2020: o ano em que percebemos o quanto uma boa educação faz falta a um país
O foco quase que total no que tem acontecido em 2020, mundialmente, tem os holofotes direcionados à saúde e à economia. | Foto: Pixabay

Ao longo da história a sociedade não valoriza a educação. Ao longo da crise a educação mostra o quanto faz falta.

Por Janaína Spolidorio

O foco quase que total no que tem acontecido em 2020, mundialmente, tem os holofotes direcionados à saúde e à economia.

Claro, é inevitável que a saúde e a economia tenham tanta atenção, afinal de contas estamos batalhando para preservar vidas, para não ter colapsos nos sistemas de saúde, para conseguir resolver um dilema que brinca de pingue-pongue entre salvar vidas no que se refere à doença e também à economia.

Seres humanos com condições mínimas de saúde podem ser afetados de forma mais esmagadora por uma pandemia de proporções devastadoras, que tem o poder de atacar várias áreas ao mesmo tempo.

Por trás de todo esse cenário, que mais parece saído de um dos tantos filmes quase que apocalípticos, está a educação. E daí você pode dizer que a educação é o menos importante no momento e eu não deveria estar falando sobre ela.

Realmente. NESTE momento ela está praticamente em pausa… enrustida… devido a outras necessidades, mas nem por isso devemos parar de refletir sobre ela.

Você já refletiu sobre o poder que a educação pode dar às pessoas, no que diz respeito a respeitar, julgar, refletir?

Estamos em meio a uma espécie de batalha de informações. De um lado nos dizem uma coisa, de outro lado, outra, completamente diferente.

Em um dia nos dizem que um remédio promissor está sendo testado e no outro que esse mesmo remédio tem efeitos posteriores preocupantes. Fala-se de tratamentos com remédios para piolhos, para HIV, para malária… todos em teste e com resultados promissores ao tratamento do Covid-19.

Em um outro dia somos bombardeados com informações de que se não tivermos uma estratégia de saída do isolamento teremos danos terríveis em relação à economia. Iremos ter uma taxa homérica de desempregos, empresas falindo e cenários horripilantes até mesmo de imaginar.

A meu ver, algo que falta em excesso é o que deveria ter sido preventivo a uma crise, qualquer que seja: a boa educação, um sistema estruturado e que tenha como objetivo a formação real da população.

Ouvimos muito dizer que a educação é importante, que precisamos estudar para sermos “alguém na vida”, que quem estuda tem melhores oportunidades. A intenção é até boa: proporcionar uma chance real das pessoas serem bem-sucedidas, mas na prática não é assim que acontece.

A mesma histeria que tem acontecido no mundo inteiro acontece há dezenas de anos na educação. Histeria, porque são atos impensados na tentativa de conseguir melhorar “índices” de resultados.

Não estou dizendo que sejam pouco importantes os índices, mas ainda mais importante são as pessoas que aprendem. A educação é preventiva. Seu maior intuito deveria ser ensinar a pensar e não a pobremente ler, escrever e calcular.

Reproduzir frases, copiar textos e ficar “redescobrindo os cálculos” nos tira dos trilhos do que realmente importa. Se a educação é levada a sério e valorizada, temos então algo importante quando ocorrem crises, sejam elas de proporções mundiais ou pessoais, que é o poder de conseguir analisar o problema e encontrar soluções palpáveis.

Por falta de estimularmos o conhecimento não temos uma população capaz de analisar notícias, muitos chegam a acreditar – e pior… disseminar… falsas notícias.

Por falta de ensinarmos a pensar coletivamente temos uma grande parcela da população egocêntrica, que não se importa com os demais.

Por falta de trabalharmos com planejamento não temos grupos concisos que possam pensar do macro para o micro, analisando situações gerais e separando em específicas.

Por falta de investirmos na formação de nossos educadores e em nossa área educacional não temos hoje grupos de pessoas que possam trabalhar em várias frentes, trazendo soluções de modo estratégico.

Nossas escolas estão paradas. A comunicação entre pais e escolas tem se mostrado mais afetada do que as atividades em si que as crianças deveriam estar fazendo. Não temos direcionamento estratégico, recebemos ‘tapa-buracos’ para tentar não perder um ano letivo que, sinceramente, não sei se irá realmente acontecer.

A educação mais uma vez é a prejudicada. Muitos pais estão deixando de nos apoiar, as notícias falam sempre mais do mesmo – incentive a ler, faça brincadeiras, aproveite para ter um tempo com seu filho.

Nossos filhos estão com o ano mais precário, do ponto de vista educacional, de suas vidas.

Os pais que não querem se dar ao trabalho de ajudar os filhos, ou pior, não possuem ideia de como lidar com os próprios filhos – porque pagam a escola para isso, consideram a educação hipócrita neste momento – se tornam advogados contra a educação para justificar uma falta de habilidade que possuem.  A educação falhou com esses pais, porque não compreendem sua importância.

As escolas particulares correm contra o tempo e esgotam economias para poder dar conta de fornecer aos pais um bom trabalho, mesmo que remotamente.  A educação tem falhado com elas, porque não formou professores capazes de lidar com situações de tecnologia, porque não dá alternativas ou orientações para elas que sejam plausíveis ao momento.

Os pais preocupados com os filhos buscam desesperadamente dar conta de seus trabalhos (ou desempregos neste momento), enquanto criam tempo para poder ajudar na educação de alguma forma, tentando entender como os professores fazem. A educação lhes mostrou que é importante, mas neste momento precisam de uma maior orientação que simplesmente inexiste.

No final, ninguém tem base para orientar nada e ninguém está com a razão. Não podemos encontrar razão em meio a uma crise como a que vivemos. Ninguém tem a resposta, porque está acontecendo agora e não temos uma visão “de fora” da crise. Viver a crise é diferente de falar sobre ela.

Não podemos dar razão nem ao pai que se recusa a ensinar e nem ao que ensina. Não podemos dizer que as escolas estejam agindo de maneira correta ou que não estejam preparadas por culpa delas. A culpa, afinal de contas, é histórica e social.

Ao longo da história a sociedade não valoriza a educação. Ao longo da crise a educação mostra o quanto faz falta. Uma melhor educação nos permitiria sermos mais exigentes com a qualidade de informações que recebemos e recusar as notícias que são, na verdade, falsas esperanças.

Uma boa educação nos daria as ferramentas que precisamos para criar equipes estratégicas dentro da própria educação, promovendo soluções efetivas de forma mais hierárquica, porém democrática, analisando alguns panoramas educacionais.

Uma boa educação nos daria, enfim, o discernimento de podermos lidar melhor com o presente e projetar já ações para um futuro, seja ele qual for. Uma boa educação é sempre preventiva.

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