandida de ’El”.1 Esse plural é conhecido como pluralis excellentiae ou maiestatis [plural de excelência ou majestático].

As Escrituras ensinam que existe um só Deus e que Deus é um só. Essa doutrina vem desde o Antigo Testamento (Dt 6.4; 2 Rs 19.15; Ne 9.6; Sl 83.18; Sl 86.10). O Deus de Israel, revelado nas Escrituras dos judeus, é o mesmo Deus do cristianismo (Mc 12.29-32). Os cristãos herdaram dos hebreus não apenas o seu monoteísmo, mas também outros aspectos teológicos e éticos.

A Bíblia que ensina haver um só Deus, e que Deus é um só, ensina também que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. O nome “Deus” se aplica ao Pai sozinho (Fp 2.11), da mesma forma ao Filho (Cl 2.9) e ao Espírito Santo (At 5.3,4). Aparece, na maioria das vezes, com referência à Trindade (Dt 6.4). Isso também ocorre com o Tetragrama (as quatro consoantes do nome divino YHWH), pois aplica-se ao Pai sozinho (Sl 110.1), ao Filho (comp. Is 40.3; Mt 3.3), e ao Espírito Santo (Ez 8.1,3). No entanto, aplica-se à Trindade (Dt 6.4; Sl 83.18). Isso não é triteísmo, mas a Santíssima Trindade.

A Trindade é a união de três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, em uma só Divindade, sendo iguais, eternas, da mesma substância, embora distintas, sendo Deus cada uma dessas Pessoas (Mt 28.19; 1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13; Ef 4.4-6; 1 Pe 1.2).

2. SOBRE O UNICISMO

O unicismo é uma divisão das Assembleias de Deus nos Estados Unidos e cuja doutrina é um desvio teológico no que diz respeito à santíssima Trindade e à soteriologia. Trata-se de uma adaptação da antiga doutrina conhecida como modalismo e sabelianismo. Nos tempos modernos, os unicistas foram chamados de “movimento do nome ‘Jesus’”, mas seus opositores os chamavam de “Só Jesus”. Os principais unicistas no Brasil são a Igreja Voz da Verdade, do conjunto de mesmo nome, o Tabernáculo da Fé, a Igreja Local, o movimento Árvore da Vida e as Testemunhas de Yehoshua, entre outros.

O nome é “modalismo” porque ensinava que as três Pessoas da Divindade se manifestavam por três modos e o termo “sabelianismo” vem do bispo Sabélio, que foi um dos principais expoentes dessa doutrina. Noeto, Práxeas e Sabélio (todos do século III) foram os principais expoentes, para não dizer, os pais dessa doutrina na antiguidade. O sabelianismo ganhou espaço por mais ou menos cem anos em Roma, Ásia Menor, Síria e Egito. Em 263, Dionísio de Alexandria, enfrentou o próprio Sabélio derrotando o sabelianismo. Depois disso, o Cristianismo passou a repudiar o sabelianismo, e o combate a essa heresia continuou até que ela desaparecesse completamente da história.

O unicismo moderno veio de um desvio do movimento da Rua Azusa, em 13 de abril de 1913, num encontro pentecostal internacional em Arroyo Seco, Pasadena, Califórnia. A irmã Mary B. Woodworth-Etter, pioneira do Movimento da Rua Azusa, era uma conferencista, quando o evangelista canadense, Robert Edward McAlister, afirmou naquele evento que os apóstolos batizavam em nome de Jesus. Isso causou impacto aos presentes, mas depois McAlister procurou reverter esse quadro, porém já era tarde. John G. Schaepe, um imigrante alemão de Danzig, disse ter orado aquela noite inteira e pela manhã do dia seguinte e pregava que o Senhor havia revelado a verdade sobre o batismo em nome de Jesus, conforme Atos 2.38. Muitos creram na sua mensagem.

Os unicistas afirmam que “Deus é Jesus”, diferente de “Jesus é Deus”. Isso não é um mero jogo de palavras. Embora defendam a deidade absoluta do Filho e do Espírito Santo, negam a Trindade. Eles ensinam que o Pai se encarnou e que o Espírito Santo é o mesmo Pai e Filho. Os movimentos unicistas modernos como os antigos negam a doutrina bíblica da Trindade, mas não a deidade absoluta de Jesus e do Espírito Santo.

A mesma Bíblia que ensina haver um só Deus, e que Deus é um só, como foi demonstrado acima, ensina também que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. Isso não é triteísmo e nem unicismo, mas a Santíssima Trindade. A Trindade, portanto, reiteramos, é a união de três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, em uma só Divindade, sendo iguais, eternos, da mesma substância, embora distintas, sendo Deus cada uma dessas Pessoas. Há perfeita harmonia bíblica entre monoteísmo e trinitarianismo.

