A Revolução do Egito para libertação
Apesar de serem 10% da população, os cristãos são excluídos pela sociedade egípcia. | Foto: Reprodução

Os cristãos ex-muçulmanos são os que enfrentam maior pressão por parte dos familiares, já que abandonaram a fé islâmica.

A Revolução do Egito ocorreu há 68 anos, quando um grupo de soldados denominados “Oficiais Livres” depuseram o rei Faruk I, e tomaram o poder.  O grupo deu início à chamada Revolução do Egito para libertação do imperialismo britânico e implantação da república, com o objetivo de modernizar o território e promover a recuperação econômica do país.

No princípio, os militares tomaram o poder e promoveram ações como a extinção dos partidos políticos, a industrialização e o combate ao fundamentalismo islâmico. A intenção dos novos governantes era a criação de um Estado socialista adaptado e a unificação do mundo árabe.

Os planos não deram certo e o país ficou sob o governo de Hosni Mubarak por 30 anos. Com a derrubada do ditador em 2011, os militares voltaram ao poder. Mas um novo golpe foi dado e Abdel Fattah Al-Sisi assumiu a presidência e tem governado a nação até hoje, com punho de ferro.

Apesar de uma forte crença de que o Egito pós revolução, seria uma nova nação a partir das mudanças políticas e sociais, muito da cultura que discriminava os cristãos egípcios se manteve intacta. Em alguns casos até piorou, como consequência do radicalismo do islã.  Inúmeros Cristãos foram excluídos socialmente, e acima de tudo, ainda são governados por leis islâmicas

O Surgimento de cristãos no Egito

A presença cristã no país é antiga. Segundo a tradição, a Igreja Ortodoxa Copta do país, em 16ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2020, é consequência do trabalho do apóstolo Marcos logo no primeiro século. Mas foi durante a ocupação romana que a perseguição aos cristãos se tornou extrema. Mais tarde, a partir da invasão árabe entre 639 e 646 d.C., o islã passou a ser uma das principais fontes de hostilidade contra os seguidores de Jesus na região.

Hoje, mais de 90% dos 16,2 milhões de cristãos pertencem à Igreja Ortodoxa Copta. Há também outras denominações no país resultantes da chegada de missionários a partir do século 17, como presbiterianos e anglicanos. Porém, os mais tolerados pelo governo são os coptas. Apesar da “importância histórica”, os primeiros cristãos enfrentem discriminação na educação, saúde e leis baseadas na sharia (conjunto de leis islâmicas). Um exemplo da intolerância religiosa no território foi a destruição de uma igreja na aldeia de Koum Al Farag.

A perseguição aos cristãos egípcios

Com o surgimento do extremismo islâmico, a situação de hostilidade aos coptas foi se agravando. (são egípcios cujos ancestrais abraçaram o cristianismo no século I. Formam um dos principais grupos etno-religiosos do país). Uma das vítimas do radicalismo foi Catherine Ramzy Mikhail, que teve o pescoço cortado por um jihadista no início de 2020.

Entretanto, os cristãos ex-muçulmanos são os que enfrentam maior pressão por parte dos familiares, já que abandonaram a fé islâmica. A punição aos traidores vai desde agressão física, psicológica e expulsão de casa até a morte. Há relatos de denominações pentecostais no Egito que também sofrem com a perseguição de igrejas tradicionais como a Ortodoxa.

Apesar do artigo 64 da Constituição do Egito declarar a liberdade de crença como absoluta, mas o decreto 2, reconhece o islamismo como religião estatal e a sharia como fonte principal para a legislação. Na prática, indica que as disputas religiosas, que resultam em violência, difamação e tentativa de impedimento de abertura de igrejas são resolvidas em conselhos de reconciliação.


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