As Igrejas Pentecostais não são currais eleitorais não senhor!

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“A ideia de “curral eleitoral” é inaplicável aos evangélicos…”

Por Silvio Costa

As Igrejas Pentecostais não são currais eleitorais não senhor!A meu ver “curral eleitoral” é uma expressão preconceituosa e incoerente dirigida aos evangélicos – principalmente aos pentecostais. Tal acepção é inaceitável por que em regra é erguida sobre meras informações de censos recentes realizados no país onde percebeu-se menor grau de escolaridade entre os pentecostais. Como contra-argumento, grau de escolaridade é muito relativo para ser tomado como instrumento de medida da competência e autonomia eleitoral dos evangélicos. Não discuto a epistemologia que fundamenta e engrena os censos – mas tomar grau de instrução para levantar uma absurda conjectura métrica e com isso taxar ou generalizar o estrato evangélico da sociedade – além de simplista, é discriminação mesmo!

O pano de fundo histórico da ideia de “curral eleitoral” é também inaplicável aos evangélicos, pois a origem da expressão vem do tempo em que o voto era aberto no Brasil. Assim, os coronéis mandavam capangas para os locais de votação, com objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos na base da pressão. As regiões controladas politicamente pelos coronéis eram conhecidas como currais eleitorais. Pergunto aos que me leem: isso acontece entre os evangélicos? Há jagunços do lado de fora das seções eleitorais a mando de pastores forçando crentes a votarem em seus candidatos? Claro que não.

É óbvio que quando se trata de crítica a cristãos é tudo aplicável, e neste caso os oradores do desmérito do voto pentecostal haverão de afirmar que a aplicação de “curral eleitoral” é puramente simbólico. Mas, simbólico em qual sentido? Pois as figuras de linguagem que compõem a literatura sempre retratam alguma coisa factível e assimilável – mas, curral eleitoral mesmo em “linguagem simbólica” é aplicável a quê entre os evangélicos? Não creio que tal sentença seja inocência por parte dos críticos – reafirmo novamente: é preconceito. Será que acreditam mesmo que os membros de igrejas pentecostais e neopentecostais votam somente naqueles que os pastores apoiam? Se sim, informo-lhes é ledo engano – pois na prática – não é assim que acontece.

A prova mais incontestável e que reforça minha argumentação é que pastores que se candidataram, filhos de pastores e tantos outros candidatos “aprovados” por grandes lideranças pentecostais (a citar como exemplo) jamais conseguiram se eleger pelo simples fato de que não há curral eleitoral entre nós! O que ocorre é que opositores baseados em lascas de censos perdem o bom senso ao proferirem tacanha consideração aos crentes. O apoio de um líder eclesiástico a um candidato influencia bastante na decisão dos membros, assim como o de um patrão sobre empregados, de um líder comunitário sobre a própria comunidade e aí nessa perspectiva (a mesma que generaliza pentecostais como massa de manobra) teríamos que concordar que há muito mais que currais, e como “coletivo” mais apropriado “fazendas eleitorais” – mas do ponto de vista filosófico há controvérsias nessa afirmação e no aspecto democrático e livre do voto – pouco sustentável para firmar-se como caracterização de tanta gente manipulada.

O que poucos desses “cristofóbicos” entendem é que as verdadeiras influências sobre a decisão de voto dos cristãos (e principalmente entre os pentecostais) têm muito mais a ver com seus valores fundamentados nas Escrituras que com indicação ou sugestão de líderes. O direito de votar, a liberdade da escolha política para o evangélico transcende deveres cívicos e alcança sob algum aspecto um sentido também apologético e espiritual. É um voto de total consciência sem pressão de fora e com total convicção pessoal em consonância com o que se vive e se espera de um Brasil não evangélico, mas que também não seja ateu e liberal a ponto de comprometer gerações futuras com aborto, drogas, sexo sem orientação e sobretudo, o enfraquecimento da principal estrutura social que é a família.

Portanto, evangélicos não votam por comandos eclesiais – exercem sua cidadania de forma individual e consciente na defesa de valores universais conforme contidos na Bíblia Sagrada.

2 COMENTÁRIOS

  1. A verdade é que no passado havia grande preconceito com os evangélicos em todas as áreas, hj avançamos muito…somos respeitados na maioria das situações e áreas como por exemplo na politica, mas que vê e ouve o Pr. Silas Malafaia falando em relação a politica, pensa que somos todos guiados por ele pelo pensamento dele, e agora com esse Pr. Everaldo e seu comportamento politico ??? Lamentável!!!!

  2. Um evangélico que não apoia a candidatura do pastor ou do indicado pelo pastor passa a ser mal visto em algumas igrejas. Em alguns lugares, é bem pior do que o antigo curral eleitoral, a imposição de alguns pastores chegam a ameaçar a salvação do membro, intimidam com maldições, perda de cargo na igreja. É difícil acreditar que um pastor aceitará normalmente um pastor auxiliar na igreja que apoiou outro candidato diferente do candidato do pastor etc.

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