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A teologia de Zofar: O Justo não passa por tribulação?

Zofar era um legalista ferrenho que baseava seus argumentos em uma teologia mal aplicada e a raciocínios simplistas.

EM FOCO

Aniel Ventura
Natural de Afonso Cláudio (ES), casado com Deuzeny Ribeiro, pai de Fellipe, Evangelista da Assembleia de Deus Ministério de Cobilândia, em Vale Encantado, Vila Velha (ES), Bacharel em Teologia pelo Instituto Daniel Berg.
A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?
Capa da Lição 8, do 4º trimestre de 2020 – A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação? / CPAD

Escola Dominical – Comentário de apoio da Lição 8, do 4º trimestre de 2020 – A teologia de Zofar: O Justo não passa por tribulação?

Aniel Ventura

A teologia de Zofar segue a mesma linha da teologia de Elifaz e Bildade, acusavam Jó de estar em pecado, chamando-o ao arrependimento. Porém, Zofar, muito mais perspicaz do que seus amigos, atacava Jó com veemência, apresentando-o como alguém apreciado ao falar, ainda que não possa dizer algo sobre o tema em discussão, e como quem mantém falsidades. Desejava que Deus mostrasse a Jó que a ele era infligido menos castigo do que o merecido. Será que estamos prontos e seguros para pedir a Deus que atue em nossas disputas, para pensar que se tão-somente falasse, Ele viria ao nosso favor?

I – DEUS SE MOSTRA SÁBIO QUANDO AFLIGE O PECADOR

Zofar é ainda mais rude que Bildade (Jó 8.1-13). Ele era um legalista ferrenho que baseava seus argumentos em uma teologia mal aplicada e a raciocínios simplistas. Exagera o que Jó havia dito a respeito de sua inocência (Jó 9.14-21) para fazê-lo parecer um tolo. No entanto, Jó jamais afirmou que sua doutrina era pura.

Equivocadamente pensava o amigo de Jó, que a prosperidade terrena sempre era a sorte do justo, o sofrimento era uma condenação por ser hipócrita, a menos que sua prosperidade fosse restaurada. Ele seria sábio se seguisse a sabedoria e, como os seus primeiros pais, tentando ser mais sábio do que aquilo que lhes foi dito, perderam a árvore da vida em detrimento à árvore do conhecimento.

Jó suspeitava que a causa da conduta dos seus amigos era que desprezavam ao que caía na pobreza. Este é o estilo vivido pelo mundo. Mesmo um homem reto e justo é olhado por eles com desdém caso venha enfrentar uma dificuldade como esta. Este não foi o perfil adotado por Jesus, ele sempre em situações calamitosas agia de forma diferente.

“E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores” (Lucas 7:13).

II – A CONVERSÃO COMO RESPOSTA À AFLIÇÃO

O discurso de Zofar contém graves erros teológicos. A Bíblia não garante em nenhum lugar uma vida aqui, “mais clara… do que o meio-dia” para o crente fiel (Jó 11.17). Pelo contrário, “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22).

Passando por severa aflição, Jó chegou a julgar que Deus estava contra ele, talvez por ter silenciado. O Novo Testamento nos dá uma perspectiva mais completa a respeito do sofrimento do cristão, levando-nos até mesmo a gloriar-se no sofrimento. Aos Coríntios, Paulo assim escreveu: “fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos” (2 Co 1.8; Mt 5.10,11). Mesmo na aflição, o apóstolo não maldizia, mas, sim, bendizia a Deus, porque a sua presença e o seu Espírito estavam com ele para consolá-lo (2 Co 1.3,4,22).

Jó desabafa sobre a condição do homem, dirigindo-se também a Deus, questionando, como é possível a conduta de um homem ser sem pecado, quando o seu coração é, por natureza, inclinado a transgredir? Esta é uma prova clara de que Jó entendia e cria nesta inclinação ao pecado, e além de expor isso como defesa, pede que o Senhor não o trate conforme as suas próprias obras, mas de acordo com a sua misericórdia e graça.

III – DEUS JULGA E CASTIGA OS PECADORES

As desigualdades da vida, a prosperidade, o sucesso e a alegria de muitos ímpios, são questionadas por Jó. O Salmo 73 também destaca essa questão teológica. Em muitas vezes, os “limpos de coração” são “afligidos”, ao passo que os ímpios prosperam e não sofrem “apertos” (Sl 73.1-14). Deus responde, revelando o destino final, tanto dos justos como dos ímpios (Sl 73.16-28; Ml 3.18).

Jó se opõe, ao que os seus amigos sustentaram sobre a destruição certa dos ímpios nesta vida. Ainda que prosperam, são levianos, indignos e desprezíveis para Deus. No auge da pompa e poder dos ímpios, só existe um passo entre eles e a destruição. Jó refere-se à diferença que a providência marca entre um e outro ímpio em relação à sabedoria de Deus. Ele é o juiz de toda a terra.

A tese de Zofar é que a ruína da prosperidade de um homem demonstra que ele é um hipócrita. Porém, Jó não concorda. Se um ímpio morre em um palácio e outro em uma masmorra, no entanto, para ambos só resta o verme que não morre e o fogo que não se apaga (Mt 3.10,12). Assim, pois, não vale a pena confundir-se devido às diferenças vividas neste mundo. O que realmente tem valor é servir a Deus, independente das circunstâncias (Dn 1.8).

Os filhos de Deus, devem refletir o seu caráter demonstrando um amor sem discriminação, sejam amigos ou inimigos. Pois, o nosso Deus dirige o seu amor a todas as pessoas. Devemos aprender a obedecer ao Senhor e a confiar nele, ainda que atribulados; aprendamos a viver e morrer como agrada a ele: não sabemos para que fim proveitoso nossas vidas podem ser abreviadas ou prolongadas.

CONCLUSÃO

Jó é um dos maiores exemplos de firmeza e convicção, de apego à retidão e perseverança na fé (Tg 5.11). Sua determinação inabalável de manter a sua integridade e de permanecer fiel a Deus não tem paralelo na história da salvação dos fiéis. Nenhuma tentação, sofrimento, ou aparente silêncio da parte de Senhor, podia afastá-lo da sua lealdade a Deus e à sua palavra. Recusou-se a blasfemar contra Deus e morrer (Jó 2.9).

Assim também, o crente do Novo Testamento deve ter esta mesma e única decisão nas tentações, nas tristezas e nos dias sombrios da vida. Com uma firme convicção, devemos continuar resoluto na fé, estando firmes até o fim (Cl 1.21-23).

Bibliografia
– O Novo Comentário Bíblico A.T. Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H

– Comentário Novo Testamento Aplicação pessoal – Vol 1 – CPAD
– Comentário Bíblico de Matthew Henry – CPAD
– Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD

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