Escola Dominical - Comentário de apoio: Lição 1 do 1º trimestre de 2020 – Adão, o primeiro homem
A antropologia teológica estuda a criação, a imagem divina, a constituição da natureza e o destino final do homem, de acordo com a Bíblia sagrada. | Foto: Capa da Lição 1

Escola Dominical – Comentário de apoio: Lição 1 do 1º trimestre de 2020 – Adão, o primeiro homem.

Por Aniel Ventura

Antropologia é a ciência que estuda o homem. Estudá-la na sob o prisma teológico não é o mesmo que estudá-la sob o prisma científico.

O estudo antropológico no âmbito científico ignora por completo tudo o que a Bíblia diz sobre o ser humano, começando pela sua origem.

Para as ciências biológicas e humanas, o homem é visto como um animal racional que vive em sociedade.

Para a antropologia bíblico-teológica o homem é um ser criado por Deus, possuindo características que o tornam semelhante ao seu Criador, tendo, portanto, uma conduta que os faz conscientes e responsáveis pelos atos e por fim, a prestação de contas com aquele que é senhor de todas as coisas.

I. A Doutrina Bíblica do Homem

A antropologia, de um modo geral é a ciência ou o conhecimento do homem, de onde veio, o que é, e quais são as suas potencialidades futuras e o seu destino.

O termo antropologia pode ser usado para definir todo o estudo científico secular desses detalhes.

A antropologia teológica estuda a criação, a imagem divina, a constituição da natureza e o destino final do homem, de acordo com a Bíblia sagrada. A palavra antropologia é oriunda do grego – “ανθρωπός”, homem e “λόγος”, estudo.

Davi, no Salmo 8, admirado, se detém quase em êxtase ante a grandeza da criação (SI 8.1,3-5).

O patriarca Jó, também exclama: “Que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre ele o teu coração, e cada manhã o visites, e cada momento o proves?” (Jó 7.17,18).

Que é o homem? Que ser é esse? De onde ele veio? Para onde vai? São perguntas inquietantes àqueles que estão atentos para a realidade à sua volta. Para essas perguntas, existem muitas respostas, porém, a Bíblia tem a resposta satisfatória.

Os filósofos, materialistas, ateístas ou pretensos agnósticos, respondem que o homem é apenas um “animal que pensa” – ou fruto da evolução aleatória das espécies. Atribuem a existência do ser humano ao acaso, como se fosse descendente de um animal irracional. Este teria evoluído de um micro-organismo unicelular que habitava nos mares.

Pascal, a exemplo de Davi, mas com outra visão, indagou: “Que é o homem diante do infinito”? Ele ampliou a sua indagação: “Afinal que é o homem dentro da natureza? Nada, em relação ao infinito; tudo, em relação ao nada; um ponto intermediário entre o tudo e o nada. Infinitamente incapaz de compreender os extremos, tanto o fim das coisas quanto o seu princípio permanecem ocultos num segredo impenetrável, e é lhe igualmente impossível ver o nada de onde saiu e o infinito que o envolve”.

Platão (428 a.C.) afirmava que o homem é “um bípede sem penas”. Mas, um outro filósofo, que gostava de criticá-lo, matou um galo, o depenou e saiu pelas ruas dizendo: “Eis o homem de Platão”.

Francisco de Carvalho, em sua música, diz: “Que bicho é o homem, de onde ele veio para onde vai? De onde ele veio para onde vai? Onde é que entra, de onde é que sai?”

Os cientistas dizem: “Falando fisicamente, o homem é um animal especializado”.

Sua especialização se baseia em três direções principais:

  1. A postura ereta
  2. O polegar oposto
  3. O grande desenvolvimento da posição cerebral pré-frontal.

Descartes supervalorizava a consciência, admitindo que ela seria o âmago ou a essência do ser. Foi ele quem disse: “Penso. Logo, existo”.

Protágoras, de Abdera, dizia, segundo o testemunho de Platão, que “o homem é a medida de todas as coisas”. Em outras palavras: “não existe verdade absoluta, mas tão-somente opiniões relativas ao homem…”. Aqui vemos as raízes do humanismo, que, hoje, predomina na mentalidade pós-moderna. J. Huxley dizia que “o homem é um macaco um pouco melhorado, e às pressas”.

II. A Criação dos Céus e da Terra

O Criacionismo Bíblico é a doutrina que mostra que Deus criou, a partir da sua palavra, tudo o que existe: os Céus, a Terra, os reinos vegetal e animal, e por fim o homem (Hb 11.3).

Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca.

Três verbos hebraicos são usados para traduzir a ação criativa de Deus no Antigo Testamento: barah, asah e yatzar.

Barah – “criou” –  indica a ação criadora de Deus. Em relação às coisas, transmite a ideia de criar, quando nada existia. Em relação ao homem, criar a partir de material preexistente (Gn 1.1,27; 5.1a).

Asah – “fez” – relaciona-se à criação a partir de material preexistente (Gn 1.11,12,31; 5.1b).

Yatzar – “formou” – significa modelar, dar forma, finalizar, tal como Deus fez com o homem (Gn 2.7,22).

O Altíssimo tudo criou a partir da sua Palavra. Ele, simplesmente, disse: “Haja”, e os elementos vieram à existência (Gn 1.3; Sl 33.6). Por sua ordem, o sistema solar e os reinos, vegetal e animal, ganharam vida.

Fundamentos do Criacionismo Bíblico:

1) A Bíblia Sagrada. As Escrituras afirmam, do início ao fim, que Deus é o Criador dos Céus e da Terra (Gn 1.1; Sl 95.6; Ap 10.6). O testemunho da Escritura é bastante para nos convencer dessa verdade. Afinal, ela é a inspirada e inerrante Palavra de Deus. Se a Bíblia não for capaz de nos convencer, a quem recorreremos? (Lc 16.31).

2) A razão humana. Embora prejudicada pelo pecado, a razão ainda é competente para nos levar ao Criador, conforme Paulo falou aos romanos: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm 1.20).

3) A criação. A própria Criação dá testemunho do Criador (Sl 19.1). No Salmo 104, o autor enaltece a Deus por sua obra, onde discorre sobre o Ser que tudo criou e que a tudo preserva.

Antes de criar a Terra, Deus criou o tempo, o espaço e a sua própria morada.

Deus jamais faria a sua obra na eternidade, por ser esta um atributo exclusivo seu (1 Tm 6.16). O Criador é sempiterno; a criação, temporal.

O escritor aos hebreus não deixa dúvidas, tudo quanto existe no tempo, foi criado pelo Eterno Deus (Hb 11.3). O tempo é a duração relativa das coisas, temos a noção de presente, passado e futuro: o período contínuo no qual acontecem os eventos. Deus, não existe, ele é. Ele não está sujeito a qualquer sucessão de dias ou séculos, o tempo de Deus é “kairós”, este não está vinculado ao tempo do homem – “kronos” de onde vem a cronologia. Presente, passado e futuro são para Ele a mesma coisa.

Contrariando a muitos, o espaço não é sinônimo de vácuo. Este nenhum tecido possui. Aquele, entretanto, tendo a sua própria tela, não pode avançar além de suas fronteiras. O Senhor o criou, a fim de conter a sua obra que, embora vastíssima, é finita. Logo, o espaço também é finito.

O Criador não se acha limitado quer pelo tempo, quer pelo espaço; a criação, sim. Até mesmo os anjos acham-se condicionados temporal e espacialmente, pois não podem estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Tendo já estabelecido o tempo e o espaço, o Senhor cria, agora, a sua própria morada. Obviamente ele não precisa de habitação, pois nem o céu dos céus podem contê-lo (2 Cr 6.18). O grande Deus e Rei do Universo, delimitou um lugar, chamado céus dos céus, para sua habitação.

Até o próprio céu necessita do tempo e do espaço, pois é um lugar real, e não uma mera parábola. Embora não ocupe a nossa dimensão, a região celeste é uma realidade. Para lá são levadas as almas dos que dormem em Cristo (Ap 6.9).

A Nova Jerusalém, a morada eterna dos santos, também é um lugar real. Em breve, iremos morar lá com o Senhor.

III. A Criação, de Adão o Primeiro Ser Humano

A Bíblia afirma que Deus é o criador do homem (Gn 1.26), tributamos a ele toda a glória devida (Is 48.11).

O apóstolo Paulo escreveu aos Romanos, censurando os gentios por honrarem mais a criatura do que o Criador (Rm 1.25). E mergulhados em idolatrias e abominações, menosprezavam-lhe a glória, adorando coisas vãs. Como feituras de Deus, devemos honrá-lo, porque ele nos fez e por isso pertencemos a ele (Jó 4.17; Ec 12.1).

