As consequências do pecado de Davi
O momento de triunfo e realizações é também momento de vigilância contra o mal. | Foto: Capa da Lição 11

Escola Dominical – Comentário de apoio: Lição 11 do 4º trimestre de 2019 – As consequências do pecado de Davi

A filosofia, a psicologia, a teologia e a ciência, tem pesquisado, procurando descobrir a origem do pecado. Os resultados diferem muito entre si, porém a Bíblia Sagrada nos dá a definição correta, a respeito desse assunto.

Portanto, descobrimos através das páginas sagradas, o que ocorreu com Davi, e como o “homem segundo o coração de Deus” (1Sm 13.14; At 13.22) pôde trazer tantas dores, e tristezas para a sua vida, sua família e sua nação. Fica claro que tudo foi por falta de vigilância, em sua vida, o que acabou levando-o a pecar contra Deus e consequentemente, sendo obrigado a sofrer inúmeros prejuízos, por causa de suas más escolhas. Isso nos leva a crê que a todo momento precisamos de Deus, para nos ajudar e nos livrar no momento da tentação.

 I. Origem e definição do pecado no Antigo e no Novo Testamento

O pecado não pode ter originado de Deus, pois a Bíblia diz que Deus é santo (1Pe 1.16). “Deus é luz, e não há nele treva alguma” (1Jo 1.5); “Deus também não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (Tg 1.13).

a) O pecado também não originou do homem

O homem foi criado à imagem de Deus: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou” (Gn 1.27). Foi criado perfeito: “Viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gn 1.31).

“Deus fez ao homem reto” (Ec 7.29). Quando Adão e Eva foram criados, o mal já existia no universo.

b) O pecado nasceu no coração de Lúcifer

O Senhor Jesus revelou a origem do pecado, quando disse: “Ele [Satanás] foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44).

“O diabo peca desde o princípio” (1Jo 3.8). Ele era um “querubim ungido criado para proteger” (Ez 28.14). “No monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas”. Diante de tudo isso, ele, planejou rebelar e subir ao céu, acima das estrelas de Deus, exaltar seu trono, e, assentar no monte da congregação, da banda dos lados do Norte. Disse ele, serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.13,14). Ele pôs esse pensamento em ação, contra Deus, porém foi lançado fora do céu (Ez 28.15,16; Lc 10.18). Desde então, o Diabo tornou-se o adversário de Deus. Satanás (heb. satã) ou Diabo (gr. diabolos) em português: “adversário, acusador”.

c) Duas definições para o pecado
  1. Desobediência (Hb 2.2). Significa insubmissão ou rebelião, coisa que, diante de Deus, é como feitiçaria (1 Sm 15.2). Foi o que Adão e Eva cometeram (Rm 5.19).
  2. Iniqüidade (Rm 2.8; 1 Jo 5.17).

A palavra hebraica “ãwôn” origina-se de “ãwâ”, a qual traz o sentido de “dobrar”, “torcer”. Assim, o pecado é a “inclinação má” dentro do ser humano, ou a direção “tortuosa”, ou ainda ações “deformadas” dos pecadores.

d) “Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.23)

As Escrituras descrevem o pecado, como sendo de natureza má em todos os seus aspectos, e como algo áspero, mau e nocivo, ou como “qualquer falta que fere a santidade de Deus”. A falta de equidade, o não reconhecimento do direito, ou dos princípios imutáveis da justiça é algo que causa desordem, e quanta desordem o pecado não tem causado na vida do homem! Na rebelião de Lúcifer contra Deus, houve uma eterna desordem. Por isso o Anticristo é chamado “o iníquo” (2 Ts 2.8).

II. O profeta Natã repreende o rei Davi

Deus mandou o profeta Natã ir ao palácio real, onde narrou a parábola da cordeira do camponês. Se Natã tivesse falado de forma direta e imediata, censurando a culpa do rei, decretando a sentença devida ao seu pecado, é pouco provável que Davi desce ouvidos. Essa tocante história da cordeira despertou o lado bom do rei Davi. Pelo emprego do método parabólico, contudo, Natã desmascarou o terrível pecado do rei e, extraiu dele a exclamação “pequei”, que deu origem ao salmo 51, a um arrependimento tão sincero, quanto tinha sido grave a transgressão. Assim que Davi confessou o pecado, a resposta de Natã foi imediata: o Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás. Se nós, como crentes, pecamos, não importa qual seja o nosso pecado, A promessa é: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).

Davi condenou-se a si mesmo de forma tão absoluta quanto condenara o homem rico da parábola e, com duradoura e profunda dor, usufruiu mais uma vez do sorriso perdoador de Deus.

