A Natureza do Ser Humano
A Natureza do Ser Humano | Foto: Ilustrativa

Escola Dominical – Comentário de apoio: Lição 3 do 1º trimestre de 2020 – A Natureza do Ser Humano.

Por Aniel Ventura

O método usado por Deus para criar o ser humano, além de especial, foi emblemático, é o que o texto bíblico nos mostra.

“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2.7).

A formação da parte física do homem a qual veio “do pó da terra”, não foi com o barro, em estado bruto, ou um boneco de barro, como muitos podem conjecturar, mas, com os elementos químicos que se encontram na argila e, de modo sobrenatural, formou as partes do corpo humano, combinando-as de maneira jamais compreendida pela mente humana e pelas especulações da ciência. Isso nos revela um Deus, que além de bondoso, acima de tudo é todo-poderoso.

I. A complexidade do ser humano

O Deus criador dos céus e da terra se revelou aos homens de muitas maneiras, e uma delas é através de seus diversos nomes, que são encontrados na Bíblia sagrada.

Encontramos nomes especiais, compostos com El e Yahweh, que enfatizam a natureza de Deus e seu relacionamento com os vários pactos estabelecidos com o seu povo.

a) Dentre os muitos nomes, podemos citar:

– El Shaddai, “Deus Todo-poderoso” (Gn 17.1, derivado de uma raiz, shadu, que significa “montanha”);

– El Elyon, “Deus Altíssimo” (Gn 14.18);

– ‘El Ro’i, “o Deus que me vê” (Gn 16.13);

– ‘El ‘Olam, “o Deus eterno” (Gn 21.33);

– El Elohe Yisra’el, “Deus, o Deus de Israel” (realça a relação especial de Deus com Israel, Gn 33.20);

– Yahwehw-ropheka, “o Senhor, teu Médico [pessoal]” (Êx 15.26);

– Yahweh-nissi, “o Senhor minha Bandeira” (Êx 17.15);

– “Yahweh- shalom, “o Senhor é Paz”(Jz 6.24);

– Yahweh-ro’i, “o Senhor é meu Pastor” (Sl 23-1);

– Aquele que perdoa é denotado por Yahweh-tsidkenu, “o Senhor, Justiça Nossa” (Jr 23.6).

– O nome da Nova Jerusalém será Yahweh-shammah, “o Senhor está ali” (Ez 48.35).

– E o nome celestial de Deus é Yahweh-sabaoth, “o Senhor dos exércitos”, quais exércitos: Os anjos, a natureza, Israel e a igreja (Sl 148.2; Mt 26.53).

b) Trindade

O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são idênticos como pessoas; e jamais foram confundidos quanto à relação. Não estão divididos no tocante à deidade, nem estão em oposição no que tange à cooperação.

Concernente à relação, o Filho está no Pai e o Pai está no Filho. O Filho está com o Pai, e o Pai está com o Filho, quanto à comunhão. Quanto à autoridade, o Pai não vem do Filho, mas o Filho vem do Pai. O Espírito Santo, por sua vez, vem tanto do Pai quando do Filho, no que tocante à natureza, à relação, à cooperação e à autoridade.

Nenhuma pessoa da Trindade vive, ou trabalha, separada e independentemente das ou­tras (Jo 5.17-30,32,37; 8.17,18).

c) Anjos e Homem

Os anjos, quanto à sua natureza, são criados e não gerados. Deus os criou individualmente, porém, Daniel, em sua visão, disse que eram “milhares de milhares” e “milhões de milhões” (Dn 7.10). Eles foram criados com um corpo espiritual. “Há também corpo espiritual” (1 Co 15.44).

Quando aos homens, diz-se que são “carne” (Gn 6.3; Jo 3.6). Os anjos não possuem um corpo material, mas um corpo espiritual que é acompanhado de luz e de glória celestial (SI 104.4; Ez 1.13). Por isso, são chamados também de “filhos de Deus” (Jó 1.6; 38.7). Os anjos são imortais, invisíveis e assexuados.

