A educação financeira no Brasil
A educação financeira no Brasil | Foto: Ilustrativa

Não dá para falar em educação financeira das famílias brasileiras sem falar das taxas praticadas pelos organismos financeiros

Por Wanderli Pereira

Os especialistas em economia afirmam: é necessário haver uma educação financeira, para que as famílias brasileiras não gastem mais do que ganham.

Essa é uma dura e real situação, que estamos longe de alcançar tais metas no curto prazo. Em se tratando de um país como o nosso, chega a ser injusto discutir taxas e valores, sem que antes os rumos da economia brasileira, e os índices de desemprego, e as taxas de juros, possam ser discutidas pelo governo juntamente com os bancos, e serem reduzidos de forma significativa.

Somente as taxas de juros cobrados pelos bancos são diretrizes reais que formalizam uma crescente taxa de desemprego. E não adianta questionar ou culpar o governo, pois a taxa Selic atual, é uma das menores (4,86 % ao ano – conforme os dados do Banco Central para o mês de outubro de 2019).

Contudo, a taxa Selic não serve de parâmetro para bancos praticarem as suas taxas preferidas – entenda como abusivas – mas somente para compra de títulos do governo federal. Com isso, há sim, um endividamento em massa das famílias brasileiras, por causa de cheque especial, cartão de crédito e financiamentos diversos (carro, casa, imóveis e etc.); o que corresponde a maior taxa de concentração de renda praticada no país desde o fim da ditadura militar.

Por outro lado, a diferença salarial no país, chega a ser inimaginável do ponto de vista da classe dos trabalhadores. A concentração de renda nas mãos de poucos que nos levam a conviver com uma situação de escravidão institucionalizada com padrões capitalistas modernos, os quais jamais irão mudar se não houver nenhum tipo de interferência nos bolsões de riqueza, avareza, e de pobreza. Isso não significa que as empresas tenham que distribuir todos os seus lucros com empregados, mas que elas possam entender que quem faz parte da produção da massa, precisa também participar da partilha do bolo. Embora, existem algumas empresas no Brasil que o fazem, e de forma honrosa aos seus colaboradores.

Certamente, os níveis de produção e satisfação tanto de empregados quanto de empregadores mudam significativamente a partir desses procedimentos. Isso, não é apenas um pensamento de distribuição de renda, mas de investimento em mão de obra que deseja imprimir uma reação de comprometimento com suas respectivas empresas.

Enquanto isso não amadurece na mente da classe empresarial, o trabalhador fica à mercê de fatores como altas taxas de juros, desemprego e subemprego praticados por uma política que não ajuda em nada na melhoria da vida do povo.

É claro, e certamente que existem outros interesses, digamos assim, para manter a escravidão ao capital, como citei anteriormente.

Segundo os dados do IBGE publicados em 30 de agosto de 2019, a taxa de desemprego no país teve uma leve redução no trimestre encerrado em julho de 2019, passando de 12,5% da população economicamente ativa (PEA) entre fevereiro e abril para 11,8%.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com os trabalhadores recebendo cada vez menos e pressionados pelas altas taxas de desemprego no país, e orçamentos cada vez mais apertados, os dados estatísticos do país, já apontam que mais 60 milhões de brasileiros se encontram endividados; lembrando que ainda faltam mais de 2 meses para encerrar o ano de 2019. Portanto, meus caros leitores, não dá para falar sobre educação financeira do brasileiro, sem demonstrar a real causa do endividamento das famílias

 Para se ter uma ideia, o portal de Investimentos e Notícias publicou em 03 de outubro de 2019, o seguinte relato:

“O número de endividados aumentou em setembro, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apontou a nona alta seguida do indicador que mede o endividamento dos brasileiros: 65,1% das famílias relataram ter dívidas, contra 64,8% em agosto e 60,7% em setembro do ano passado. Foi o maior resultado dede julho de 2013 e o terceiro maior patamar da série histórica.

Segundo a economista da CNC Marianne Hanson os indicadores de inadimplência acompanharam a alta do endividamento. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou a 24,5% em setembro contra 24,3% em agosto.

Entre as modalidades de dívidas das famílias brasileiras estão itens como: cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestações de carro e cartão de crédito. Este último, inclusive, ficou em primeiro lugar como um dos principais tipos de dívida, sendo apontado por 79,5% das famílias endividadas, seguido por carnês (15,5%) e financiamento de carro (9,7%).

Entre as famílias com faixa salarial mais baixa (até dez salários mínimos), o cartão de crédito chega a 80% dos apontamentos”.

Abaixo há uma lista de taxas que são cobradas por bancos e financeiras estabelecidos no Brasil: Classificação por ordem crescente de taxa de juros para o período de 23/09/2019 a 27/09/2019.

Modalidade: pessoa física, cartão de crédito, rotativo total, tipo de encargo: pré-fixado.

Taxas de juros Posição Instituição % a.m. | % a.a.

1 – BANCO INTER 5,53 | 90,74
2 – BCO BMG S.A. 5,86 | 98,16
3 – BCO INDUSTRIAL DO BRASIL S.A. 6,31 | 108,35
4 – CCB BRASIL S.A. – CFI 8,50 | 166,16
5 – BANCOOB 8,58 | 168,43
6 – BCO MERCANTIL DO BRASIL S.A. 8,62 | 169,60
7 – BCO DO BRASIL S.A. 9,59 | 199,95
8 – BCO BANESTES S.A. 10,55 | 233,20
9 – CAIXA ECONOMICA FEDERAL 10,68 | 237,87
10 – BCO DO EST. DO PA S.A. 10,68 | 237,90
11 – BCO ITAUCARD S.A. 10,76 | 241,01
12 – BCO SAFRA S.A. 11,09 | 253,37
13 – BCO SANTANDER (BRASIL) S.A. 11,39 | 264,95
14 – BCO BRADESCO S.A. 12,07 | 292,66
15 – BANCO INVESTCRED UNIBANCO S.A. 12,26 | 300,64
16 – BCO LOSANGO S.A. 13,17 | 341,47
17 – BV FINANCEIRA S.A. CFI 13,50 | 357,09
18 – FIN. ITAÚ CBD CFI 13,62 | 362,66
19 – BCO DO ESTADO DO RS S.A. 14,05 | 384,14
20 – BANCO ORIGINAL 14,54 | 409,72
21 – HIPERCARD BM S.A. 14,61 | 413,84
22 – LUIZACRED S.A. SOC CFI 15,04 | 437,46
23 – SOROCRED CFI S.A. 15,06 | 438,64
24 – BCO A.J. RENNER S.A.16,08 | 498,33
25 – AVISTA S.A. CFI 16,75 | 541,23
26 – PERNAMBUCANAS FINANC S.A. CFI 17,01 | 558,66
27 – DACASA FINANCEIRA S/A 18,01 | 629,83
28 – BCO CREFISA S.A. 19,49 | 747,34
29 – BCO AGIBANK S.A. 19,60 | 757,02
30 – OMNI BANCO S.A. 19,99 | 790,53

Fonte: Banco Central do Brasil

Dessa forma, não dá para falar em educação financeira das famílias brasileiras sem falar das taxas praticadas pelos organismos financeiros que extorquem os rendimentos e receitas do povo.

Isso é uma falta de educação? Não!

Mas, uma falta de respeito.

Wanderli Pereira
É bacharel em Economia, e presbítero da Assembleia de Deus em Vila Velha (ES).
( ** Texto de colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor )
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