Amor: a maior de todas as virtudes!
O amor pode ser definido conceitualmente como uma “afeição profunda por alguém ou por alguma coisa”. | Foto: Pixabay

Uma palavra tão pequena e aparentemente simples, mas que possui grande significado e amplitude.

Por Eduardo Veronese da Silva

Uma palavra tão pequena e aparentemente simples, mas que possui grande significado e amplitude que, muitas vezes, confundem o nosso aprendizado ao ponto de encontrarmos dificuldades para colocá-la em prática no cotidiano. O amor pode ser definido conceitualmente como uma “afeição profunda por alguém ou por alguma coisa”. Ou, também, como um conjunto de fenômenos afetivos e cerebrais que constituem o instinto sexual (FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda).

O termo afeição recebe inúmeros sinônimos, entre eles, apreço, bem-querer, carinho, ternura, amizade, devoção, meiguice, respeito, consideração e aceitação, entre outras definições. Logo, fica subentendido que tanto podemos amar pessoas, animais ou coisas inanimadas (objetos etc.). Portanto, devemos estar atentos com a amplitude do significado de cada uma dessas palavras.

É interessante frisar que existem diferentes tipos de amor: o amor dos pais pelos filhos; do marido pela esposa (e vice e versa); o amor entre irmãos; amigos e outras pessoas. Todos nós podemos amar e ser amados, mas com conotações e comportamentos diferentes, mas mesmo assim, continua sendo amor. O sábio Salomão escreveu aproximadamente três mil provérbios (1 Reis 4:32), mas gostaria de colocar em relevo, o registrado em seu capítulo 18:24, quando diz: “o homem que tem muitos amigos pode congratular-se (alegrar-se), mas há amigo mais chegado do que um irmão”.

Traduzindo noutras palavras, o amor e a amizade de certas pessoas, supera em alguns casos, aquele que é esperado ser praticado entre irmãos (biológicos). Mas, mesmo assim, continua sendo amor. Um exemplo clássico disso, se deu entre Davi e Jônatas, filho do rei Saul: “E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou com à sua própria alma” (1 Samuel 18:1). O que me deixa intrigado, é que acabamos confundindo a interpretação do termo amor, quando tentamos colocá-lo em prática, em nossos relacionamentos diários. Nessa confusão, acabamos tomando atitudes que trazem dor e sofrimento a pessoa que afirmamos amar. Primeiramente, vamos ver o que não é Amor:

1. Equívocos Sobre o Amor

Nossa proposta neste tópico, volta-se para apresentar alguns sentimentos humanos, que acabamos confundindo e fazendo uma interpretação equivocada, do que realmente vem a ser o amor. E quando fazemos isso, acreditando que é amor, metemos os pés pelas mãos, em vez de fazermos a pessoa feliz, trazemos muita tristeza, dor e sofrimento. Não podemos confundir mais, pois o Amor não É:

. Paixão: ela costuma ser muito forte e intensa, mas não dura para sempre. Ela costuma apresentar-se com compulsividade e, na maioria das vezes, acaba sufocando o outro. Muitas pessoas casam-se apaixonadas, pensando que é amor. O apaixonado costuma agir com desequilíbrio (ciúme doentio, desconfiança, autoritarismo, etc.). Depois de certo tempo, vivendo debaixo do mesmo teto a “ficha cai”. Pode vir o desespero e, muitas vezes, resultar em separação ou divórcio. Enquanto que o amor é um sentimento duradouro, fluindo naturalmente entre o casal, sendo praticado de diversas formas. Quem ama, tem uma conduta equilibrada, sabe controlar suas emoções e seus sentimentos em diversas momentos e circunstâncias. Quem ama e recebe amor do outro (é correspondido), confia e sente segurança em seu cônjuge.

. Sexo: ele foi criado por Deus para ser praticado entre o homem (varão, macho) e a mulher (varoa, fêmea). É algo de muita importância e faz parte desta convivência a dois, onde deve imperar o romantismo e a reciprocidade. Mas não confunda, a relação sexual não é tudo no relacionamento, inclusive não é amor. Muitas pessoas iniciam um relacionamento com a relação sexual (no primeiro encontro). Não houve sequer tempo de se conhecerem melhor, isto é, de namoro e noivado. Eles se apegam ao fato, por ter havido uma “química” entre as quatro paredes. E acreditam que “se amam”. Acabam confundindo o amor com o prazer sexual (ou a paixão). Se a constituição desse relacionamento estiver fiada apenas na relação sexual, tem pouca probabilidade de prosperar.

. Possessão: neste quesito, presume-se que a figura masculina seja quem mais erra na interpretação. E, como consequência, promove condutas constrangedoras e inadequadas. Os homens confundem o amor, a quem dizem amar, como se fosse sua propriedade (tipo um objeto). Quantas vezes você já ouviu algum homem dizer: “se ela não for minha, não vai ser de mais ninguém”. O maior índice de violência contra a mulher (lesões graves e mortes), parte do ex-marido ou ex-companheiro, principalmente por não aceitar a separação. Antigamente, conhecido como crime passional, hoje, tipificado como Feminicídio. Quem realmente ama, não espanca e, muito menos, mata o seu amor. Aliás, isto nunca foi ou é amor!

2 Coríntios 13:4-7: “(…); o amor é benigno; não é invejoso; não se ensoberbece, não se porta com indecência; não busca os seus interesses; não se irrita; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Quem ama de verdade, entrega-se de corpo e alma ao outro, com o propósito de fazê-lo feliz. E, se for preciso sofrer, para cumprir com o propósito de fazê-lo (a) feliz, ele (a) fará. E isto pode ser feito com brandura, devoção, educação, respeito, com muito zelo e cuidado, entre outras formas.

