Carnaval - Rio 2018
Alegoria de Jesus, no desfile de 2018 da Mangueira (Foto: Reprodução/Ronaldo/Nina Riotur)

O palco da polêmica de 2020 será a Sapucaí. O autor do enredo defende o direito de se utilizar a imagem de figuras religiosas no carnaval.

A atual campeã do Carnaval carioca, Estação Primeira de Mangueira, divulgou o seu enredo para 2020. Intitulado “A Verdade Vos Fará Livre”, a escola de samba trará o retorno de Jesus em meio a intolerância e preconceito no mundo.

Segundo o autor do enredo, Leandro Vieira, o objetivo não é representar o Jesus bíblico e seu martírio, mas um “Jesus humano”, provocando um questionamento sobre o que aconteceria se Cristo voltasse à Terra em um ambiente de intolerância generalizada.

Em entrevista ao site ‘O Globo’ o carnavalesco falou sobre o assunto. “Quando Cristo esteve aqui, ficou do lado dos oprimidos e não fez distinção de pessoas. Será que Jesus não está no morador da favela? No menor abandonado? No gay? Na mãe de santo?”, pontuou.

O carnavalesco defende o direito de se utilizar a imagem de figuras religiosas no carnaval, citando como exemplo as novelas bíblicas e a representação de Cristo em pinturas e esculturas. “Por que só o carnaval, arte brasileira por excelência, não pode?”, questiona.

“Vivemos num ambiente democrático, e o que a Constituição diz é que não se pode vilipendiar imagens. Não tenho a menor intenção de fazer isso”, diz o Leandro, após explicar que tem trocado ideias com o pastor progressista Henrique Vieira. 

Polêmica religiosa

Sobre a polêmica, o carnavalesco está ciente de que não será nada fácil. No ano passado, diversas denominações cristãs emitiram ou publicaram nota de repúdio à Gaviões da Fiel por “desrespeito à religião cristã”, apresentando a figura de Jesus Cristo sendo vencida por satanás.

O carnavalesco compara a encenação do carnaval ao filme “A Paixão de Cristo”. “É uma manifestação artística que não difere em nada do que Mel Gibson levou para o cinema (em 2004, o ator dirigiu o filme”).

Na reportagem, o site ‘O Globo’ publicou que nunca houve uma relação harmoniosa entre Igreja e carnaval, por isso embates poderão surgir. A matéria lembrou ainda que em 1989, por uma liminar obtida pela Arquidiocese, a Beija-Flor foi proibida apresentar uma réplica do Cristo caracterizado de mendigo.

Religião no Brasil

Apesar de a religião no Brasil ser bem diversificada, cerca de 87% da população brasileira é majoritariamente cristã. Ou seja, dos 208 milhões brasileiros, 180 milhões adotam o cristianismo, que mesmo fragmentado e pulverizado, reconhecem a Bíblia como base dos valores históricos e culturais, que são princípios morais que norteiam a conduta humana na sociedade.

Os cristãos reprovam toda apresentação considerada afrontosa ao cristianismo, principalmente ao símbolo maior da cristandade.

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