Boris Johnson, o novo premiê britânico
Boris Johnson, do Partido Conservador, assumirá o cargo de novo primeiro ministro da Grã-Bretanha. (Foto: Jacob King / PA via AP)

O ex-ministro das Relações Exteriores e ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, assumirá o posto de premiê britânico. O cargo estava vago desde maio quando Theresa May renunciou em meio a impasses nas discussões dos termos do Brexit.

Nesta terça-feira, o Partido Conservador anunciou que Boris Johnson foi o vencedor da votação realizada entre membros do partido.

Johnson obteve 92.153 votos, contra 46.656 do atual chanceler Jeremy Hunt. O chanceler foi o único político que restou na briga pelo posto de premiê, após as rodadas anteriores de votações.

Johnson, de 55 anos, é defensor do Brexit e prometeu, durante a campanha, implementá-lo o mais rapidamente possível. Lembrando que o prazo atual, já renegociado duas vezes, para a saída britânica da União Europeia é 31 de outubro.

Johnson assumirá o cargo na quinta-feira herdando a crise política que permeia o Brexit e que já derrubou dois premiês. O primeiro foi David Cameron, que renunciou diante dos resultados pró-Brexit do plebiscito realizado em 2016. E por último, Theresa May, que anunciou sua renúncia em meio a impasses nas discussões dos termos do Brexit.

Johnson herda o mesmo Partido Conservador e o Parlamento dividido que ajudou a frustrar e finalmente derrubar Theresa May.

O novo premiê também pode receber um voto de não-confiança e uma eleição antecipada dentro de algumas semanas. No entanto, ele tem um amigo do outro lado do Atlântico.

O presidente Donald Trump disse: “Eu gosto dele. Eu gosto do Boris Johnson. Falei com ele ontem. Acho que ele vai fazer um ótimo trabalho. Acho que vamos ter um ótimo relacionamento”.

Essa amizade entre o presidente americano e o novo premiê irrita alguns no establishment britânico.

Boris Johnson chega ao número 10 da Downing Street em um momento desafiador para qualquer primeiro-ministro. Há temores de que a guerra possa irromper após o confisco de um petroleiro britânico pela Guarda Revolucionária do Irã. Fato ocorrido na última sexta-feira em vingança pela captura britânica de um petroleiro iraniano de Gibraltar no início deste mês.

Mas Johnson já sinalizou que não é um falcão no Irã. Durante debates da TV na semana passada, Johnson disse que não apoiaria a ação militar dos EUA contra o Irã.

Do jornalismo à política

Johnson é conhecido por seu cabelo desgrenhado, algumas gafes, frases polêmicas e o gosto pelos holofotes. Ao mesmo tempo, é popular entre uma parcela relevante do Partido Conservador.

Ele é conhecido por suas maneiras ocasionalmente malucas e adotou um estilo populista que lhe serviu bem. Segundo analistas da política britânica, há tempos ele almeja o cargo de premiê.

Boris Johnson nasceu em Nova York, em 1964, e até pouco tempo tinha dupla nacionalidade britânico-americana. Segundo a agência France Presse, sua irmã Rachel dizia que desde criança ele queria ser “o rei do mundo”.

Já na Inglaterra, Johnson estudou em Eton, centenária e prestigiosa escola privada, e depois na Universidade Oxford. A universidade é percurso tradicional entre personagens da elite política britânica.

Na universidade, integrou, junto a David Cameron, o famigerado Bullingdon Club, um antigo clube exclusivo para estudantes homens. Em geral para ricos e conhecido por suas festas regadas a bebida e confusão.

Johnson começou sua vida profissional como jornalista do periódico The Times. Lá foi demitido após ter sido acusado de inventar uma frase de um entrevistado. Depois tornou-se conhecido no meio jornalístico como correspondente em Bruxelas do jornal The Daily Telegraph.

Entrou definitivamente para o cenário político em 2001, quando foi eleito parlamentar. Três anos depois, foi demitido de um alto posto na hierarquia do Partido Conservador. A causa da demissão foi por supostamente ter mentido a respeito de um caso extraconjugal.

Mas foi reeleito para o cargo no ano seguinte e, em 2008, conquistou o posto de prefeito de Londres. Ocupou o cargo por oito anos e a essa altura já era nacionalmente conhecido.

Johnson voltou ao Parlamento em 2015, eleito por um subúrbio do noroeste de Londres. No plebiscito de 2016 foi umas das principais figuras políticas a apoiar o voto pró-Brexit, que acabaria sendo vitorioso.

Com a saída do premiê David Cameron, Johnson foi um dos cotados a assumir o governo em 2016. Acabou sendo passado para trás depois de perder o apoio de seu coordenador de campanha, Michael Gove, que questionou sua capacidade de liderança.

O posto acabou ficando com Theresa May, e Johnson se tornou secretário das Relações Exteriores.

Boris Johnson, o novo premiê britânico
Theresa May e Boris Johnson em 2017. Ele foi secretário do governo dela, mas saiu fazendo duras críticas. (Foto: PA)

O polêmico Brexit

Johnson foi uma figura de destaque na campanha a favor do Brexit durante o referendo em 2016.

Ficou conhecido por seus ataques à União Europeia. Muitos o acusaram de “exagerar” ou mesmo “mentir” nos ataques ao bloco e sua defesa dos supostos benefícios do Brexit.

O episódio mais polêmico desse período foi quando afirmou que o Reino Unido enviava 350 milhões de libras (cerca de R$ 1,6 bilhão) por semana à UE. Mas críticos apontaram na época que o número estava errado, uma vez que não levou em conta o montante que é devolvido pela UE, ou mesmo quanto desse dinheiro era gasto posteriormente no Reino Unido.

Johnson foi chanceler por dois anos e deixou o posto depois de vários desentendimentos com May por conta do Brexit.

Em junho de 2018, por exemplo, declarou que a então premiê precisava mostrar “mais coragem” nas negociações com a EU. Nisso, contou com apoio explícito do presidente americano, Donald Trump.

Mais tarde Trump disse que Johnson faria um “grande trabalho como premiê”. Completou dizendo que ele daria um jeito no que chamou de “desastre” de May no Brexit.

Johnson afirma que se comprometerá com o prazo do Brexit, mesmo na ausência de um acordo com o bloco europeu. O temido cenário do “no deal Brexit”, a saída unilateral sem acordo do bloco, traria consigo várias incertezas. A ação colocaria em xeque a relação do Reino Unido e dos britânicos com a Europa.

“Caso contrário, enfrentaremos uma catastrófica perda de confiança na política”, declarou.

Também disse que se recusará a pagar a “conta” do Brexit, a não ser que sejam oferecidos termos mais favoráveis.

A União Europeia exige como compensação pela saída do Reino Unido, cerca de 39 bilhões de libras (R$ 181 bilhões).

Adaptado com informações da BBC News e do CBN News
DEIXE UM COMENTÁRIO_____________________________
Siga Seara News no Twitter, no Facebook e Instagram
“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui