O Espírito Santo não veio para ficar esporadicamente com a igreja | Foto: M-Gucci / by Getty Images

O poder prometido por Jesus não é uma energia…, não vem da terra, emana do céu.

Pr. Hernandes Dias Lopes
“Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

O texto em epígrafe foi pronunciado por Jesus entre sua ressurreição e sua ascensão. Jesus subiria para o céu e derramaria o seu Espírito sobre a Igreja.

A Igreja não deveria sair para cumprir a grande comissão sem antes ser capacitada com poder.

Três verdades sublimes são destacadas por Jesus, neste texto:

1. A origem do poder (At 1.8) – “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo…”.

O poder prometido por Jesus não é uma energia, mas uma pessoa. A Igreja não precisa de algo, precisa de alguém. O poder que reveste a Igreja não vem da terra, emana do céu. Não é um poder humano, mas divino. Não procede daquilo que o homem faz, mas é resultado daquilo que o Filho de Deus glorificado fez. Porque Jesus sobe, o Espírito Santo desce. Porque Jesus concluiu sua obra, o Espírito Santo começou sua dispensação.

O Espírito Santo não veio para ficar esporadicamente com a igreja, mas para sempre. Ele não veio para estar ao lado da Igreja, mas na igreja. A Igreja é a morada do Espírito Santo. Cada crente, de per si, é o templo do Espírito Santo.

Sem o poder do Espírito Santo a Igreja não prega com poder, não vive com ousadia, não testemunha com autoridade nem colhe frutos abundantes. Resta claro que não basta apenas os crentes terem o Espírito Santo, é necessário o Espírito os ter.

Não é suficiente ter o Espírito Santo presente, é preciso tê-lo presidente. Não basta ouvir falar do Espírito Santo, é preciso ser revestido com o poder do Espírito Santo.

2. O propósito do poder (At 1.8) – “… e sereis minhas testemunhas…”.

A igreja precisa de poder, mas poder para que?

Primeiro, para sair do campo da especulação teológica para o campo da ação missionária. Os discípulos estavam preocupados com tempos ou épocas (At 1.6,7), mas Jesus muda o foco deles para a necessidade de poder para testemunhar.

Segundo, poder para perdoar. Havia uma barreira antiga e intransponível de inimizade entre judeus e samaritanos, mas a agenda da igreja deveria passar por Samaria, quebrando os muros da inimizade. Onde o Espírito Santo age, convertendo corações a Cristo, inimizades são desfeitas.

Terceiro, poder para morrer. A palavra “testemunhas” significa literalmente, “mártires”. A Igreja precisa de poder para morrer para si mesma, para o mundo, para o pecado e pelo evangelho. Sem poder a Igreja produz covardes que recuam diante do sofrimento, mas no poder do Espírito Santo, ela aduba a sementeira do evangelho com o sangue dos mártires.

Quarto, poder para pregar até aos confins da terra. Sem o poder do Espírito Santo a Igreja ficará presa entre quatro paredes; ora com medo dos que estão lá fora, ora desfrutando do conforto de seu próprio comodismo.

3. A extensão do poder (At 1.8) – “… tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”.

Somente pelo poder do Espírito Santo a Igreja sairá do comodismo para ir além de suas próprias fronteiras, rompendo barreiras geográficas, culturais, raciais e linguísticas.

Sem o poder do Espírito Santo não haverá investimento nem esforço missionário.

Sem o poder do Espírito Santo a Igreja cuidará de si mesma em vez de ir aos confins da terra levando a esperança do evangelho.

Sem o poder do Espírito Santo a Igreja criará uma agenda para si mesma, para apascentar a si mesma, para discutir os seus próprios assuntos e negligenciará a grande comissão.

Oh, que Deus desperte sua Igreja para buscar esse poder até que Cristo venha.

Rev. Hernandes Dias LopesRev. Hernandes Dias Lopes
Natural de Nova Venécia-ES, casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Mariana e Thiago. Bacharel em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP, e Doutor em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos. Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória. Também é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, diretor executivo da Luz para o Caminho e pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros em SP. É conferencista e escritor, com 146 livros publicados.

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