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Um Evangelho “cheio de graça” é sem graça!

Um Evangelho “cheio de graça” é sem graça!

Por Silvio Costa

Estilos de pregação são distintos no campo homilético; formas de pregar são variadas num universo de oportunidades e em cenários e ambientes distintos; de forma que cada pregador apresenta peculiaridades em sua maneira de expor um sermão bíblico – isso tudo é comum em nossas reuniões e eventos – só que o pregador não pode comprometer a aplicação da mensagem por conta de seu estilo. Em contrapartida, existe preferência por parte de quem escuta a pregação – e há alguns que preferem uma mensagem mais bem elaborada, encorpada com teor bíblico; outros de uma exposição mais espontânea e emotiva e ainda aqueles que gostam do “movimento”, de pregadores que gritando ao microfone “quebram tudo”, pois o que conta é o “reteté” que na compreensão destes é sinônimo da manifestação do poder de Deus.

Antes, preciso esclarecer que eu não tenho nada contra palestras bem-humoradas, em anedotas “evangélicas” que se margeiam pelos limites do conveniente; em ilustrações que apesar de cômicas não saem dos trilhos da seriedade – pois o que deve se destacar é a mensagem cristã. Também não curto pregadores que parecem “espalhadores de medo”, expoentes de uma “mensagem carrancuda”, eloquentes das sentenças divinas – que não apresentam remédio, muito menos salvação e o céu – gente que fazendo uso da Palavra fere o auditório, envergonha determinados ouvintes e expõe ao ridículo em ajuntamentos públicos certos casos já conhecidos pelos presentes – isso não é pregação do Evangelho, é absoluta falta de bom senso!

“Eis que eu sou contra os profetas, diz o Senhor, que usam de sua própria linguagem, e dizem: Ele disse” (Jr 23.31).

Feitas as minhas considerações, a reflexão em curso mira em outra figuração homilética bem apreciada em nossos dias – as pregações “cheias de graça”. Mas, não são cheias de graça no sentido de serem carregadas de dons, favores ou dádivas de Deus – são “cheias de graça” por que são engraçadas, porque muitas igrejas promovem, por que fazem a gente rir de montão e como programa de fim de semana é melhor que qualquer stand-up comedy porque é gospel! É impressionante como esse estilo de pregação consegue atrair a atenção do auditório que absorto não perde nenhum gracejo do “hilariante-pregador”. Alguns irmãos choram de tanto rir, e a congregação que deveria ouvir a Palavra do Senhor em reverência, descamba numa frenética casquinada, pois frente ao que o pregador sugestiona o santo tornou engraçado, o sério foi despojado de sua rigidez necessária e o templo tornou-se numa casa de humor (chocarrices).

“O meu corpo estremece diante de ti; as tuas ordenanças enchem-me de temor” (Sl 119.120).

Na verdade, não há motivos para risadas pois estamos diante de um circo de irreverências; frente a seguidas violações da “casa de Deus”, diante de homens que fizeram da pregação um show e do templo um local de espetáculos. Não existe justificativa ou argumento que me convença do contrário pois a falta de temor no que se faz e no que se fala em muitos púlpitos é a manifestação mais escancarada de profanação! Estamos sacrificando porcos no altar reservado aos cordeiros ao ceder nossas tribunas sagradas a “pregadores cheios de graça” que ministram sob as vidas de muita gente “sem graça” e que apesar do riso, da comédia e do humor, continuarão sem receber a verdadeira graça de Deus. Amados, igreja não é lugar de piada é lugar da genuína Palavra de Deus; é local santo e de reverente adoração a Cristo; é ambiente privado à espiritualidade – é também ambiente da manifestação do Santo Espírito!

“Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tg 4.9).

Depois dessas reuniões “cheias de graça”, o povo volta para casa com o humor em alta, mais leves de suas tensões – pois riram à vontade; e o tal pregador passa a ser mencionado como “aquele pastor engraçado”, indicado inclusive a outros que não foram à reunião das piadas e das encenações cômicas, onde o “comediante-pregador” com um tom de voz que remetia à alguma imitação brincalhona – fez todo mundo achar graça do sermão apresentado. Estamos diante de um modismo perigoso e pseudo da pregação do evangelho; estamos dando ao povo o que eles querem e não o que precisam. Nunca encontrei uma mensagem cômica de Jesus, Paulo, Isaías, Daniel, João Batista e muito menos de Deus em qualquer parte da bíblia falando ou revelando-se de forma engraçada – e essa meus irmãos é a característica da pregação cristã, pois é uma pregação séria, tratando de assuntos sérios e revelando um Deus que jamais brincou no que disse e fez.

Que Deus ilumine nossas mentes e corações e que nossos líderes sejam mais criteriosos ao convidarem certos pregadores para nos trazerem as mensagens de Deus expostas na bíblia.

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