O homem em sua natureza é subdividido na Bíblia em duas partes: “o homem exterior”, que é o seu corpo, e “o homem interior”, que é composto de alma e espírito (2 Co 4.16; Ef 3.16). A parte exterior do homem é visível e mortal, enquanto a parte interior é imaterial, invisível e imortal.

II. As características do corpo humano

Hoje, a embriologia e o estudo da genética têm informações sobre a formação do ser humano no ventre da mãe, a partir da união dos gametas masculino e feminino. Mas jamais alcançou a formação do primeiro ser humano, que não foi gerado, e sim criado por Deus. Como Deus combinou os aminoácidos, as proteínas, os sais minerais e demais substâncias para compor o corpo humano é algo que transcende a qualquer especulação científica.

Através de análise química, sabemos que o corpo humano consiste de vários compostos, como ferro, glicose, sal, carbono, iodo, fósforo, cálcio, etc.

O valor real do corpo está em sua alta finalidade de ser a morada da alma e do espírito do homem (2 Pe 1.14,15; 2 Co 5.1,4; Jó 14.22; 32.8; Zc 12.1).

Com a saída da alma (At 20.9,10; 1 Rs 17.21; Gn 35.18,19) e do espírito (Tg 2.26; Lc 8.54,55; Ec 12.7), o corpo morre e volta ao pó (Ec 12.7; Gn 3.19), ou seja, é sepultado e encontra a corrupção. Porém, sendo o corpo uma obra de Deus, feito à sua imagem e seme­lhança (Gn 1.26), não será aniquilado, mas ressuscitará (1 Co 15.35,38) com uma forma imortal (1 Co 15.53) e espiritual, louvado seja Deus (1 Co 15.44,46).

Quando a Bíblia, ao falar da morte, usa a palavra “dormir”, refere-se ao corpo e nunca à alma ou ao espírito (At 13.36; 1 Ts 4.13,15; Mt 27.52; 1 Co 11.30; 15.51; Dn 12.2). É o corpo que dorme o sono da morte até a manhã da ressurreição, quando todos ouvirão a voz do grande Deus e se levantarão dos seus sepulcros (Dn 12.2; Jo 5.28,29; At 24.15).

III. Alma, o nosso elo com o mundo exterior

A formação da parte interior do ser humano. Isto é, a alma e o espírito. Diz a Palavra de Deus: “e soprou era seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2.7). A alma, junto com o espírito, forma o “homem interior”, a parte imaterial de todo ser humano. A alma e o espírito estão inseparavelmente unidos, porém a Bíblia diz que “a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito”, juntas e medulas […] (Hb 4.12).

a) Unitarianísmo

É também chamado de monismo. Trata-se de uma corrente doutrinária que ensina que o homem não tem qualquer divisão em sua constituição; ou seja, não existe alma ou qualquer parte do ser humano que sobreviva à morte. Os unitaristas ou monistas defendem que, o ser humano se constitui de uma unidade indivisível.

b) Dicotomismo

Essa doutrina ensina que só há dois elementos, ou partes constitutivas, do homem: a parte material e a imaterial. Baseiam-se no fato de os termos “alma” e “espírito”, às vezes, na Bíblia, aparecem como sinônimos, ou intercambiáveis entre si. E sustenta sua opinião partindo de textos que lhes parecem indicar esse entendimento (Jó 27.3).

c) Tricotomismo

Os chamados tricotomistas entendem que o homem é formado de três partes distintas: “corpo, alma e espírito”. Seu ensino honra as Escrituras e se harmoniza com elas, pois, de acordo com a Bíblia, o homem é tríplice, sendo formado de espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23). Há diversas aplicações tanto para “espírito”, como também para “alma”.

A alma, no Antigo Testamento, é identificada como vida ou “pessoa total” (Gn 12.5); simplesmente “pessoa”: “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4); sangue ou vida (Dt 12.23,24); “número”: “Todas as almas, pois, que descenderam de Jacó foram setenta almas; José, porém, estava no Egito” (Êx 1.5; Rm 13.1); “sangue”: “Porque a alma da carne está no sangue…” (Lv 17.11); e, é claro, como ser espiritual.

