A Bancada Evangélica nos representa?
Frente Parlamentar Evangélica (FPE) | Foto: Reprodução/Facebook

Quando votamos em evangélicos, estamos mesmo sendo representados? Eles estão sendo a voz da Igreja no Congresso Nacional?

Cláudio Araújo

O povo de Deus cresceu muito no Brasil. Do grão de mostarda, tornou-se frondosa árvore (Mt 17.20). Se organizou politicamente e hoje representa quase 40% no Parlamento. Ainda que na Bancada Evangélica conste nomes sem compromisso com a fé cristã, (e muitas vezes sem compromisso com nada), está concretizado o poder político do protestantismo. Os evangélicos costumam votar em candidatos que se alinham às suas crenças, e por isso a Frente Parlamentar Evangélica possui tantos deputados. Vale ressaltar que esse eleitorado tem decidido os rumos do Brasil, seja em questões municipais, estaduais ou nacionais.

Isso tem despertado o interesse da grande cúpula do poder e chamado a atenção da mídia. O atual presidente Jair Bolsonaro é presença marcante em muitos cultos que acontecem pelo Brasil a fora. É bom orarmos juntos não é mesmo? Mas nós podemos muito mais. Agora, será que quando votamos em evangélicos, estamos mesmo sendo representados? Eles estão sendo a voz da Igreja no Congresso Nacional? Ou melhor ainda, continuam sendo testemunhas da honestidade cristã? Ou será que não fazem nenhuma diferença no Poder? Jesus Cristo é o cabeça dessa Bancada? Vamos examinar algumas pautas e questionar como anda a atuação dos irmãos parlamentares na cúpula do poder.

Combate à corrupção

A Bancada Evangélica já foi notícia pelo envolvimento em casos ilícitos. Possui dezenas de deputados investigados em casos de corrupção e pelo menos 11 são réus. Desde a comentada máfia das ambulâncias até os dias atuais, a desonestidade alcançou também o sistema eclesiástico. Se assemelharam demais aos seus companheiros de tribuna, e ao invés do combate a corrupção, juntaram-se a eles. A credibilidade dessa bancada ficou comprometida. Tem membro da Bancada na cadeia, como é o caso do Eduardo Cunha, que já liderou a FPE.

Não se deve apenas compor um grupo que fale em nome de Deus, que busque o conservadorismo dos bons costumes, que deseja que Deus seja exaltado, é preciso ser exemplo (Lc 12.1,2; Mt 5.20). É preciso lutar para que os corruptos sejam presos, ainda que cortem na própria carne e seus próprios correligionários sejam enquadrados. Também é imoral o gasto exacerbado, pois o dinheiro público deve ser empregado para interesse público, e não para satisfazer a luxúria dos políticos. Além disso, não se deve fazer alianças com qualquer corrupto por dinheiro. Negociar valores. Não precisamos de deputados que sejam mais do mesmo. Devemos exigir que nos apresentem projetos de combate à corrupção. Ou será que para eles isso não é importante? Será que eles têm algum projeto que dificulta a corrupção no país?

Combate à pobreza

Um dos grandes propósitos da igreja de Deus é demonstrar o amor. Uma das várias formas de fazermos isso é atendendo os pobres em suas necessidades.

O Brasil continua sendo um país pobre, mesmo que muitos digam que “acabaram com a fome”. A fome é uma grande violência, e só quem já passou por isso sabe quão grande sofrimento (Mt 25.35).  Portanto, um dos papéis daqueles que alcançam o ápice do poder público, como cristãos, deve ser o de olhar para a situação dos necessitados, propondo melhorias e ampliação de renda, para que todos tenham comida na mesa.

O egoísmo que vêm sendo percebido nos confirma a falta de preocupação da Bancada Evangélica, pois refestelam se gastando abusivamente a verba pública numa vida de luxúria às custas da pobreza do povo. A polêmica recente do gasto de R$ 157.000 com o sorriso de um deputado da Bancada causou um alarde, e creio que não será esquecido.

Sem projetos de grande alcance, sem ser sal e luz, sem beneficiar os miseráveis, um deputado evangélico é só mais despesa para o povo. O Correio Brasiliense, citando o IBGE, afirma que a pobreza não diminuiu em nosso país: “Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2016 e 2017, a pobreza no Brasil passou de 25,7% para 26,5% da população. O número dos extremamente pobres, aqueles que vivem com menos de R$ 140 mensais, saltou, no período, de 6,6% para 7,4% dos brasileiros [¹]. Onde estão os projetos dos deputados no combate à desigualdade? Quais as medidas estão tomando para o combate a redução da pobreza?

Combate à violência

A terra estava cheia de violência, e Deus enviou um dilúvio (Gn 6.11-18). Ele não se agrada da violência, da falta de amor ao próximo, da desvalorização da vida humana. O Brasil têm sido por muitos anos conhecido pela violência de suas grandes metrópoles. Uma grande parte dos jornais dedicam-se a exploração da violência e destacar o número crescente de homicídios. É verdade que, nos últimos meses estatísticas demonstram uma queda nesse quadro, mas não é devido ao empenho da Frente Parlamentar Evangélica. Dependesse deles, continuaríamos como o Titanic rumo ao fundo, ao som de música solene.

