A imprescindível necessidade da prática do Jejum bíblico
O jejum deve fugir de toda motivação e propósito equivocado. | Foto: Designed by Freepik

No cristianismo, o jejum continuou sendo praticado com muita semelhança ao jejum judaico.

Douglas Roberto de Almeida Baptista

Muitos cristãos em tempos de pós-modernidade e conformismo espiritual já abdicaram do jejum bíblico. Não o praticam e nem querem ouvir falar e até mesmo o criticam. Alguns até acreditam que não precisamos mais jejuar. Tais cristãos demonstram não conhecer as Escrituras. Quando Jesus foi interpelado acerca do motivo de seus discípulos não jejuarem respondeu o seguinte: “Podem, andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão” (Mt 9.15). Jesus deixou o ensino bem claro, quando retornasse ao céu e enquanto não voltasse sua igreja deveria jejuar.

Conceito e exemplos de Jejum

Jejum é abstenção completa ou parcial dos alimentos acompanhada de orações e contrição (VINE, 2002, p. 727). No Antigo Testamento era uma prova de humilhação espiritual frequentemente descrita pela frase: “afligir a alma” (Lv 16.29-31). Os judeus jejuavam no dia da expiação, no ano-novo e um dia para observar calamidades nacionais passadas. Eles também observavam jejuns individuais (STRONTRA 56). No cristianismo, o jejum continuou sendo praticado com muita semelhança ao jejum judaico (At 14.23; 1Co 7.5; 2Co 6.5; 2Co 11.27). A Bíblia contém inúmeros exemplos de jejum, tais como:

Antigo Testamento:
– Moisés ao receber a lei de Deus (Ex 34.28)
– Davi ao orar pelo filho de Bate-Seba (2Sm 12.16)
– Ester ao interceder pelos Judeus (Et 4.16)
– Daniel ao orar em favor dos exilados (Dn 9.3)

Novo Testamento:
– Jesus Cristo, antes de iniciar seu ministério (Lc 4.1-2)
– Paulo após a sua conversão em Damasco (At 9.8-9)
– A Igreja de Antioquia ao separar missionários (At 13.2-3)
– Paulo e Barnabé ao empossar pastores (At 14.23)

Por meio destes exemplos podemos perceber que os jejuns foram realizados em momentos decisivos revestidos de magnitude e desenvolvimento espiritual na vida destes personagens bíblicos, inclusive do próprio filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo! Constata-se desse modo que o jejum era comum no Judaísmo e também no Cristianismo Primitivo e tem desaparecido quase que totalmente em algumas “pseudas-igrejas-cristãs”, certamente para o seu próprio detrimento. Em oposição ao comportamento de muitos nos tempos hodiernos.

Modelo do jejum bíblico

No evangelho de Mateus temos o registro do ensino de Jesus de como devemos praticar o jejum cristão. Nele somos advertidos a não realizar o jejum com motivações erradas. O jejum não deve servir para demonstração de espiritualidade. Nem para ser aplaudido ou reconhecido pelos homens. As orientações de Jesus, quanto ao jejum bíblico, são as seguintes: “Não vos mostreis contristados” (Mt 6.16). É possível que a referência inclua a ideia de que os hipócritas tinham por hábito ficar sujos e barbudos. Colocavam tanta cinza na cabeça, que esta descia pelo rosto e barba desfigurando a fisionomia. A pretensão de piedade e o desejo de serem reconhecidos pelos homens foram ações condenadas por Jesus. O jejum tinha sido reduzido em mera formalidade, sem conteúdo verdadeiramente espiritual. Em nossos dias são igualmente condenáveis à falsa aparência de piedade.

Unge a tua cabeça, e lava o teu rosto”(Mt 6.17). Na prática do jejum judaico, os atos de ungir-se e lavar-se eram proibidos, para que fossem demonstrados sentimentos de contrição e arrependimento. Na Nova Aliança, Jesus ensinou que o verdadeiro cristão não precisa ostentar o que faz e nem chamar atenção sobre si mesmo. Deve proceder normalmente de modo que ninguém perceba que esteja jejuando.

Em secreto te recompensará” (Mt 6.18). O jejum deve fugir de toda motivação e propósito equivocado. A recompensa do verdadeiro jejum será concedida por Deus em secreto, para evitar o aplauso dos homens. Quem jejua publicamente recebe galardão humano. Aquele que o faz em secreto será recompensado pelo Senhor.

Considerações finais

Segundo o Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento “o jejum é designado a melhorar a relação da pessoa com Deus, como também é tempo de purgação e refinamento de motivos” (STRONSTAD, 2003, p. 56). O ensino de Cristo acerca do jejum “requeria que as pessoas adotassem uma disciplina espiritual pelos motivos certos, e não por causa de um desejo egoísta de receber elogios” (RIBAS, 2009, p. 48).

O Comentário Beacon parafraseia este ensino do seguinte modo “quando jejuar penteie os cabelos e lave o seu rosto, não tenha aparência triste para lembrar as pessoas que você esta jejuando. Antes jejue por causa do bem espiritual dos outros e de si mesmo” (HARPER, 1996, p. 65). Qualquer outro modelo e forma de jejum diferente dessa orientação de abstenção de alimentos, contrição e oração é antibíblico e deve ser desconsiderado. Portanto, convido-lhe, ao resgate e a prática do jejum bíblico tão necessário e indispensável na vida do cristão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
– HARPER, A. F. (Ed). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, vol. 6.

– RIBAS, Degmar (Trad.). Comentário do N.T – Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, vol. 1.
– STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do N.T. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
– VINE, W. E. Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

 


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