O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Devemos ter as mesmas atitudes de Deus (Ef 5.1). “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).

Criado por Deus, o homem foi feito coroa da criação (1 Co 11.7), pois o Senhor lhe deu, o governo de tudo que fizera (Gn 1.28). Devido à sua queda no Éden, transgrediu à vontade divina (1 Tm 2.14), a criação ficou fadada à vaidade (Rm 8.20-22). Agostinho de Hipona, expressou sua esperança na redenção humana: “A essência mais profunda da minha natureza é que sou capaz de receber Deus em mim”.

Ele disse de um modo discreto, porém com profundidade, por que o nosso espírito anseia por receber a Deus: fomos criados por ele, e a nossa alma só terá descanso quando repousar em sua paz. O homem não é resultado do processo da evolução; e sim, do ato criativo do Deus Todo-Poderoso.

A Bíblia mostra claramente a doutrina de uma criação especial, que significa que Deus fez cada criatura “segundo a sua espécie”. Ele criou as várias espécies e então as deixou para que se desenvolvessem e progredissem segundo as leis do seu ser. A distinção entre o homem e as criaturas inferiores implica a declaração de que “Deus criou o homem à sua imagem”.

Em oposição à criação especial, surgiu e teoria da evolução que ensina que todas as formas de vida tiveram sua origem em uma só forma e que as espécies mais elevadas surgiram de uma forma inferior. Por exemplo, “o que outrora era caramujo transformou-se em peixe; o que era peixe chegou a ser réptil; o que outrora era réptil tomou-se pássaro, e o que outrora era macaco evoluiu e tornou-se em ser humano”.

Os evolucionistas procuram unir o homem ao irracional, mas Jesus Cristo veio ao mundo para unir o homem a Deus. Ele tomou sobre si a nossa natureza para poder glorificá-la no seu destino celestial.

“Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (João 1.12).

IV. A Missão e a Tarefa do Homem

Certo pastor disse que Deus nos criou pelo menos para três coisas: trabalho, descanso e família.

O homem foi criado para adorar a Deus (Sl 150.6). Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor. Louvai ao Senhor! Em Coríntios 11.7, Paulo nos diz, que o homem deve refulgir a imagem e a glória de Deus. Adão não era um simples adorno no jardim do Éden; ele era o instrumento da majestade divina. Devemos agir da forma que Deus age (Ef 5.1). Exorta-nos o Mestre: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).

O homem foi criado para propagar a espécie humana (Gn 1.28) e cuidar uns dos outros. Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos (Tiago 5:16).

O homem recebeu a nobre missão, cuidar e cultivar a terra. Não são poucos os que imaginam ser o trabalho uma maldição por causa do pecado. Isto é um equívoco, o trabalho foi ordenado, muito antes do homem cair em transgressão (Gn 3), o trabalho jamais foi maldição, pois o próprio Deus “trabalha até agora” (Jo 5.17). O trabalho é um grande privilégio e uma das maiores bênçãos na vida do ser humano.

Deus ainda lhe deu poder para dominar sobre toda criação (Gn 1.28). O homem, perdeu parte desse domínio ao se fazer servo do pecado (Rm 8.18-20; 3.9),

O primeiro Adão, era o representante de Deus, na terra. Deus o criou para que reinasse e fosse bem-sucedido (Gn 1.28). Ele, no entanto, acabou sendo dominado, pela natureza íngreme que ora passou a ter.

Mas vindo o último Adão, restaurou a humanidade caída, através do seu grande amor. “O primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente; o último Adão, espírito vivificante” (1 Co 15.45).

Conclusão

O pecado destituiu o homem da glória divina, porém, ele não ficou abandonado à própria sorte. O Pai por sua infinita graça e misericórdia, providenciou-lhe a redenção por intermédio de Cristo. Hoje, somos filhos de Deus, apesar de não ter se manifestado ainda a plenitude de nosso ser (Jo 1.11,12; 1 Jo 3.2). Mas quando Cristo voltar, seremos transformados (1Co 15. 53-56), subiremos com ele e, assim, estaremos eternamente em sua companhia. Aleluia.

Bibliografia
– Antropologia – Teologia para pentecostais

– As verdades centrais da Fé Cristã – Claudionor de Andrade
– Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Myer Pearlman
– O Começo de todas as coisas – Claudionor de Andrade
– Teologia Sistemática Pentecostal – Antônio Gilberto

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“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”
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