Adoração ou sacrifício de tolo?

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Adoração ou sacrifício de tolo?

Uma reflexão sobre o nosso culto a Deus

Por Jesiel Freitas

“Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal” (Eclesiastes 5.1).

Há apenas alguns passos, o bebedouro; pouco mais adiante, o banheiro; logo mais, uma conversa descontraída nos corredores do templo, e, quando não, uma boa conversa bem tricotada no meio do culto mesmo, enquanto o grupo de louvor ou algum adorador canta no altar. O importante é a socialização, estar no meio do barulho, fazer parte da comunidade ou ter (como dizem por aí) aquela “tribo” da qual faz parte. Clã, aliás, que nada tem a ver com a do Leão da Tribo de Judá.

Pode parecer um exagero, mas é exatamente o que acontece em grande parte dos cultos nos templos, nos dias atuais: total irreverência, desordem, displicência e, porque não dizer, falta de educação, compostura. Nascido e criado em família evangélica com pai e avós pastores, eu e minha casa sempre tivemos valores e padrões muito elevados a serem seguidos em relação a isto. Lembro-me, por exemplo, que meus pais sempre diziam: “vá ao banheiro e tome água antes de ir para o culto; igreja não é um banheiro nem um bebedouro!”.

Outro exemplo inesquecível e do qual não abro mão até os dias de hoje, era a orientação de que, se por alguma razão de força maior (trabalho, por exemplo) eu tivesse que chegar atrasado ao culto e naquele momento estivesse sendo feita a então chamada “leitura oficial da Bíblia”, eu não deveria adentrar o ambiente, enquanto essa leitura não terminasse. Era uma postura de reverência para com a Palavra de Deus. Mas, o que se vê hoje é totalmente diferente!

Muita gente entra no templo e sequer possui uma postura de oração. Não faz uma oração pedindo a DEUS que receba misericordiosamente o culto que supostamente lhe será oferecido, conversa o tempo todo com o irmão sentado ao lado, mastiga desrespeitosamente um chiclete enquanto tenta cantar ao mesmo tempo, se levanta e promove deslocamentos desnecessários andando de um lado para o outro e gesticula constantemente para alguém que está longe ou sentado do outro lado do templo.

Mas, em plena era digital, vivemos coisas ainda piores: irmãos que teclam e trocam informações nas redes sociais viciosamente durante a realização do culto, outros que fazem selfies enquanto a igreja adora a Deus, pregadores que, ao lado de outros obreiros fazem selfies em pleno altar enquanto o culto está acontecendo e coisas do tipo. Obviamente, se a igreja possui uma equipe de mídia social, pronta para produzir materiais informativos e que seja responsável por esse trabalho de transmissão do culto pela televisão, rádio ou pelas mídias sociais, essas pessoas estarão ali desenvolvendo um trabalho para a igreja, ou para o reino de Deus, como você queira entender. É uma situação diferente e justa. Fora isto, qualquer coisa parecida trata-se de irreverência, despudor, desrespeito e falta de compostura.

O culto não é realizado para quem frequenta o templo, mas para Deus! Exatamente por isto, exige alto padrão de comportamento. Deus é santo, majestoso e reina em sua glória e, por isso, não aceita qualquer coisa ou culto desordenado, irreverente!

O texto acima é claro: “Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal”.

Frequentar a Casa de Deus, também chamada de Casa de Oração, e comportar-se irreverentemente é perder o seu tempo. PIOR: é afrontar a Deus, desrespeitá-lo e provocar à sua ira! Guardar o pé significa ter respeito, postura, comportamento santo, reverência plena. Se não o fizer, você estará “oferecendo sacrifício de tolos e fazendo mal a si mesmo”. O apóstolo Paulo orientou-nos sobre isto em sua primeira epístola aos Coríntios, no capítulo 14 e no versículo 26, descrevendo o conteúdo do culto oferecido a Deus: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”. Mas à frente, ele conclui no versículo 40: “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”. Então, ao final de nossa reflexão, devo perguntar a você, caro leitor: O que você está fazendo quando comparece ao templo do Senhor é um ato de adoração ou sacrifício de tolo?

1 COMENTÁRIO

  1. Vou fazer um comentário estranho, mas que possamos ficar vigilantes. Ontem uma irmã veio se queixar de uma situação. Segundo ela, a irmã dela foi em uma igreja onde deveria fazer um voto pra alcançar uma bênção (????). Ela disse que deveriam pular dentro de uma piscina que estava dentro do templo e o voto de R$ 100 teria que ser dado. Ela diligentemente na entrou ou pulou na piscina e as pessoas repreenderam colocando as mãos sobre sua cabeça.
    Eu disse a ela que aquilo não tinha nenhum embasamento bíblico, porque lhe disseram que a fé em Jesus não foi suficiente e por isso temos que dar mais sacrifício, tipo a fé de Abraão. Reiterei, dizendo que Jesus é maior que Moisés, e Josué, e que o amor de Deus em Cristo Jesus é tudo para nós.
    Resultado, a irmã está decepcionada, pois nada do que prometeram aconteceu. Ela terminou argumentando que o pastor da tal igreja se veste de roupa de saco. Respondi que naquela época o povo fazia isso para mostrar arrependimento perante o senhor, mas agora temos Jesus! Se vestindo assim, ele está igual ao Fred Flinstones, um personagem, só isso! Mas, deveria, ao invés de falar isso, colocar esse hino 126 da Harpa Cristã que fala sobre a “Bem-aventurança do crente” pra ela, então, entenderia toda obra do Senhor.

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