Jesus é o Filho do Pai (2 Jo 3) e não o próprio Pai. Basta uma leitura simples da Palavra de Deus, principalmente nos quatro evangelhos, para se descobrir o absurdo dessa doutrina sabelianista. No batismo de Jesus, são manifestas as três Pessoas distintas da Trindade — o Pai falando do céu, o Filho saindo das águas do Jordão, e o Espírito Santo repousando sobre ele. Como os três podem ser uma só Pessoa? Nos evangelhos, encontramos com frequência Jesus fazendo menção do seu Pai como outra Pessoa. Jesus disse: “Também na Lei de vocês está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. Eu dou testemunho de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, também dá testemunho de mim” (Jo 8.17, 18). Jesus está falando de duas Pessoas e não de uma. Ele afirmou que veio do Pai e que voltava para o Pai. Mais de 80 vezes Jesus afirmou que não era o Pai. Muitas vezes se dirigia ao Pai em oração (João 17). Afirmar que Pai e Filho são uma mesma Pessoa é um disparate.

3. EVITANDO HERESIAS DESTRUIDORAS EM NOSSAS MÚSICAS

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus condena o unicismo e outras doutrinas contrárias à Trindade no Capítulo III.2. Alguns grupos declaradamente unicistas têm penetrado em nosso meio por meio da música e da literatura, como as canções do conjunto Voz da Verdade e a literatura da Igreja Local e também da Árvore da Vida. A música mexe com os sentimentos e emoções dos seres humanos, e suas mensagens são pouco percebidas nas suas letras e canções. Uma das sutilezas desses movimentos, não só unicistas, mas com costumes totalmente contrários aos nossos princípios, é conquistar o nosso público, e depois atrair o nosso povo para aderirem ao que seus líderes defendem e ensinam. Os líderes do conjunto Voz da Verdade consideram que a Doutrina da Trindade é algo “forjado pelo homem” e sem nenhum valor bíblico. O apóstolo João nos alertou, dizendo: “Tenham cuidado para que não percam aquilo que temos realizado com esforço, mas recebam plena recompensa. Todo aquele que vai além da doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém for até vocês e não levar esta doutrina, não o recebam em casa, nem lhe deem as boas-vindas. Porque aquele que lhe dá boas-vindas se faz cúmplice das suas obras más” (2 Jo 8-11). Ainda que sejam letras aparentemente inofensivas, quem canta estas canções e convidam esses cantores para se apresentarem em suas Igrejas, estão sendo cúmplices de quem defende uma doutrina contrária ao que cremos, e viola a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Capítulo III.2 que condena o Unicismo.

Por fim, ressaltando a importância da doutrina de Deus, lembrando as palavras do Senhor Jesus que diante da gravidade do assunto disse: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). E o apóstolo Paulo alerta as igrejas contra o “outro Jesus”, diferente daquele pregado pelos apóstolos (2 Co 11.4). Recomendamos uma atenção maior dos maestros e regentes dos conjuntos, corais, orquestras e bandas das nossas Igrejas para zelarem pela música sacra e genuinamente bíblica (Sl 33.1-4; Hb 13.15 etc.).

CONCLUSÃO

Ex positis e lastreados nos argumentos supra expostos, mais uma vez fazendo frisar que o presente manifesto não se destina a fins acadêmicos e não se valeu propositalmente de tal linguagem ou forma de escrita, o Conselho de Doutrina bem como a Comissão Apologética da CGADB reafirmam seu alinhamento ao entendimento trinitário das Assembleias de Deus, enfatizando a necessidade do não uso das músicas unicistas e da não circulação de suas publicações nas Assembleias de Deus dos grupos religiosos acima mencionados bem como de outros não citados no presente documento.

CONSELHO DE DOUTRINA: Pr. Paulo Freire Costa (Presidente), Pr. Nemias Pereira da Rocha (Vice-presidente), Pr. Emanuel Barbosa Martins (Secretário), Pr. Carlos Roberto da Silva (Relator), Pr. José Antônio da Silva Sobrinho, Pr. Erivaldo Ferreira da Silva, Pr. Santônio Xavier dos Santos Vale, Pr. Marinaldo Soares Lopes, Pr. Francisco Pereira, Pr. Osmar Alves de Siqueira, Pr. Ezequiel Machado (membros).

COMISSÃO APOLOGÉTICA: Pr. Esequias Soares da Silva (presidente), Pr. Elinaldo Renovato de Lima (Vice-presidente), Pr. José Hamilton de Amarante (Secretário), Pr. André Custódio Moreira Júnior (Relator), Pr. Sisaque da Silva Valadares, Pr. Erivaldo de Jesus Pinheiro, Pr. Alexandre Brum Pedroso, Pr. Denio Staner Storben, Pr. Eliezer Miranda Barbosa, Pr. Jessé Leandro da Silva, Pr. José Gonçalves da Costa Gomes (membros).

Jundiai, 18 de abril de 2023

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BOTTERWECK, Johannes G. and RINGGREN, Helmer (Editors). Theological Dictionary of the Old Testament, vol. I. Grand Rapids, MI, USA: Eerdmans Publishing Company, 1990. p. 273.


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