A alma também é identificada muitas vezes como coração. O “coração” aparece mais de 600 vezes no Antigo Testamento. Sabemos, de antemão que o coração não pensa, não chora, não ama etc. – sentimentos que usualmente se atribuem a ele – por ser um órgão muscular que bate no peito, de modo ininterruptamente, coração aqui significa “alma”.

No Antigo Testamento, a palavra “alma” quase sempre é a tradução da palavra hebraica (“נֶפֶשׁ – nephesh”), traduzida como “vida”, “pessoa”, “si mesmo”, “criatura” etc. Nephesh é usada 756 vezes nos originais e existe em outras línguas e dialetos semitas (incluindo o ugarítico) para designar além de pessoa, vida e provavelmente a respiração.

Quanto ao espírito (Ec 12.7; Tg 2.26; Lc 8.54,55) e a alma (At 20.9,10; 1 Rs 17.20-22; Gn 35.18), ao deixar o corpo, este morre. Por ser feito à semelhança de Deus, o corpo não é e nem será aniquilado, mas ressuscitará (Jó 19.26). Outra afirmação de importância é que o corpo foi determinado para ser templo e a morada do Espírito Santo (1 Co 6.20).

IV. O espírito e o nosso contato com Deus

O espírito é a parte invisível do homem que, unido com a alma, compõe o “homem interior”, que é, como uma janela aberta para o céu, e lhe dá condições de sentir a realidade de Deus e da sua Palavra (1 Co 2.10,12). Eis o que distingue o homem de qualquer outro ser, só ele foi criado à imagem e semelhança de Deus.

O espírito do homem é a sede das suas relações com Deus. “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor” (Pv 20.27). Por esse motivo o “coração” é usado como sinônimo de “espírito”: “Era um o coração e a alma da multidão dos que criam” (At 4.32).

O homem de espírito vivificado pode, doravante, ver a glória de Deus, pois o véu que antes o impedia foi tirado (2 Co 3.16). O seu coração tornou-se limpo e pode ver a Deus (Mt 5.8), o Invisível (Hb 11.27). A luz resplandece em seu interior, para “iluminação do conhecimento da glória de Deus”. “Esse espírito” não significa “o Espírito Santo operando no homem”, esse espírito é um órgão do seu “homem interior”, onde o Espírito Santo opera, fazendo-o ouvir a voz de Deus (At 2.7).

Uma das faculdades mais importantes do espírito humano é a consciência (Rm 2.15,16), que é uma “janela” existente no homem, onde Deus olha para o seu interior. Ela é um “espião” de Deus que acusa e persegue o homem quando ele peca, no entanto lhe fala com uma voz elogiosa quando faz o bem.

Conclusão

O ser humano é um ser tricotômico. Ou seja, constituído de três partes (1 Ts 5.23). O corpo, “homem exterior” (2 Co 4.16). Já a alma e o espírito são envolvidos pelo corpo, denominado, “homem interior”, conforme as palavras do apóstolo Paulo: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7.22; 2 Co 4.16), é “a sede das emoções, dos sentimentos e dos pensamentos”, logo, devemos zelar por tudo o que preenche o nosso pensamento conforme ensina o apóstolo Paulo (Fp 4.8).

Essa é também uma advertência do Senhor Jesus em relação ao coração do homem: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mt 15.19). Portanto, não podemos pensar só no que “não fazer”, e sim, no que “não pensar”. Toda ação ou reação humana precede o pensamento, o sentimento e a emoção e exterioriza através do corpo.

Bibliografia
– Teologia Sistemática pentecostal – CPAD
– Doutrinas bíblicas – Stanley Horton – CPAD
– Teologia Sistemática – Eurico Bergsten – CPAD
– Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – (Myer Perlman)
– Elinaldo Renovato – Tempo, Bens e Talentos – CPAD

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“O primeiro portal cristão no Estado do Espírito Santo”
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