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Bispo católico Dom Álvarez é condenado a 26 anos de prisão na Nicarágua

O bispo de Matagalpa foi condenado por um tribunal nicaraguense depois de se recusar a deixar o país junto com outros sacerdotes e opositores políticos

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O Tribunal de Apelações da Nicarágua condenou o bispo católico Rolando Álvarez Lagos a 26 anos de prisão, no dia seguinte à sua recusa em embarcar num avião, para o exílio nos EUA, junto com 222 outras pessoas, padres, seminaristas, opositores políticos ou simples críticos do regime. Uma sentença lida por um juiz da Corte de apelação definiu dom Álvarez, 56 anos, “um traidor da pátria”, condenando-o a permanecer na prisão até 2049.

Sentença antes do julgamento

O bispo de Matagalpa, acusado de “conspiração para minar a integridade nacional e propagação de falsas notícias através das tecnologias da informação e da comunicação em detrimento do Estado e da sociedade nicaraguense”, já cumpria prisão domiciliar e aguardava o julgamento, previsto para começar em 15 de fevereiro, porém, o veredito foi antecipado diante da recusa do bispo de ser deportado para os Estados Unidos.

O presidente Daniel Ortega falou sobre a condenação de Dom Álvarez na televisão nacional, chamando a posição do bispo de “absurda” e afirmando que ele está preso por “terrorismo”.

Perseguição

O cardeal Jean-Claude Hollerich denunciou a falsidade das acusações em uma carta datada de 6 de fevereiro e dirigida a Dom Carlos Enrique Herrera Gutiérrez, presidente da Conferência Episcopal Nicaraguense.

Na missiva, o cardeal, em sua qualidade de presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (COMECE), se posicionou sobre a situação na Nicarágua, expressando a solidariedade dos bispos da União Europeia para com a Igreja católica no país centro-americano “que enfrenta um profundo sofrimento como resultado da perseguição do Estado”. Hollerich denunciou o agravamento da situação com eventos recentes como “o fechamento de estações de rádio católicas, a obstrução do acesso às igrejas pela polícia e outros atos graves que perturbam a liberdade religiosa e a ordem social”.

Da prisão domiciliar ao cárcere

Dom Álvarez é o primeiro bispo a ser preso e condenado desde que o presidente Daniel Ortega voltou ao poder na Nicarágua, em 2007. Ele havia sido levado do palácio episcopal em Matagalpa na madrugada de 19 de agosto por policiais, juntamente com padres, seminaristas e leigos, após ter sido detido à força durante 15 dias na Cúria sob a acusação de tentar “organizar grupos violentos” com o “objetivo de desestabilizar o Estado nicaraguense e atacar as autoridades constitucionais”. O bispo foi depois transferido para sua residência particular em Manágua sob prisão domiciliar, mas agora foi transferido para uma prisão de segurança máxima.

Além do bispo Álvarez, dois outros sacerdotes, Manuel García e José Urbina, do clero da Diocese de Granada, ainda estão detidos em prisões nicaraguenses.

Sacerdotes expulsos como “traidores à pátria”

Outros cinco padres, um diácono e dois seminaristas acusados de “conspiração” e condenados a dez anos de prisão já chegaram aos EUA, onde devem receber uma autorização de residência por um período inicial de dois anos. As oito pessoas estão entre aquelas para as quais o Tribunal de Apelação de Manágua ordenou “a expulsão imediata e efetiva por cometer atos que minam a independência, soberania e autodeterminação do povo, por incitar a violência, o terrorismo e a desestabilização econômica”. Os expulsos foram declarados “traidores da pátria”, tiveram seus “direitos de cidadania suspensos por toda a vida” e foram privados de sua cidadania nicaraguense.

Repressão

Antes da eleição, Ortega prendeu sete candidatos à Presidência, além de jornalistas, ativistas e líderes empresariais, cívicos e trabalhistas. Ao assumir seu quarto mandato consecutivo em uma eleição interpelada por Estados Unidos, Canadá e União Europeia, Ortega aumentou a repressão, fechou organizações cívicas, instituições de caridade e universidades privadas.

(Com Vatican News e Revista Oeste)
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