Aglomeração: o ambiente
Boas iniciativas com jovens qualificados trabalhando juntas | Free-Photos / Pixabay

Quanto mais ambientes de aglomerações culturais formarmos dentro das igrejas, maior será o impacto do Reino de Deus na sociedade.

Tarsis Brendo

Retornando com o tema da aglomeração… desejo levar cada leitor(a) a um outro tipo de reflexão neste breve texto. Aqui, meu foco é sobre a construção de um ambiente.

Por mais que eu não acredite em engenharias sociais, e que essas ideias geralmente resultem em autoritarismo, creio fielmente nas boas iniciativas e em pessoas qualificadas trabalhando juntas.

Também reconheço que por mais que planejemos grandes projetos, no fim, eles nunca saem perfeitamente como nós queríamos. Sabe o porquê? – Porque nós não controlamos tudo! E a vida é composta por seres humanos com impulsos, desejos e necessidades diversas. O resultado dos nossos planos, só Deus pode saber.

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Aglomeração cultural na história do Brasil

Mas, podemos pensar um pouco na história do Brasil. No ano de 1807, Dom João VI, o então príncipe herdeiro e futuro rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, saiu de Portugal com a sua comitiva, riquezas, biblioteca e membros da nobreza, transferindo a capital para o Brasil por conta das invasões napoleónicas na Europa. Quando ele aqui chegou em 1808, criou toda a ideia de nação brasileira. Fundou o Banco do Brasil, a Academia Militar das Agulhas Negras, a Escola Naval Brasileira, a Biblioteca Nacional e universidades. Foi um crescimento grandioso para o nosso país, criando assim uma aglomeração cultural que muito faria para o Brasil.

Por isso, acho fundamental o investimento intelectual do ser humano. Acho imprescindível, que formemos grupos educacionais, clubes de leitura e debates dentro de nossas igrejas. Talvez os nossos pequenos grupos até estejam fazendo um trabalho parecido, mas poderíamos sim investir mais na parte intelectual. Ou seja, leitura de livros Clássicos, e de autores como Shakespeare, Dostoiévski, Machado de Assis, Chesterton, J. R. R Tolkien, C. S. Lewis etc. Afinal, onde estão os nossos ficcionistas cristãos levando a nossa cosmovisão aos leitores de todo o mundo?

Aglomeração cultural na igreja

Jesus causou aglomerações! Os seus 12 discípulos foram responsáveis, com a Graça de Deus, de hoje estarmos louvando e servindo ao único Deus Verdadeiro. E na Igreja Primitiva, assim como na Cultura Judaica, havia a prática de composição de cânticos. Logo, a parte cultural sempre esteve na gênese do Cristianismo. Hoje mesmo temos vários cantores e compositores cristãos excelentes (também temos os ruins), porém, não vemos muitos poetas em nosso meio. Já fazem mais de 50 anos que T. S. Eliot partiu para a eternidade. Onde estão os nossos poetas metafísicos? Será que não temos muitos porque não investimos nisso?

O próprio T. S. Eliot afirma no livro “Notas para a definição de Cultura” que a decadência da Cultura se deu quando separamos a arte da teologia. Isto é, quando, nós cristãos, deixamos a arte na mão de pintores secularistas, acabamos ajudando no declínio da Cultura. Não estamos incentivando os jovens que nasceram com o dom das belas-artes, a usarem isso a favor do Reino. Onde estão os nossos pintores e cartonistas?

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É urgente retornarmos com a ficção, a poesia, a arte como ferramentas na Igreja. Eu sempre fui a favor do investimento do teatro no nosso meio. Até participei de um grupo por alguns anos e devo dizer que a forma como nos conectamos uns com os outros e com Deus é formidável. Quanto mais ambientes de aglomerações culturais formarmos dentro das igrejas, maior será o impacto do Reino de Deus na sociedade.

Tenhamos estratégia! Sejamos fiéis a Deus com as ferramentas certas!

Tarsis Brendo da SilvaTarsis Brendo
Formado em Teologia (FUV), co-autor do livreto “A sabedoria como arte diária”. Apreciador da Literatura inglesa e russa. Membro da ADNV. Gosta de ler, ensinar e escrever.

 

 


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