Boko Haram invade cidade e mata 100 pessoas

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Boko Haram invade cidade e mata 100 pessoas

Suspeitos, membros do grupo radical islâmico Boko Haram, tomaram Gwoza, a maior cidade no nordeste da Nigéria, estado de Borno, no dia 5 de agosto.

Detalhes do ataque são imprecisos; várias pontes que ligam a cidade à capital de Borno, Maiduguri, e outras áreas adjacentes foram destruídas em ataques anteriores, e linhas telefônicas foram cortadas.

Peter Biye, um membro do Parlamento representando Damboa, Chibokand Gwoza, disse ao World Watch Monitor que pelo menos 100 pessoas foram mortas. Os atacantes, disse ele, “vieram em massa” trajados de uniformes do exército e chegaram em 15 vans, motocicletas e outros veículos, por volta das 5 da tarde. “Eles perseguiam todos, atirando indiscriminadamente e matando dezenas”, disse Biye. “Infelizmente, nós perdemos um importante líder da igreja, Pastor Musa Ayuba, da Igreja COCIN”.

A COCIN, ou Churchof Christ in Nations (Igreja de Cristo para as Nações) com sede na capital do país, confirmou a morte de Ayuba. Ele era encarregado de uma igreja em Guduf, uma pequena comunidade a leste da cidade de Gwoza. Ele foi morto enquanto tentava fugir do ataque.

Os atacantes queimaram um número ainda não levantado de igrejas, lojas, casas e prédios do governo. Centenas de moradores fugiram para as montanhas ao derredor. O paradeiro do líder tradicional da cidade, o recém-instalado Emir de Gwoza, Mohammed Timta, permanece desconhecido. Seu pai e predecessor, Shehu MustaphaIdris Timta, foi morto em 30 de maio por atacantes do BokoHaram.

Biye disse que tropas do exército posicionadas em Gwoza oferecem pouca resistência aos militantes, que possuem sofisticadas armas, incluisive um veículo blindado.

“O exército costumava vir mensalmente para seu quartel general em Gwoza e voltar para Maiduguri,” disse Biye. “Infelizmente, na segunda-feira eles deixaram cerca de 150 soldados lá, mas os soldados estavam em número bem inferior ao dos insurgentes. O exército teve que fugir por conta da superioridade do poderio bélico dos militantes.”

Os insurgentes astearam suas bandeiras pretas e brancas nos edifícios de Gwoza.

No dia 21 de julho, o Boko Haram tomou Damboa, outra principal cidade nesta região densamente povoada, matando centenas e deslocando mais de 15.000 pessoas, de acordo com a direção da Agência de Emergência da Nigéria (Nigeria Emergency Management Agency). O exército desde então tem expulsado o Boko Haram de Damboa.

Medo e incerteza

Biye disse que tais vitórias para o Exército são exceção.

“Na verdade, em nossa região, o exército está perdendo território”, disse ele. “Os moradores estão muito desapontados e perderam a esperança. A situação é tão ruim que quando os insurgentes são avistados o exército bate em retirada e os aldeões fogem também. Então, quem vai nos proteger?”

O Boko Haram, sediado no nordeste do estado de Borno, tem intensificado sua campanha mortal nos últimos dias, alvejando vários locais de adoração cristãos.

Em 30 de julho, pelo menos cinco igrejas foram arrasadas enquanto militantes atacaram Kwajaffa, Tashan Alade e outras comunidades predominantemente cristãs em Hawul, área onde está sediado o governo local, ao sul do estado de Borno. O ataque, realizado com dispositivos explosivos improvisados e bombas de gasolina, foi o segundo na área de Hawul em menos de uma semana.

Kano, o principal eixo comercial do norte da Nigéria, sofreu quatro ataques suicidas em menos de uma semana. O primeiro, em 27 de julho, uma mulher-bomba suicida se auto detonou na Igreja Católica de St. Charles, logo após a missa em Sabon Gari, um enclave(*) cristão de Kano. A área tem sido alvo em várias ocasiões por Boko Haram nos últimos meses.

No dia seguinte, duas mulheres-bomba explodiram respectivamente em uma feira comercial e um posto de gasolina, matando uma pessoa e ferindo pelo menos seis outras. Em 30 de julho, uma jovem de 18 anos detonou um dispositivo na Escola Politécnica de Estudos Legais Islãmico do Estado de Kano, matando 16 alunos enquanto eles verificavam um quadro de avisos. No mesmo dia, outro ataque foi evitado quando a polícia prendeu dois suspeitos de serem membros do Boko Haram que viajavam com uma garota de 10 anos que estava usando um cinto de explosivos suicida, na cidade de Funtua, na relativamente pacífica vizinhança do estado de Katsina.

Analistas têm percebido a nova tática do BokoHaram de usar mulheres-bomba.

Enquanto isso, a violência facciosa continua no “Cinturão Central” da Nigéria, onde o norte predominantemente muçulmano faz fronteira com o sul majoritariamente cristão. Pelo menos uma pessoa foi morta e várias outras ficaram feridas quando um atirador, aludido como pastor Fulani, invadiu a Igreja Católica em Ungwar Poppo, uma aldeia ao sul do estado de Kaduna, em 3 de agosto. O ataque marcou o terceiro surto de violência religiosa em Kachia esse ano.

Ataques realizados por pastores Fulani na Nigéria central, nos estados de Kaduna e Plateau atingiram um nível sem precedentes este ano. A violência tem se espalhado também para outros estados tais como Taraba e Bauchi no leste. Alguns analistas apontam para o uso de táticas de guerrilha, que visam aniquilar toda uma comunidade. Mulheres e crianças têm estado entre as vítimas, e em alguns casos famílias importantes, tais como líderes comunitários ou religiosos, foram alvejados.

Nota da tradução – (*) Enclave: território com distinções políticas, sociais e/ou culturais cujas fronteiras geográficas ficam inteiramente dentro dos limites de um outro território.

Fonte: Assessoria de Imprensa – ANAJURE

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