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A Doutrina do Theotókos

EM FOCO

Robson Aguiar
Robson Aguiar
Teólogo, articulista, comentarista cristão, e pastor presidente da Assembléia de Deus, em Caetés III, Abreu e Lima-PE,

A palavra “Theotokos” tem origem grega e quer dizer “aquela que deu à luz, a parturiente, a genitora de Deus”. E neste artigo apresento minha opinião sobre a Mariologia, que é o conjunto de estudos teológicos acerca de Maria.

É preciso dizer de antemão que os evangélicos têm um grande respeito por Maria, que a amam e acreditam que ela terá lugar de honra no céu, afinal ela foi a mãe do Salvador. Entretanto, há muitos ensinamentos sobre a esposa de José, que os evangélicos não encontram base bíblica para acreditar.

Neste post vou me concentrar em apenas um desses ensinamentos porque, porque dele derivam outras doutrinas e dogmas a respeito da mãe do Messias. Argumentos contrários são bem-vindos, com ética e respeito gostaria de ler as refutações.

Maria, mãe de Jesus, é também ‘Mãe de Deus’? 

De fato, Maria foi a mãe do Jesus Cristo humano, genealógico, que descendeu de Davi. Ela própria, é também da raiz de Jessé, e foi gerada da mesma forma que todos nós, da junção de um casal humano, diferente de Cristo. Portanto, de início pontuo que Maria foi gerada em pecado, (Rm 3.23); Jesus, não! (Jo 8.46).

O concílio de Nicéia (325 d.C), estabeleceu que Maria era mãe tanto do Cristo humano, como do divino, pois baseados na concepção normal de filhos não haveria como separar no nascimento a tricotomia humana do ser divino.

O mesmo Concílio que refutou o presbítero Ário e reafirmou a divindade de Cristo, criou o dogma da Mãe de Deus. De fato, a tricotomia humana prevê corpo, alma e espírito, a falta de um desses elementos não caracterizaria um ser humano. Também Jesus não poderia representar a humanidade, se estivesse incompleto em sua formação biológica e espiritual.

Sabemos que na concepção normal de seres humanos, comunicada por um casal, a carne vem do pó (homem), mas o espírito vem de Deus, (Ec 12.7).

Cremos no traducianismo, na comunicabilidade da alma quando no surgimento do zigoto e fecundação, porém, estamos falando da união divina com a humana (algo que nunca havia acontecido antes). Uma substância pré-existente, eterna, que foi inserida no ventre de Maria e de uma forma incompreensiva, gerada nela. Portanto, essa união se constitui um mistério. “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). Mas, acreditar que Maria é Mãe de Deus, pelo fato de ter sido um instrumento para esse milagre, é colocá-la na posição de criadora ao invés de ser criada.

No tocante a presença do Cristo/Deus no ventre de Maria, cremos que ela é a mãe do Cristo humano, mas não do Jesus divino. Para afirmar o contrário, teríamos que acreditar na divindade de Maria.

Dizer que Maria é um antropomorfismo divino ou até uma ‘teofania’ é um ensinamento herético que não se sustenta à luz da Palavra de Deus, pois ela teve início e teve fim. Já o Senhor Jesus Cristo declarou que antes de Abraão, Ele já existia, (Jo 8.58).

Jesus humanizou-se, porque Ele é Deus (Fp 2.6-11); o verbo se fez carne e habitou entre nós, (Jo 1.14). As Escrituras falam de Cristo, mas não há referência de que o mesmo tenha ocorrido com a mãe biológica de Jesus. Nesse sentido, Maria não é a Mãe de Deus. Se assim acreditássemos, Maria deixaria de ser considerada humana e passaria a ser considerada divina, uma “Deusa”, e a “Trindade” passaria a ser “Quaternidade”.

Também Jesus, ‘seu filho’, não seria Deus e sim, ‘um deus’, pois seria um ser criado. Essa era uma heresia ensinada nos primeiros três séculos pelo presbítero Ário. Em 325 d.C., no Concílio de Nicéia (o primeiro concílio da igreja), esse falso ensinamento foi refutado.

A conclusão do Concílio quanto a deidade de Cristo é que Jesus é da mesma essência do Pai, da mesma substância, e que é Deus, um Ser Eterno, incriado. O próprio Cristo disse: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim” (Ap 22.13).

Jesus e Maria

Todo aquele processo que Maria vivenciou, sendo invólucro do Messias, não a transformou em divindade, nem a dotou de poderes. Não há registro bíblico de Maria realizando milagres ou fazendo alguma maravilha.

É interessante que Jesus não tratava Maria como sua mãe, mas sim como discípula.

“E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe. E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Porém ele, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, este é meu irmão, e irmã, e mãe” (Mt 12:46-50).

No casamento em Caná da Galiléia, Maria foi procurada para resolver o problema da falta de vinho, e transferiu para Jesus o problema. A resposta de Jesus para ela foi: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2:4).

Note, que Jesus trata Maria com um termo formal “mulher” que corresponde no português a “senhora”, “madame”. O mesmo tratamento, “mulher”, foi dado a ela quando o Senhor estava morrendo na cruz: “Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho” (Jo 19.26).

Conclusão

O centro da Bíblia é Cristo. Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Ele é o único digno de adoração: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém!” (Rm 11.36).

R.A

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