O pecado deixa o ser humano despido diante de Deus (Gn 3.7) Antes da queda o homem e a mulher também estavam nus (Gn 2.25); porém, cobertos pela glória da presença de Deus (SI 104.2; 1 Tm 6.16). Quando caíram em pecado, foram destituídos dessa glória (Rm 3.23), e “foram abertos os seus olhos e puderam ver que estavam nus” (Gn 3.7). Somente quando somos vestidos pelas vestes da justiça de Deus por Jesus Cristo (Is 61.10), ou noutra expressão, revestidos de Cristo (Gl 3.27), é que estamos preparados para encontrarmos com Deus. Aquele que não possuir essas vestes será achado nu (2 Co 5.3; Ap 16.15).

III. As consequências do pecado de Davi

Por causa do pecado o homem torna-se culpado diante de Deus, pois a culpa é uma omissão prejudicial, que pecando o homem ele, deixa de observar uma regra de conduta. Deus perguntou a Eva: “Por que fizeste isso?” (Gn 3.13). Aquele que tropeçar em um só ponto se torna culpado de todos (Tg 2.10). Assim, “todos estão sujeitos ao juízo de Deus” (Rm 3.19).

O pecado leva o homem a sofrer o juízo de Deus (Rm 1.18-20) A Bíblia diz: “Por essas coisas vem a ira de Deus” (Ef 5.6; Cl 3.6; Rm 2.5). Quando há perdão, a ira de Deus se retira (Is 12.1-3), mas permanecerá sobre aqueles que não aceitarem o único meio de perdão — Cristo — que Deus oferece (Jo 3.18).

Os prejuízos que o pecado traz para a vida do ser humano são incalculáveis. Depois do pecado o homem não tem mais tranquilidade, antes, do pecado não era assim, não existiam angústias, aflições, lágrimas, etc. Agora o homem, foi obrigado a enfrentar “tribulações e angústias” (Rm 2.9).

O pecado dominou o homem, de tal modo que o primeiro pecado se multiplicou e alastrou-se de tal maneira na vida do homem que o profeta Isaías disse: “Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã” (Is 1.6). O pecado contaminou o entendimento e a consciência do ser humano (Tt 1.15; 2 Co 4-4). A sua vontade ficou inteiramente sujeita ao mal (Rm 7.19-23): “Toda imaginação dos pensamentos do seu coração era só má continuamente” (Gn 6.5).

Pelo pecado o homem perdeu a sua posição de governo que Deus o dera para dominar (Gn 1.28); E, pelo pecado, tornou-se dominado, não somente pelo pecado, mas também pelas coisas criadas (Rm 1.25). Em lugar de ser senhor, tornou-se escravo da cobiça, da inveja, da avareza, etc. (1 Tm 6.10; Rm 1.29; 1 Tm 6.4). Em lugar de poder para não pecar, tornou-se escravizado pelo pecado (Jo 8.34).

Conclusão

Todo cristão deve manter-se sempre vigilante para não cair em pecado, pois a tentação, uma vez consumada, sempre trará consequências trágicas. O momento de triunfo e realizações é também momento de vigilância contra o mal. A essa altura Davi já era culpado da quebra do mandamento da Torah escrito em Deuteronômio 17.17.

A humanidade expressa, de muitas maneiras, um gemido de inconformismo que resulta em decorrência do seu pecado, o estado de separação de Deus, porém desconhece sua origem e o modo como deve tratá-lo.

Analisando com profundidade a questão do pecado e suas respectivas consequências, o apóstolo Paulo ressalta três gemidos existentes: o gemido da criação; o gemido da igreja e o gemido do Espírito (Rm 8.22,23,26).

A história de Davi e Bate-Seba, demonstra que na vida cada escolha feita de forma errada resultará em consequências desastrosas. Vimos que a escolha de Davi foi determinada por seu descuido espiritual. No entanto, apesar do pecado cometido por ele e Bate-Seba, dos desdobramentos de suas escolhas e das trágicas consequências, Deus demonstrou sua graça e amor, restaurando-os, perdoando-os e ainda mais, concedendo a eles a oportunidade de terem outro filho, de quem descenderia o Messias, o Salvador do mundo (Jo 3.16).

Bibliografia
– Teologia Sistemática – Eurico Bergsten
– Teologia para Pentecostais – vol. Ill
– Champlim – Enciclopédia de Teologia e Filosofia – vol.v
– Herbert Lockyer – Todas as Parábolas da Bíblia
– José Gonçalves – Davi – As vitórias e as derrotas de um homem de Deus


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