O crescimento do consumo de drogas gera violência, dentre outros muitos fatores. Os políticos cristãos devem viabilizar mais informação e projetos no combate às drogas. Precisa-se de mais rigor na aplicação das leis contra os contraventores. Quais os projetos da FPE para enfrentar a violência? Para combater o tráfico? Para fortalecer a política antidrogas e fomentar recuperação de viciados?

Educação de qualidade

Nossa educação não encabeça as melhores do mundo. Muitos anos de lavagem cerebral esquerdista dentro da escola pública não beneficiou a população brasileira. É certo que isso é uma imoralidade. As escolas públicas não devem mais servir de laboratório de ideologias. A Bancada Evangélica deseja ardentemente que os pais tenham direito de ensinar seus filhos em casa. O ensino domiciliar tem sido uma bandeira levantada pelo grupo desde o início dessa legislatura.

Segundo o site huffpostbrasil: “De acordo com a Aned 7.500 famílias adotam esse modelo no Brasil – número quase 20 vezes maior do que o registrado em 2011, quando haviam 359. Com a aprovação da MP, a estimativa é que o número chegue a cerca de 17.200 em 2020.

Hoje essas famílias estão em um limbo legal. Em setembro de 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria, que a Constituição Federal não proíbe a prática, mas ela é ilegal porque não há uma lei regulamentando o ensino domiciliar[²].

Vamos nos debruçar um pouco sobre a questão: O brasileiro paga altos impostos e o Estado está obrigado a fornecer educação para seus filhos. Se os pais começarem a ensinar em casa, teriam redução de impostos? Nem todos os pais tem capacidade de ensinar os filhos, até aí tudo bem porque seria algo opcional das famílias. Um direito, e não uma obrigação. Então que experimentem essa forma de educação, quem assim o desejar. Mas estudar na escola pública também não impede os pais de educarem seus filhos, obviamente.  

É certo que a FPE deve lutar para uma educação de qualidade nas escolas públicas. No passado as escolas já foram melhores. É importante o resgate dos valores. O sucateamento da educação se deu devido a desconstrução promovida anos a fio por professores à serviço da esquerda, muitos dos quais de profissionalismo questionável, brigam com os alunos para que sejam mantidos seus pontos de vista pró-socialismo. Todo esse ideologismo trouxe descrédito à educação. Suas greves não param o Brasil, pois tornou-se um movimento político comandado pelo esquerdismo, respeitando se as exceções. O que se faz necessário combater (e vencer), é o fanatismo que monopolizou a educação e a contaminou. Deve se aplicar sanções aos profissionais que não respeitam a democracia, para os quais suas opiniões pessoais estão acima qualquer coisa. O que os parlamentares evangélicos estão fazendo em prol da Educação? Quais os projetos de Lei favorecem famílias de baixa renda que precisam que seus filhos prossigam na Escola Pública?

Conclusão

E então, você se sente representado pela Frente Parlamentar Evangélica? Você consegue ver ali a diferença entre os que servem a Deus e os que não servem? (Ml 3.18).

Não temos todas as respostas. Nem pretendemos ser exaustivos nesse artigo. Reconhecemos que há muito mais a ser dito. O Brasil precisa seguir em frente e melhorar em todas essas áreas mencionadas e ainda na área da saúde, cultura, combate ao desemprego, respeito à diversidade, consciência ambiental, etc. Existe um longo caminho a percorrer. Importante é que a Bancada Evangélica deve fazer a diferença, lutando pelas necessidades do povo, não apenas pelas instituições evangélicas ou pelas igrejas das quais são membros. Menos ainda por si mesmos ou por seus partidos políticos. Quando votamos, não queremos a mesmice. Precisamos, como povo, fiscalizar e cobrar por ações positivas para nossa nação. Que haja luz. E que essa luz resplandeça no Brasil (Gn 1.3; Jo 1.5).

Referências
[¹] Disponível em https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/08/14/interna-brasil,777032/miseria-extrema-no-pais-cresce-e-atinge-13-2-milhoes-de-brasileiros.shtml, acesso em 08/02/2020.
[²] Disponível em https://www.huffpostbrasil.com/entry/bancada-evangelica-ensino-domiciliar_br_5ca3a9f9e4b0c3297961495a, acesso em 08/02/2020.
Cláudio AraújoCláudio Araújo
é formado em Direito, Pedagogia, Teologia, e cursa Jornalismo. Professor de Teologia e Superintende da Escola dominical. Pós-graduando em Criminologia, Direito Penal e Processual Penal, e Educação Inclusiva. Evangelista da Igreja Assembleia de Deus (Missão), mora em Divinópolis/MG
 

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