. Subserviência: tem pessoas que se anulam totalmente para satisfazer os desejos e vontades do outro, achando que isto é amor. E não é! Ela se dispõe a cumprir as ordens do outro de forma humilhante, inclusive na presença de outras pessoas. Nunca se dispõe a opinar e se opor a ela (e). Nunca diz não. O amor não pode te aprisionar e sufocar, ele tem que fluir duma maneira natural e carinhosa entre os cônjuges. Cada um tem que assumir o seu papel nesta relação, procurando dar o melhor si para o outro.

. Um Conto de Fada: neste quesito, presumimos que a figura feminina seja quem mais faz uma interpretação equivocada. Como consequência, elas acabam imaginando que vão encontrar um “príncipe encantado”. Não é brincadeira, não! Ainda existem mulheres que agem dessa maneira. Elas fantasiam em casar-se com um homem charmoso, dócil, elegante, obediente e rico, pronto a satisfazer todos seus desejos e vontades. Muitas vezes isso acontece, é verdade! No entanto, ocorre apenas durante o namoro e noivado. Logo que se casam, os comportamentos mudam drasticamente; tanto dum como doutro. Por isso (opinião nossa), a importância do namoro e noivado, podendo-se observar atentamente como a pessoa se comporta em vários lugares que estarão juntos. Não estamos afirmando com isso, de que serão “felizes para sempre”.

2. Então, o que é Amor de Verdade?

Como podemos dizer ou afirmar, sem medo de errar, que amamos alguém? Esta pergunta é bem interessante, tendo em vista que para alguns pode ser uma coisa e, para outros, ter um significado totalmente diferente. Poderíamos nos ater as definições dos dicionários de língua portuguesa, citadas na introdução do texto. Entretanto, sabe-se que para os homens o amor tem um significado, muitas vezes, limitado e restrito, vinculado meramente ao ato sexual e/ou o lado financeiro (ele como o provedor da casa).

Para as mulheres, o amor tem um significado totalmente distinto, muitas vezes, ilimitado e ampliativo. Podendo abranger o lado romântico (fantasioso e sentimental), sem se esquecer do aspecto econômico e material (viver dos deleites e prazeres do mundo). Na cultura e tradição grega, costumam-se definir o amor de uma forma quadrupla: o amor Ágape, Storge, Phileo e Eros. Vamos conhecer algumas distinções:

. O Ágape, é interpretado como sendo o amor divino e incondicional: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13). Ele é próprio de nosso Deus e Senhor, que enviou o seu próprio Filho, Jesus Cristo, para morrer por nós, miseráveis e terríveis pecadores.

. O Storge tem uma conotação e aplicação ligada aos laços conjugal e familiar: “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor (…). Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela; para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra. (…). Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais, pois isto é justo” (cf. Efésios 5:22,25; 6:1).

. O Phileo está mais voltado para o amor fraternal, geralmente praticado entre amigos e parentes próximos: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (cf. João 13:34-35).

Romanos 12:9-10. O amor seja não fingido. Aborrecei (não amar ou amar menos) o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros

. O Eros está ligado mais para ao lado romântico, sensual e para a intimidade do casal. Na verdade, um comportamento ou relacionamento cheio de erotismo e muita volúpia, que deve ser praticado pelo casal: “Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho. (…). Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó amiga minha. Agradáveis são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares (…). O meu amado é para mim um ramalhete de mirra; morará entre os meus seios” (cf. Cantares de Salomão 1:2,9-10,13).

Este Livro de Cantares ou Cântico dos Cânticos (o Maior dos Cânticos), segundo interpretes e teólogos do passado, trata-se de uma alegoria profética entre o amor de Deus (e/ou Jesus) e de Israel (e/ou Igreja), seu povo. Noutra linha de interpretação, acredita-se narrar a história do amor vivido entre o rei Salomão (esposo) e a donzela Sulamita (noiva/esposa). Para tanto, uma das maiores definições acerca do que é o amor e a forma verdadeira de como se deve amar, encontra-se registrado na Carta aos Coríntios (nossa opinião):

1 Coríntios 13:1-13. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor (caridade), seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; não é invejoso; o amor não trata com a leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha (…). Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estas três; mas a maior destas é o amor.

 A vinda de Jesus Cristo a terra, teve vários propósitos e objetivos por parte do Senhor, mas uma em especial, além de nos resgatar da pratica do pecado e garantir a salvação eterna, foi para nos ensinar de como devemos amar a Deus, devendo ser nossa primazia (cf. Deuteronômio 6:4-6) e ao Próximo como a nós mesmos (cf. Mateus 22:37-39). Desde as Suas primeiras instruções até os nossos dias, ainda estamos engatinhando para aprendermos isso, tanto em relação ao amor ao nosso Senhor como também em relação ao próximo (qualquer pessoa da sociedade). 

Conclusão

Precisamos entender, que nem sempre será fácil assimilar e colocar em prática, este e outros sentimentos ou comportamentos ensinados por Jesus Cristo. Os discípulos e seus seguidores daquela época, tiveram bastante dificuldade, mesmo estando lado a lado com Ele pelo período de três anos. Até mesmo, doutores da lei judaica como Nicodemos, governantes como Herodes e Pilatos e, também, autoridades religiosas e judaicas como Caifás, entre tantos outros, não conseguiram entender e nem interpretar muitas de suas falas e instruções. Mas nem por isso, podemos desistir de buscar o entendimento e a sua compreensão, para tentar colocar na pratica cotidiana este divino aprendizado. Portanto, que possamos “Crescer e prosseguir em conhecer o Senhor” (Oséias 6.3).


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