A teologia de Eliú: o sofrimento é uma correção divina?
Capa da Lição 11, do 4º trimestre de 2020 – A teologia de Eliú: o sofrimento é uma correção divina? / CPAD

Escola Dominical – Comentário de apoio da Lição 11, do 4º trimestre de 2020 – A teologia de Eliú: o sofrimento é uma correção divina?

Aniel Ventura

Elifaz, Bildade e Zofar fizeram discursos ininterruptos, incluindo comentários picantes e conclusões insultuosas que, por fim, acabaram desistindo. Não há dúvida, eles não foram embora e sim, ficaram por perto, olhando para Jó com olhar severo. Entretanto, deixaram de fazer uso das palavras, porém usaram expressões. Alguém poderia pensar que os sermões haviam terminado. Mas não foi assim, havia, porém, mais um, que por sinal é bem longo, esse é o discurso de Eliú! Ele esperou por sua vez, porém quando começa a falar, não para até ter dito o que corresponde a seis capítulos da Bíblia (Jó 32-37). O tamanho desses textos bíblicos é maior do que doze outros livros do Antigo Testamento, também é maior do que dezessete dos livros ou cartas do Novo Testamento. Eliú fez a Jó como alguém que dá ao faminto, todo o alimento de uma só vez, algo parecido com uma cachoeira de palavras.

I – O SOFRIMENTO COMO UMA FORMA DE REVELAR DEUS

Eliú acusa Jó de culpar a justiça e a bondade de Deus. Jó apresenta Deus como severo, ao dizer que ele lhe causou todo esse mal. Eliú destaca que Jó falara mal, que devia se humilhar diante de Deus e redimir-se do que dissera, através do arrependimento. Em resposta às reclamações feitas por Jó quanto aos pesadelos, Eliú sugere que Deus talvez desejava ensinar algo a Jó por meio de sonho ou visão de noite (Jó 7.14). A mensagem aqui é a de que Deus controla todas as coisas, inclusive o curso da nossa vida, pois ele é soberano por excelência.

O homem é sempre admoestado por Deus. O objetivo é impedir que o homem cometa pecados, principalmente o do orgulho. Enquanto os pecadores vão atrás de maus propósitos e afagam o seu orgulho, suas almas se apressam para a destruição, aqueles que contribuem para que se afastem do pecado, também os livra do inferno. Grande misericórdia é estar submetido aos freios de uma consciência despertada, pelo Espírito Santo!

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O capítulo 33, fala de um mensageiro, que pode ser Deus utilizando a figura de um intérprete para atender à necessidade de Jó, em obter um Advogado e de rechaçar as acusações de Elifaz (Jó 9.32,33; 16.19). O papel intercessor deste mensageiro em levar Jó ao arrependimento é muito semelhante ao papel que Cristo exerceu (Hb 7.25).

II – O SOFRIMENTO COMO MEIO DE REVELAR A JUSTIÇA E A SOBERANIA DE DEUS

Em resposta às acusações feitas por Jó (Jó 9.22-24). Eliú defende a imparcialidade de Deus segundo a lei da retribuição, pois Deus castigará os perversos com justiça. Assim Eliú defende a justiça divina, concordando parcialmente com o que Bildade já havia dito (Jó 8.3; 19.6).

“Porque os olhos de Deus estão sobre os caminhos de cada um” (Jó 34.21). Eliú vai contra às queixas de Jó, (que chegou a pensar que Deus ignoraria a situação dos necessitados), ele defende o caráter de Deus, pois Deus ouve, sim, o clamor do pobre e o dos desvalidos (Jó 24.1-12).

Eliú tenta mostrar a Jó que Deus não tinha intenções de causar-lhe dano ao afligi-lo e sim lhe trazer benefício espiritual. Deus não pode fazer mal, nem o Todo-poderoso pode cometer erros, se as obras ficam sem recompensa no momento, e os pecados sem castigo, contudo, haverá um dia no qual Deus recompensará as obras dos homens (2 Co 5.10).

III – O SOFRIMENTO COMO UM INSTRUMENTO PEDAGÓGICO DE DEUS

Eliú argumenta com Jó acerca de seu descontentamento, por causa de sua aflição e pergunta se as suas palavras foram ou não néscias e pecaminosas. Se Deus permite que sejamos afligidos é porque quer nos revelar pecados passados e trazê-los à nossa memória, ou preparar nossos corações para que sejamos ensinados? A aflição pode levar as pessoas a aprender por meio da graça de Deus, que opera com ela e por ela. Além do mais, nos dissuade de pecar no futuro.

Jó havia requisitado a morte como resposta para a sua dor, porém Eliú admoes­ta-o: “Não suspires pela noite” (Jó 36.20). Essa atitude parece mostrar que Jó estava realmente se rebelando contra os caminhos de Deus, em vez de aceitar humildemente a sua instrução. Entretanto ele deveria reconhecer a grande força de Deus e engrandecer a sua obra, pois esta pode ser facilmente vista pelos homens. (Jó 36.22-25). Assim deve ser nossa oração: “Que meu Salvador, meu sábio e amoroso Senhor, escolha tudo por mim, pois creio que será a escolha mais sábia e o melhor para a minha vida e por fim glorificará o teu nome“.

CONCLUSÃO

O discurso de Eliú é adequado à disputa de Jó e seus amigos. Ele lhe mostra a verdadeira razão dos sofrimentos com os quais fora provado, mostra-lhe que Deus agira com misericórdia para com ele. Corrige o erro de seus amigos e demonstra que as calamidades de Jó foram para o seu bem. Eliú discorda de Jó em querer contender-se com Deus, entretanto, orienta-o a submeter-se a Deus e aceitar o seu castigo, pois é absurdo ensinar a quem é a própria fonte de luz, verdade, conhecimento e instrução. Ele nos ensina através da Bíblia, que é o melhor dos livros; ensina através de seu Filho, que é Mestre por excelência é justo e amoroso, em todos os seus procedimentos. Portanto, a ele toda glória, honra e louvor para todo sempre.

Bibliografia
– O Novo Comentário Bíblico A.T. Earl D. Radmacher, Ronald B. Allen e H

– Comentário Bíblico Beacon – vol 3 – Jó a Cantares – CPAD
– Comentário Bíblico de Matthew Henry – CPAD
– Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD

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