Argentina luta para manter sua liberdade religiosa

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Um pastor argentino alvo de ameaças de morte disse que seu país está enfrentando uma luta para manter sua liberdade religiosa. “A lei é uma ameaça à liberdade de todos os cristãos na Argentina”, disse Nieva ao World Watch Monitor.

Argentina luta para manter sua liberdade religiosa

Marcelo NIeva, 34, líder da Igreja Batista Pueblo Grande em Río Tercero, uma cidade na região central de Córdoba, Argentina, disse que a pressão sobre sua igreja tem crescido depois da introdução de uma lei no ano passado que deveria assegurar a liberdade religiosa, mas que segundo o pastor, está causando um efeito contrário. “Primeiro isso está afetando apenas a nossa igreja, então as pessoas não entendem o perigo disso. Mas nós sabemos quão perigosa essa lei é porque temos passado por isso", disse Nleva.

Embora seja apenas uma lei provincial, o que significa que ela se aplica apenas ao Estado de Córdoba, a Lei Argentina 9891 foi criada com ‘o propósito de prender e prevenir precocemente de qualquer situação de manipulação psicológica, e para prover assistência a vitimas de manipulação’. 

Superficialmente isso parece algo prestativo, mas Nieva diz que desde a implementação da lei em agosto do ano passado, as vidas de sua esposa Janet, 23, e de sua filha de um mês, Marta, estão sob ameaça, e que a pressão sobre sua igreja, cuja maioria dos membros é composta por ex-drogados e prostitutas, tem crescido.

A lei pretende impedir a manipulação psicológica de outras pessoas, mas Nieva disse que ela tem sido abusiva e aplicada a organizações religiosas. Por exemplo, o Artigo 3 estabelece ‘grupos que usem técnicas de manipulação psicológica: [incluindo] toda as organizações, associações ou movimentos que demonstrem uma grande devoção ou dedicação a uma pessoa, ideia ou objeto, e que empregue, em sua dinâmica proselitismo ou doutrina, técnicas persuasivas de coerção que promovam a destruição de personalidade.’

Após a implementação da lei, Nieva disse que sua igreja continua a ser acusada por políticos, pela polícia e por jornais locais como uma “seita controversa”.

Como resultado, Nieva  disse que o “ódio” contra a igreja tem aumentado na comunidade local e que como resposta a polícia regularmente ataca a igreja, quebrando janelas e saqueando suas propriedades.

Contudo, Dennis Pastoor, um analista da Portas Abertas Internacional, disse: “Nesse caso há uma crescente incompreensão do que é religião, e que as autoridades governamentais não deveriam interferir muito na esfera da igreja”.

O pastor Nieva disse que a pressão sobre sua igreja existia antes da implementação da lei, mas que desde então tem aumentado. Ele disse que ao longo dos últimos três anos, 100 dos 150 membros da igreja fugiram por causa da pressão contra eles.

Em novembro do ano passado, protestos foram organizados por uma rede de apoio para a Igreja Protestante na Argentina (Confederación Evangélica Bautista Argentina) contra a lei e contra a pressão em Pueblo Grande. Mas Nieva disse que os protestos só aumentaram a pressão sobre a igreja.

Agora o pastor disse que não ora mais pelo fim da pressão sobre sua igreja. Ao contrário, ele ora por paz e alegria em meio à angústia.

“Por um bom tempo nós esperávamos que um milagre acontecesse: que a perseguição parasse,” ele disse. “Mas o verdadeiro milagre é que nós podemos ter paz e alegria em nossos corações enquanto isso continuar.”

E Nieva, que por diversas vezes mudou de endereço por segurança de sua família, disse que nada vai parar seu trabalho. “Eu realmente amo as pessoas e creio que o papel do pastor é cuidar delas”, disse. “Há uma geração de pessoas aqui sem alguém que cuide delas. Deus precisa de gente que cuide, que as abrace e chore com elas”.

Fonte: Portas Abertas

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